Cartão gratuidade promove inclusão social no transporte coletivo

O sistema vai substituir a modalidade tradicional utilizada no ônibus por um cartão eletrônico

Teresina apresenta um percentual estimado de 18% de gratuidades, que são as pessoas que conquistaram o direito legal de não pagar passagem em ônibus coletivos, São idosos, deficientes físicos, polícia militar e civil, oficial de justiça, entre outros.

Quando há a coincidência de muitos deles pegarem ônibus no mesmo horário, a viagem fica desconfortável porque no espaço dianteiro do ônibus onde eles ficam, não há assentos suficientes para todos. Para permitir mais conforto durante o percurso Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (SETUT) vai implantar um sistema eletrônico de gratuidade.

O sistema vai substituir a modalidade tradicional utilizada no ônibus por um cartão eletrônico que vai dar maior segurança, conforto e dignidade ao usuário à medida que permite o acesso a parte traseira do veículo onde há maior número de assentos.

“É uma das grandes reivindicações desses públicos é o direito de atravessar a catraca e ir para a parte de trás que tem maior número de assentos”, explica o presidente do SETUT Herbert Teruó Miúra Campelo.

A gratuidade vai beneficiar diretamente o vendedor ambulante José Francisco da Costa. Ele tem 67 anos e utiliza ônibus diariamente para se dirigir ao centro de Teresina onde possui uma banca. “Para mim vai ser muito bom, porque eu só pego ônibus no horário de pico e moro longe, na Vila Bandeirantes. Todo dia pego o ônibus muito cheio e muitas vezes venho em pé. Só ali pelo Hospital Getúlio Vargas é que aparece uma vaga”.

Herbert Miúra ressalta que o sistema será implantado de forma gradativa para o público que tem direito à gratuidade. "Vamos iniciar a expedição dos cartões pelos idosos. Todos os ônibus urbanos de Teresina possuem um equipamento chamado validador e, com o cartão gratuidade em mãos, o acesso ao ônibus será mais rápido e seguro. Os passageiros assegurados da gratuidade podem passar pela catraca e sair pela porta traseira. Isso vai facilitar o acesso aos assentos do interior do ônibus e melhorar o embarque e desembarque", explica o presidente

O cartão para melhor idade, segundo a secretária de assistência social Graça Amorim, é um exemplo de política de inclusão social. “É um verdadeiro resgate da dignidade das pessoas que, por direito, devem ter um acesso gratuito e de qualidade ao transporte urbano por lhes dar a opção de ficar onde quiser durante o percurso”.


Nossos ônibus há muito tempo são adaptados, diz Teruó
A população de Teresina vem comprovando que transporte coletivo pode sim ser sinônimo de inclusão social. Experiências bem-sucedidas como a adaptação dos ônibus com elevadores é um exemplo disso.

Obedecendo uma lei federal, os ônibus do Piauí já começaram o processo de adaptação dos ônibus coletivos. E segundo o presidente do SETUT Herbert Teruó, até o final do ano, 50% das linhas estarão adaptadas.

"Nós estamos fazendo melhor que em várias outras capitais que visitamos para observar o funcionamento do sistema, pois colocamos duas portas, uma para cadeirante e outra para os demais passageiros que não vão precisar esperar para sair do ônibus. Para facilitar a acessibilidade, no nosso sistema, o cobrador é quem aciona o botão que eleva e baixa o elevador", diz.

Herbert argumenta que adaptação não é só utilização de elevadores. "Nossos ônibus são adaptados há bastante tempo. Temos degraus com perfil amarelo para identificar a visualização, os corrimãos são amarelos, o piso é antiderrapante, a cadeira preferencial é de cor diferenciada, além de termos lugar para cão guia dos deficientes visuais e ainda para pessoas obesas", enumera o presidente.

Enquanto os ônibus em geral ainda não satisfazem plenamente os portadores de necessidades especiais, o Setut tomou outras providências para atender a esse público de forma diferenciada através da doação de doou três kombis para o serviço "Transporte Eficiente", operado pela Prefeitura de Teresina.

"O Transporte Eficiente é um serviço bem mais útil para o cadeirante. Pelo preço de uma passagem de ônibus o portador de deficiente recebe um atendimento individualizado. Com horários previamente agendados, um carro adaptado principalmente aos cadeirantes, faz o transporte de forma segura e confortável e ainda o deixa na porta de casa".

 A presidente da Associação de Deficientes Físicos de Teresina (Adeft), Carla Silva, concorda com o presidente quando diz que a chegada desses ônibus representa um avanço em favor da inclusão social, mas também defende o programa Transporte Eficiente. "Estamos satisfeitos com a novidade, mas ainda acreditamos que o Transporte Eficiente, oferece um melhor atendimento para os cadeirantes", finalizou.

Fonte: Socorro Carcará