Aumentam pessoas com problemas respiratórios em Teresina

Idosos e crianças são os mais afetados pelo efeito da temperatura

Da demanda total de pacientes que procuraram as Unidades Básicas de Saúde (UBS) neste mês de agosto, 90% apresentaram problemas respiratórios ou sintomas de infecção, como dor de garganta, dor de cabeça e febre.

Índices bem maiores do que os registrados nos meses de junho e julho, provocados por conta da baixa umidade.

Os grupos que mais sentem o efeito da temperatura elevada e do ar seco são as crianças e os idosos, principalmente, por estes terem uma tendência maior a desidratação. Para amenizar essa situação, o aerossol tem sido um recurso bastante utilizado nos hospitais e consultórios.

Dentre as crianças que aguardavam a consulta estava Álvaro Gama, de apenas 1 ano e quatro meses. Segundo a mãe da criança, Edna Nascimento, o filho apresenta diarreia e vômito. “Já tentei medicar com chá, mas não passa. O menino continua mal. Não come nada”, relata a dona de casa. Após a consulta, o pequeno Álvaro Gama foi medicado com soro na veia.

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O médico pediatra Auricélio Ribeiro não recomenda a automedicação, como fez a mãe de Álvaro Gama, pois afirma que pode agravar o quadro de saúde do paciente. “Não vamos matar uma formiga com uma bala de canhão. Para uma infecção leve, vamos usar medicamentos leves e sintomáticos. Três elementos são importantes para o bem-estar: água limpa, sabão e comida. Tomar banhos várias vezes ao dia e também fazer a ingestão de muito líquido, suco, água e frutas”, explica.

O rotavírus é o principal responsável pelos problemas respiratórios e com a baixa umidade do ar, fumaça e poeira só agravam a situação. Para a enfermeira Maria da Cruz, o aumento de pacientes que estão utilizando o aerossol cresceu em relação ao mês passado. “De todas as consultas com problemas respiratórios, 60% passam pela sala de aerossol. A demanda só tem crescido”, pontua.

Baixa umidade - A previsão para Teresina é que a umidade relativa do ar atinja 30%, com o dia predominantemente ensolarado. O que deve deixar a população em alerta para os cuidados com a saúde. Já nos demais municípios, a situação é mais grave, com o tempo seco e quente, a umidade relativa do ar mínima continua muito baixa e ficará abaixo dos 20%, com o dia ensolarado e ventos que variam de fracos a moderados. Vale destacar que a média mundial da umidade do ar é de 60%.

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Teresinenses devem tomar cuidados

Ainda no mês de agosto, o teresinense já sente os efeitos do B-R-O-BRÓ, período mais quente e seco do ano. A umidade do ar já atingiu 19% em Teresina na última semana. As pessoas devem tomar cuidados com a saúde, pois esta situação só deve ser amenizada depois do mês de dezembro.

De acordo com o otorrinolaringologista Flávio Santos, a umidade no mínimo ideal é de 55%. “Já registramos 20% e ainda estamos em agosto, isso quer dizer que em outubro, que sempre é o pior mês, será ainda mais desconfortável”, comenta Flávio Santos ao ressaltar que este é um fator climático que não tem como ser modificado, então as pessoas precisam usar artifícios que melhorem esta condição.

Onde o clima é mais ameno, o ideal é usar umidificadores, principalmente quando se usa ar-condicionado, para melhorar a qualidade do ar e, assim, evitar as crises alérgicas. Além disso, uma das orientações mais importantes é a hidratação. “Principalmente as crianças e os idosos precisam ter um cuidado especial com a hidratação. Não se pode esperar que eles peçam o líquido”, coloca o otorrinolaringologista.

O sistema respiratório é o que mais sofre com as condições climáticas. Com a baixa umidade do ar, não ocorre toda a fisiologia da respiração. Neste período é comum ficar com lábios e olhos secos e ter sangramento no nariz. Isso favorece o aparecimento das sinusites, rinites e faringites. Para evitar sangramentos no nariz, é recomendado fazer uma lavagem nasal com soro fisiológico.

Neste período, o ar-condicionado também precisa ser usado com cuidado para não oferecer riscos à saúde devido ao choque térmico. As mudanças bruscas da temperatura corporal que acontecem quando alguém passa de um ambiente muito frio para um lugar mais quente, ou vice-versa, também geram gripes, problemas respiratórios, além de fortes crises em pessoas que apresentam rinites alérgicas, bronquites, asma e sinusites.

Fonte: Aline Damasceno