Cineasta Hector Babenco morre após sofrer parada cardíaca em SP

Ele foi internado em hospital para tratamento de sinusite

Morreu na noite desta quarta-feira (13), aos 70 anos, o cineasta argentino Hector Babenco.

Considerado um dos cineastas mais importantes do Brasil, ele foi indicado ao Oscar de melhor diretor em 1985, por "O Beijo da Mulher-Aranha". Também foi responsável por filmes que foram marcos do cinema nacional, como "Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia" (1976), "Pixote, a Lei do Mais Fraco" (1980) e "Carandiru" (2003).

Segundo informações da produtora HB Filmes, fundada por Babenco, ele foi internado no Hospital Sírio-Libanês na terça-feira para "um procedimento simples" de tratamento de sinusite, mas sofreu uma parada cardiorrespiratória às 22h50 de quarta.

O velório será realizado na sexta-feira na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, aberto ao público, das 10h às 15h. O corpo do cineasta será cremado no Crematório Horto da Paz, em Itapecerica da Serra, em cerimônia íntima.

Além de Janka, Babenco deixa uma filha, dois netos e a esposa, a atriz Bárbara Paz, com quem era casado desde 2010.

Hector Babenco. (Crédito: Divulgação)
Hector Babenco. (Crédito: Divulgação)
Hector Babenco e Bárbara Paz (Crédito: Reprodução)
Hector Babenco e Bárbara Paz (Crédito: Reprodução)


Trajetória

Nascido em 1946 em Mar del Plata, na Argentina, Babenco vivia no Brasil desde os 19 anos de idade e se naturalizou brasileiro em 1977.Colocando um ator mirim da periferia, Fernando Ramos da Silva, para contracenar com Marília Pêra, no papel da prostituta Sueli, Babenco foi consagrado internacionalmente com "Pixote" (1980).

O filme foi indicado ao Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro e venceu como filme estrangeiro no prêmio dos críticos de Nova York. Antes disso, em 1976, o cineasta já havia alcançado reconhecimento no Brasil com "Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia", até hoje entre os dez filmes de maior público no país (em sétimo lugar), que deu ao ator Reginaldo Faria um dos melhores papéis de sua carreira.

Para as gerações mais jovens, Babenco é conhecido por "Carandiru" (2003). Sucesso de bilheteria, o longa é baseado no livro "Estação Carandiru", de Drauzio Varella, que aborda o cotidiano na extinta Casa de Detenção, mais conhecida como Carandiru, em São Paulo, antes e durante o massacre de 1992.

Câncer

Nos anos 1990, Babenco tratou de um linfoma e, em seu último filme, "Meu Amigo Hindu", decidiu contar a história de um diretor e sua luta contra o câncer. O alter ego de Babenco foi vivido pelo americano Willem Dafoe.

"Esse é o filme que a morte me deixou fazer", disse o cineasta, no ano passado.Mas ao divulgar o filme em São Paulo em março deste ano, o diretor quis deixar claro que é uma ficção com elementos de sua vida. "Eu nunca quis dizer com o filme 'olha o que aconteceu comigo'. Essa coisa de autoajuda me irrita. Deter-se no aspecto biográfico é uma limitação para o filme".

Fonte: Uol