Construção pode desapropriar família na zona Leste de Teresina

Uma família inteira que construiu os próprios sonhos e histórias

A família Benício, que mora há 25 anos no terreno onde será construído o Ginásio Sarah Menezes, localizado na Rua Leonardo Castelo Branco, Bairro Morada do Sol, zona Leste de Teresina, teme a desapropriação de suas casas, que devem dar lugar ao estacionamento de caminhões, demais veículos e bicicletário do espaço esportivo.

Moram ali quatro gerações: pais, filhos, netos e bisnetos. Uma família inteira que construiu os próprios sonhos e histórias naquele pedacinho de terreno, que em breve dará lugar ao estádio que leva o nome da campeã olímpica de judô.

O mais prejudicado é Silvano Benício, que é deficiente físico, e teve a sua casa fechada pelo tapume de alumínio que cerca a obra do ginásio. “Agora é a maior dificuldade do mundo. Para sair de casa é uma luta, porque uso muletas. O pessoal que quer tirar a gente daqui e está fazendo isso devia ver nossa situação”, reclama. “Nós temos crianças pequenas, é muito difícil ficar aqui do jeito que está. É um absurdo o que estão fazendo”, completa a esposa Alice Reis.

Mas o mais revoltado de toda a família é o patriarca, Manoel Benício, de 77 anos. Apesar da idade avançada, o senhor vive sobressaltado e nervoso com a iminência de ser despejado. “Daqui ninguém tira a gente”, brada. “Esse prefeito só quer o benefício dos seus, a gente que é humilde não tem vez. Querem tirar a gente porque a gente é pobre”, reclama o senhor.

“Eles querem levar a gente para o Vale do Gavião, para a Santa Maria da Codipi, para a um monte de lugar. A gente já foi lá ‘bisoiar’ [sic] onde é, nem água e luz tem, não tem como pegar um ônibus. E minhas galinhas? Onde vou criar?”, lamenta Maria Benício.

Demilson Benício, filho de Maria e Manoel, é um dos operários da obra do Ginásio Sarah Menezes. Quando questionado sobre a difícil situação de estar no meio dos dois lados, o rapaz é enfático. “Preciso trabalhar. Mas também não acho justo tirar minha família daqui. A prefeitura tem que fazer alguma coisa”, explica o rapaz.

Fonte: Pollyana Carvalho e Lucrécio Arrais