Árvores deixam temperaturas mais amenas no meio urbano

No período quente do ano, as árvores têm papel importante

A primeira semana do mês de outubro continuou a apresentar sol forte, altas temperaturas e sensações térmicas ainda maiores. Esse cenário se configura como típico do período dos meses mais quentes do ano, em Teresina: o BR-O-BRÓ. Por isso, é importante a preservação das árvores nos ambientes urbanos da capital, pois além de absorverem gás carbônico (CO2) e liberarem oxigênio, melhorando a qualidade e umidade do ar, ajudam também a amenizar o calor e melhorar a qualidade de vida das pessoas.


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O biólogo José Ribamar Rocha afirmou que as árvores são responsáveis por promover sombra natural que bloqueiam a radiação solar e criam um microclima embaixo do ambiente com sensação térmica mais agradável. Assim, é oferecida uma condição de melhor conforto térmico e promoção de um maior bem-estar. “O principal beneficio é a melhoria da qualidade de vida da população. Um dos aspectos que a gente pode destacar é que elas amenizam o calor, trazem uma sensação de conforto térmico, por que elas reduzem o impacto e amenizam a radiação solar sobre as pessoas”, destacou.

Mas os benefícios vão muito além da produção de sombra e beleza natural. A presença de árvores nas cidades traz diversas ou-tras vantagens à população humana. Elas ajudam a absorver ruídos e o barulho na cidade e são muito importantes para a preservação das nascentes de água, para a purificação do ar, para atrair a fauna, para embelezar os parques e por isso é tão importante preservá-las. “Elas são importantes para manutenção da umidade do ar, ajudam a condensar as partículas que estão em suspensão, funcionam como uma espécie de filtro para a poluição do ar, assim como amenizam a poluição sonora”, acrescentou.

O ambientalista ressalta que as árvores trazem uma identidade cultural para cada região. Ele cita que no Piauí, por exemplo, as pessoas se identificam com um cajueiro e a carnaúba que estão ligadas ao próprio símbolo do Estado e têm valor importante para a economia da região. “As árvores criam um valor efetivo para as pessoas e destruir isso causa prejuízo para a comunidade”, disse.

Ação individual, benefício para todos 

O estudante de Jornalismo, Manoel José, completou 21 anos no último mês e como forma de construir um futuro melhor, o jovem resolveu presentear a cidade plantando 21 mudas de ipê no Bairro Socopo, na zona rural de Teresina, onde mora.

Uma atitude simples e individual capaz de trazer grandes benefícios para o meio ambiente e consequentemente todos os teresinenses. Ele defende que simples ações em prol do bem ao próximo possam se tornar rotina na vida das pessoas.

“A iniciativa surgiu da necessidade de conscientizar as pessoas do bairro onde resido, que apesar de ser cercado de matas, a região tem passado por um processo de habitação constante e parte dessas árvores tem sido destruída para construção de condomínios e conjuntos habitacionais”, afirmou.

Uma simples ação proporcionou ao universitário levar mais esperança e a perspectiva de dias melhores. Ele fincou as mudas em diferentes locais do bairro e se comprometeu a tentar fazê-las crescerem de forma saudável. Segundo ele, alguns amigos gostaram da ideia e garantiram que também vão realizar a ação durante a comemoração de seus aniversários.

“Penso que tudo deve partir de nós mesmos enquanto cidadãos que convivem em sociedade. Ações como estas são simples de se fazer e é um bem para a comunidade em geral”, destacou. Ele cita que em Teresina, por exemplo, a própria prefeitura disponibiliza as mudas para que as pessoas possam replantar onde queiram.

“O que temos visto é que falta iniciativa por parte das pessoas em proporcionar um ambiente mais arborizado e mais fresco pela cidade. Muitos se preocupam apenas com seus jardins particulares, mas precisamos olhar com uma visão ampla e enxergamos a necessidade de termos essas árvores no maior espaço aberto possível. É um bem para nós e para nosso futuro”, disse.

Manoel José lembra que a visão ecológica nasceu ainda na época de escola que aos finais de semana proporcionava ações sociais por diversos bairros da cidade. Uma dessas ações era a de plantar árvores e levá-la para os moradores. Ele cresceu com um pensamento concreto em relação a preservação do meio ambiente e passou a tomar outras atitudes.

“Eu deixo de utilizar o carro alguns dias da semana e opto pelo transporte coletivo. Quando estou em casa, nos finais de semana, por exemplo, deixo o carro na garagem e ando sempre de bicicleta. Penso que as pequenas atitudes podem influenciar e contribuir muito para um futuro mais saudável”, considerou.

TERESINA PERDE ÁREAS VERDES

De acordo com o doutor em Botânica, houve uma diminuição das áreas verdes na capital piauiense e muitos espaços não tem manutenção e com o passar dos anos ficam abandonados e perdendo localizações para as construções imobiliárias. “Um dos pontos que eram mais arborizados era o centro deTeresina e isso tem se perdido”,completou.

Ele acrescentou que os animais também perdem seu habitat, pois muitas árvores servem de habitação para aves e outros animais.“Nós notamos queTeresina está perdendo muitos animais porque têm seu espaço destruído”, pontuou o professor universitário. Para a Organização das Nações Unidas (ONU), é recomendável que uma cidade tenha pelo menos 12 metros quadrados de área verde por habitante.

Uma árvore adulta pode absorver do solo até 250 litros de água por dia. Assim como nutrientes de matérias orgânicas são absorvidos pelas raízes e transformados através da fotossíntese, em alimento para toda a planta. As folhas,frutos, madeira e raízes servirão de alimento para diversos seres vivos.


Fonte: Waldelúcio Barbosa - Jornal MN