Frases de Júlia são traços de uma rebeldia, diz psicóloga

Frases de Júlia são traços de uma rebeldia, diz psicóloga

Em seu perfil a jovem refere a si própria como “uma louca em um trem em movimento”.

A atitude da jovem Júlia Rebeca de cometer suicídio no último dia 10 de novembro em razão da exposição do seu vídeo íntimo nas redes sociais leva a polícia e autoridades a estudarem as causas do ocorrido.

Nas redes sociais as afirmações da adolescente apontam para picos de euforia extrema e intensa tristeza, que possam estar relacionados às causas do suicídio de Júlia Rebeca. Em seu perfil a jovem refere a si própria como ?uma louca em um trem em movimento?.

No dia 5 de novembro, o destino de Júlia tomou novos rumos com a publicação e exibição do seu vídeo nas redes sociais e compartilhado especificamente por pessoas do município de Parnaíba, onde morava, fato negado por ela. Ao revoltar-se com as fofocas, a jovem passou a chamar a cidade de ?um ninho de cobras?, postando a seguinte frase: ?Aqui só tem serpente crescida?.

Em seguida, no dia 08 de novembro, a revolta dá lugar ao desabafo e a adolescente afirma que ?queria sumir para saber quem sentiria a minha falta.?

Para a psicóloga Patrícia Lustosa em entrevista ao programa Agora, nesta terça-feira, 19, pensar traços prévios por meios escritos que possam estar relacionados à conduta e à postura da adolescente Júlia Rebeca, a partir das suas postagens nas redes sociais, pode ser algo impreciso e, portanto, é complicado.

Ela afirma que são frases características da juventude e que o caso da jovem Rebeca não pode ser pensado como um perfil padrão. ?Esses escritos que ela deixou são discursos de rebeldia e de conflitos da juventude?.

Segundo a psicóloga, em vez de proibir, conversar sobre a exposição da própria vida pode ser a saída para as famílias. ?É mais um cuidado do que um traço negativo.?

O delegado Rodrigo Moreira confirmou a existência de um segundo vídeo de sexo.

Segundo ele, não é possível afirmar que de fato se trata da adolescente, mas confirma que será feita perícia nas imagens para que seja comprovada, ou não, autenticidade do mesmo.

ENTENDA O CASO

Adolescente se mata após divulgação na internet de vídeo de sexo entre ela e um casal

A adolescente Júlia Rebeca, de 16 anos, cometeu suicídio no último domingo dentro de seu quarto na residência de sua família em Parnaíba (345 km de Teresina) depois que circulou na internet vídeo com imagens de uma relação sexual que tinha mantido com um homem e outra adolescente.

Após a repercussão do vídeo nas redes sociais, Júlia Rebeca anunciou seu suicídio em sua conta no Twitter, onde pede desculpas aos pais.

A Polícia Civil de Parnaíba abriu um inquérito para investigar as circunstâncias da morte da adolescente Julia Rebeca.

Em sua conta do Twitter, do dia 10 de novembro, a adolescente postou frases de pedido de desculpa aos pais e se despedindo. Em seguida, o primo dela atualizou a página, confirmando a morte da jovem e que iria divulgar o local do velório.

A hipótese é de que ela tenha cometido suicídio após um vídeo de sexo entre ela, uma outra jovem e um homem ter sido divulgado através do programa de compartilhamento de mensagens e arquivos WhatsApp.

O delegado regional de Parnaíba, Rodrigo Rodrigues, afirmou que um inquérito foi aberto para apurar o caso e o resultado será divulgado após a conclusão das investigações, que estão sendo acompanhadas por integrantes da família de Júlia Rebeca.

Júlia Rebeca foi encontrada morta enrolada enrolada com fio da chapinha de alisamento de cabelos.

A data de sua morte foi postada por ela uma mensagem que dizia: ?"Eu te amo, desculpa eu n ser a filha perfeita mas eu tentei... desculpa desculpa eu te amo muito mãezinha.. desculpa desculpa...!! Guarda esse dia 10.11.13 [sic]".

Em outras postagens a jovem dizia: "É daqui a pouco que tudo acaba." e logo após "E tô com medo mas acho que é tchau pra sempre".

Sua conta do Instagram acabou deletada por conta da repercussão do caso.

A morte de Júlia Rebeca causou grande comoção no Piauí e uma discussão sobre a posiçao dos pais em relação ao que é divulgado na internet sobre seus filhos.

Fonte: Denison Duarte