Piauí se destaca por romper conceitos tradicionais com Arquitetura Ecológica

Arquiteto explica que a arquitetura ecológica tem como foco principal o conforto e bem-estar das pessoas

Paredes de terra crua, madeira de reflorestamento, tetos de palha, banheiros com céus abertos, varandas de areias e materiais regionais na decoração. Estas são apenas algumas das criativas soluções que estão sacudindo os conceitos tradicionais da arquitetura na atualidade. Estes materiais pertencem a um modelo diferente de construir e projetar moradias, em que o mais importante é, além de preservar o conforto interior da obra, respeitar ao máximo a natureza. “Projetar, produzir e consumir de forma consciente contribui para o presente e o futuro do planeta”, afirma Tothe Ibiapina, profissional que há mais de 20 anos trabalha com arquitetura ecológica. O arquiteto explica que a arquitetura ecológica tem como foco principal o conforto e bem-estar das pessoas através da adaptação da construção ao ambiente local. “Concepção ecológica é a utilização de técnicas, materiais e tecnologias menos agressivas antes, durante e depois da obra. Uma construção planejada para usufruir dos recursos locais e reduzir os impactos ambientais”, esclarece. Mais do que uma técnica, a construção ecológica é uma questão de conforto. “Utilizamos sempre os recursos tecnológicos quando os naturais não são suficientes”, elucida Tothe. “Mas o interessante é que a construção traga conforto para o usuário, usando o máximo possível dos recursos naturais em iluminação, ventilação e vegetação”, completa. Presente nos estados do Piauí, Ceará e Bahia, a arquitetura ecológica tem atraído atenções e influenciado novas gerações de arquitetos. “Necessitamos sair dos padrões de repetição e de imitação para construir projetos inovadores e criativos. E a ecologia abre espaço para isso”, alega Tothe que por defender esta idéia é hoje referência para novos profissionais da área.







Vilarejo de Barra Grande – PI No vilarejo de Barra Grande é possível identificar grandes exemplos da arquitetura ecológica. “Barra Grande é meu poema. Lá consigo realizar meus sonhos, defender minhas linhas de trabalho, sem muito rebuscado; banheiros com jardins abertos proporcionando contato com o céu, varandas de areia, mais espaços iluminados e ventilados naturalmente. Enfim, meu retorno às origens, sem querer desmerecer outras construções urbanas lindíssimas”, argumenta Tothe. Para Tothe, a arquitetura ecológica se inicia no processo de conscientização das pessoas. Para conseguir este objetivo, o arquiteto afirma que o primeiro passo é internalizar nos participantes do processo de planejamento, construção e habitação, os conceitos ecológicos. “Não é copiar, mas criar a partir da compreensão dos materiais locais, observando sempre o funcionamento da natureza”, assegura.







Pensar o espaço construído só é possível com o entendimento do espaço natural. “Ao contrário do que se imagina a arquitetura ecológica não é um retorno às soluções primitivas, mas sim a conjugação de recursos tecnológicos e naturais, sem ferir o ambiente e sem desperdiçar materiais”, diz. Essa questão é absolutamente essencial ao trabalho de um arquiteto. Ao entender o que acontece no espaço natural é possível projetar o futuro e medir suas conseqüências. Afinal é no futuro que existe a obra construída, assim como o impacto causado por ela.













Sobre o arquiteto Tothe Ibiapina nasceu em Teresina, estudou em Salvador e passou parte de sua vida no Rio de Janeiro. Atualmente residir em Parnaíba,, mas sempre que pode, usa todas as folgas para se refugiar no Vilarejo de Barra Grande. “Descobri a necessidade de trabalhar com os materiais oferecidos pela natureza, quando tive a oportunidade de passar uma temporada no Morro da Mariana – Ilha Grande de Santa Isabel, no fim da década de 70 e, lá convivendo com os nativos despertei para a situação de respeito pelo meio ambiente”, revela o arquiteto.

Seus projetos abrangem desde considerações acerca das condições climáticas até preocupações bem atuais, estratégias de proteção da biodiversidade, paisagismo ecológico e toda gama de trabalhos sobre o impacto do desenvolvimento urbano no ecossistema de uma determinada região. O poder de conscientização do arquiteto é tão grande que ele divide o sucesso do seu trabalho. “Trabalhos não são somente meus! São dos amigos que acreditam na idéia, da comunidade que aceita conviver comigo e dos meus operários primitivos que, são meus professores”, fala. Taipa: recurso de beleza e durabilidade Uma tecnologia bastante utilizada pelo arquiteto é a taipa, um modo de construção secular e simples, que usa terra crua em vez de tijolos. “Utilizo devido a sua elevada resistência, beleza e durabilidade”. Neste contexto, a construção de taipa de mão, coberta com palhas, renasce admirada e procurada por pessoas com consciência ambiental. “O mercado e a sociedade em geral estão cada vez mais exigindo dos profissionais uma atitude de maior respeito ao meio ambiente”. A taipa é uma tecnologia simples que consiste no preenchimento de um entrançado de madeira ou bambu, com terra. “Quando as paredes estão prontas, é só fazer o reboco das paredes e dar uma boa pintura para revelar a beleza”, ensina. “Antes, nos viam como profissionais pitorescos, alternativos. Agora, nosso trabalho está sendo valorizado”, comenta Tothe Ibiapina. Há por todo o mundo exemplos de construções feitas em taipa, a própria muralha da China, símbolo da solidez, é taipa, serviu a construções no Egito, na Mesopotâmia, há séculos. “A taipa é um material apaixonante. Tem uma nobreza histórica. As reforçadas casas e igrejas coloniais brasileiras foram feitas assim. A casa de taipa nasce do chão, vem da natureza, é construída com o material que está ali” A arquitetura ecológica demonstra que respeitar a natureza e viver bem é perfeitamente possível. Claro que ninguém terá de morar em uma oca. Na verdade, trata-se de um resgate de técnicas construtivas tradicionais que utilizam materiais feitos basicamente de terra por isso, com praticamente nenhum impacto ambiental. “Eu não inventei nada! Apenas adaptei o que os índios já usavam. Aproveitei a circunferência, a forma redonda da oca e aperfeiçoei com a tecnologia de usar o pilar no centro para sustentação, usando a engenharia, a física e a matemática para convergência da força. O resultado é uma obra diferente, mas o sentido é um só”. As técnicas evoluíram e hoje, existem opções diversas de materiais e acabamentos que permitem um visual muito mais arrojado que antigamente além de maior durabilidade.

Fonte: Assessoria