Caminhada da Fraternidade: há 15 anos "com a bola toda"

Em ano de copa, as cores verde e amarelo tomaram de conta da Caminhada da Fraternidade

No ano em que a Caminhada da Fraternidade comemora a realização de suas 15 edições – cada uma, com sucesso absoluto – um fato inusitado, observado durante o percurso, chamou a atenção da reportagem do Portal Meio Norte: 15 jovens e seus 15 motivos para prestarem um dos gestos mais nobres que a humanidade pode fazer: a solidariedade em favor daqueles que mais precisam.

<br><img src="http://static.meionorte.com/uploads/imagens/2010/6/14/6fcd5d939c1689deed1e25208b1935ad.jpg" width="600" height="404" /><br>

Daniele, Lucas, Carlos Eduardo, Ícaro, Mateus, Fabiana, André, Taís, Gabriela, Vivian, Isaías, Ana Maria, Samuel, Camila e Luma formavam um bonito time de pessoas dispostas a ajudar, sem receber nada em troca, sem pedir recompensa ou remuneração por causa disso. Eles, simplesmente, vestiram a camisa da representação da fraternidade e, assim como as mais de 60 mil pessoas, marcaram um bonito gol, aumentando o placar do amor, da caridade, da irmandade.

Não deu outra: eles estavam mesmo “com a bola toda” e o motivo, eles mesmos fazem questão de destacar: “alegria”, para Daniele; “fraternidade”, disse Lucas; “amor”, Carlos Eduardo; “companheirismo”, Ícaro; “compromisso”, Mateus; “união”, Fabiana; “ajuda”, André; “ser solidária”, disse Taís; “ser membro da Pastoral da Juventude”, disse Gabriela; “amizade”, Vivian; “dizer não à discriminação”, destaca Isaías; “juventude”, Ana Maria; “caridade”, Samuel; “ser igreja”, Camila e, por fim, “promover a paz”, frisou Luma.

Mas não parou por ai. A Caminhada da Fraternidade, que teve a sua 15ª edição realizada na manhã de ontem, dia 13, contou, mais uma vez, com o espírito solidário de milhares de homens e de mulheres: crianças, jovens e idosos, com suas raças, suas cores, sua forma particular e mais que importante, quando destaca-se a ajuda ao próximo.


É possível mesmo afirmar que a solidariedade constitui uma característica marcante do povo piauiense. Esse mesmo povo, que além de ser caloroso, ganha destaque, também, por ser solidário, ajudando as pessoas que precisam de uma vida melhor e mais digna. Prova disso esteve presente ontem, durante a caminhada: a inigualável capacidade de compartilhar do sofrimento de outras pessoas.

“Aqui se reúne uma grande torcida, que promete torcer ainda mais e por muito tempo, pela solidariedade”, falava Dom Sérgio da Rocha, arcebispo de Teresina, ainda durante a Celebração Eucarística, que precedeu a realização da caminhada, às 7h. Após a missa, uma emocionante queima de fogos avisou aos “caminheiros” que era a hora do início do trajeto, que iniciou no adro da Igreja de São Benedito, seguindo pelas avenidas Frei Serafim, João XIII e Nossa Senhora de Fátima, com destino final à avenida Universitária, onde já se encontrava um palco, com bandas regionais, para encerrar a festa da solidariedade.


 

Para um grande evento, uma grande estrutura

Na Caminhada da Fraternidade deste ano, foram disponibilizadas três ambulâncias com Unidade de Terapia Intensiva (UTI), cada, além de carros de apoio, levando água e refrigerante; 25 carros de som, sendo dois trios elétricos, interligados entre si e com as rádios Pioneira AM, Teresina FM e FM Cultura, além de uma equipe preparada para a evolução da caminhada, orientando as pessoas. Tudo organizado pelas mãos de cerca de 600 pessoas, sob uma coordenação geral, presidida pelo monsenhor Tony Batista, com o apoio de diversas empresas e instituições, que também fizeram questão de deixar a “solidariedade com a bola toda”.


E para comemorar os 15 anos de Caminhada da Fraternidade, a criação de um website (www.caminhadadafraternidade.org.br) com todas as informações sobre o evento, além de vendas de kits online, e a criação de um perfil na rede de relacionamento “Twitter” (@cfraternidade), para divulgação e contato. Tamanha estrutura não poderia proporcionar outro resultado, que não fosse o sucesso, já esperado: mais de 28 mil kits vendidos. Ainda durante o evento, a geração de renda para centenas de famílias, que comercializam diversos produtos, é garantida.

O vendedor ambulante Valdivan Teixeira, por exemplo, vende bebidas desde 1994 e participou de todas as edições da Caminhada. “É sempre uma alegria estar presente. Consigo uma boa renda na Caminhada: em torno de R$ 300,00”, conta o comerciante, que também vestiu a camisa da solidariedade.

Em ano de copa, as cores verde e amarelo tomaram de conta da Caminhada da Fraternidade


Adereços na cabeça, nos ombros, em todo o corpo: bonés, camisetas, bandeiras, entre outros acessórios, deixaram a 15ª Caminhada da Fraternidade ainda mais bonita. O agrônomo Valdir Júnior, que estava acompanhado da esposa, Tatiane Nogueira, e da pequena Taís, filha do casal, de apenas três anos, tinha alegria de sobra durante o evento.

“Para nós, é o espírito de solidariedade que motiva nossa participação, mas para aqueles que realmente precisam, isso aqui é tudo. Ainda acho que eu faço pouco pelos necessitados, por isso, continuo aqui, firme, desde a primeira edição e, agora, com a minha família do lado”, destaca Valdir, mais um “caminheiro” que estava “com a bola toda”.

Com o jeito criança de ser, caminhar em prol do amor






Pequenos e pequenas na idade e na estatura deram um verdadeiro show durante a Caminhada da Fraternidade deste ano. As crianças, de várias idades, usavam adereços, penteados especiais, acessórios em geral e, o mais bacana de tudo, customizaram a camiseta do evento, adequando ao corpo de cada uma.


“Eu tinha que trazer ele este ano. Nossa, eu me emocionei vendo o rostinho dele de espanto e, ao mesmo tempo, de alegria, com tantas cores, pessoas, objetos. E olha que ele não perdeu o ritmo, não!”, contou a secretária Estela Alves, que levava seu filho Mateus, de apenas dois anos, durante o percurso da Caminhada. Mateus, é claro, estava “com a bola toda”, assim como as outras centenas de “pimpolhos” e “pimpolhas”.





Caminhar, mesmo com algumas limitações

As “caminheiras” Dona Rosa, de 96 anos de idade, Dona Maria Oliveira, 100 anos, a jovem Francinete Pereira, grávida de cinco meses, e a cadeirante Luciana Valéria, possuíam duas características em comum, durante a Caminhada: primeira, ambas com algum tipo de limitação; segunda, mesmo “limitadas”, percorreram todo o percurso do evento.


Além delas, outras dezenas de pessoas com algum tipo de deficiência ou de limitação, também foram à 15ª Caminhada da Fraternidade, garantir que não são diferentes, quando falamos em força de vontade e espírito solidário.


“Não é sucesso, é a vitória da capacidade de amar e de partilhar”




Ao final da caminhada de quase sete quilômetros, a avaliação unânime entre os presentes: sucesso. “É uma alegria escandalosa o sentimento que tenho neste momento. Não digo nem que foi um sucesso, mas que houve a vitória da solidariedade, da capacidade de amar e de partilhar que cada pessoa apresentou na edição deste ano”, reflete o coordenador geral do evento, o monsenhor Tony Batista.

Para o governador Wilson Martins, que estava acompanhado da primeira-dama e deputada estadual, Lílian Martins (PSB), existe, a cada ano, a consolidação da Caminhada da Fraternidade.“É muito bom estar aqui e ver em cada pessoa essa garra na hora de ajudar o próximo”, disse Wilson.

Outras dezenas de políticos também compareceram, entre vereadores, deputados, senadores e secretários.

Um presente especial para um evento ainda mais especial

E, no último dia 7, o prefeito de Teresina, Elmano Férrer, sancionou a Lei Municipal que cria o dia oficial da Caminhada da Fraternidade. É isso mesmo: um dos principais eventos do Estado agora está, oficialmente, inserido no calendário de eventos de Teresina.

O autor da Lei foi o vereador Edvaldo Marques (PSB). De acordo com o texto, fica instituído o Dia Oficial da Caminhada da Fraternidade, que terá sempre uma data escolhida pela comissão organizadora do evento.














(Crédito das fotos: José Alves Filho e do Maurício Pokemon)

Fonte: Flávio Moura e Francisco Lima