Crescem publicações de livros acadêmicos no Piauí, aponta editora

Em 2014, na principal editora do Estado foram feitos 125 registros

As publicações de livros acadêmicos no Piauí aumentaram expressivamente nos últimos anos. Somente no ano passado na principal editora do Estado, a Editora da Universidade Federal do Piauí (Edufpi), foram feitos 125 registros junto à Biblioteca Nacional. Em 2015, essa marca deve ser superada já que atualmente a editora fez 105 publicações.

Desde a sua fundação há 24 anos, a Edufpi já registrou 926 publicações, sendo mais de 90% composta por livros acadêmicos. A restrição às obras universitárias é a principal proposta do Conselho Editorial do qual visa difundir, apoiar e divulgar as pesquisas feitas dentro da UFPI. Por isso, os livros fora dessa temática não são comuns de serem aprovados, a não ser que façam parte do grupo de instituições conveniadas, como a Academia de Letras do Piauí.

“A Edufipi faz parte do grupo de 120 editoras universitárias brasileiras, a ABEU, que surgiram com o mesmo princípio.

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Sob o ponto de vista do ponto de produção, números de registros e de títulos somos o maior do Piauí. Devido aos investimentos que foram feitos e a atual administração da instituição, hoje o tempo de espera de pedidos de registro está bem menor, mas tínhamos uma fila enorme “, relembra o presidente do Conselho Editorial da Edufpi, Ricardo Alaggio.

Para a jornalista e professora da Universidade Estadual do Piauí, Samaria Andrade, que lançou o livro “Jornalismo em Mutação” pela Edufpi, o mercado de publicações acadêmicas é importante para a divulgação das pesquisas, dissertações de mestrado e teses de doutorado. Entretanto, esse tipo de mercado ainda sofre dificuldades em relação aos livros de literatura, visto que essa leitura interessa a um público mais específico.

“Há um tempo era um mercado que poderia sumir, mas o número de publicações vem crescendo. A Edufpi tem assinado muitos livros acadêmicos e lançado no mercado, claro que ainda há muito caminho para trilhar, mas antes o que você fazia de ciência, ficava no meio acadêmico e não conseguíamos divulgar, hoje já ultrapassamos isso”, declara. Na última bienal do Livro do Rio de Janeiro, a Edufpi levou 14 títulos para serem divulgados e vendidos. O trabalho dos piauienses teve boa aceitação, foram vendidos mais de 70% dos exemplares disponibilizados.

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A distribuição é o maior empecilho

A maior dificuldade para os autores de livros acadêmicos é sem dúvida a distribuição, o modo como a obra chegará as livrarias onde será divulgada e vendida. Foi a maior dificuldade encontrada por Samaria, apesar da ajuda da Edufpi, ela também distribuiu os seus exemplares em Teresina e no resto do país através da internet.

“Hoje a publicação está mais fácil, mas distribuir o livro é a maior dificuldade. Eu mesma faço muitos contatos e o meu livro já se encontra em todas as livrarias de Teresina e algumas do Brasil, inclusive na livraria da UFRJ. Os pedidos pela internet também são muitos e eu envio via correios”, relata a jornalista.

O presidente da Edfupi reconhece a dificuldade da distribuição, mas reitera que a editora está com uma nova estratégia para aumentar a divulgação com a participação nas feiras regionais, nacionais e internacionais.

“Nós estamos conseguindo boa visibilidade através dessas feiras, prova disso foi o sucesso na Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Também fazemos a distribuição através do Programa Interuniversitário de Distribuição de Livros (PIDL), vinculado à Associação Brasileira de Editoras Universitárias (ABEU) do qual fazemos trocas de livros entre as 120 associadas”, revela Ricardo.

Como registrar e publicar um livro acadêmico

O registro e a publicação dos livros acadêmicos estão mais fáceis que há dez anos, mas isso não significa que ainda não existam dificuldades. O presidente da Edufpi explica além das teses de doutorado e as dissertações de mestrado, a prioridade são livros didáticos de apoio ao ensino de graduação, coleções temáticas e coletâneas relacionadas às linhas de pesquisa dos programas de pós-graduação da UFPI. Por isso, os interessados que se encaixem nesse perfil devem enviar um oficio protocolado ao conselho e esperar uma reunião ser marcada.

“Nós rejeitamos quase 50 livros por ano pelo conselho. Os que são aceitos passaram completos por nós ou com restrições, as quais o autor terá que alterar. Após isso o texto será editado, formatado e tem seu projeto gráfico definido. Todo esse processo demora em média oito meses dependendo do empenho do autor”, explica.

Mas nem todas as publicações da editora são diagramadas, impressas e distribuídas com recursos próprios. Há pedidos que são apenas de registrados pela Edufpi e os autores realizam os outros processos por conta própria.

Livro da Edufpi recebe Prêmio Jabuti

Uma das maiores conquistas da editora foi a premiação do Prêmio Jabuti na categoria Ciências Humanas para o livro do professor da UFPI, João Kennedy Eugênio, em 2012. A obra intitulada “Ritmo espontâneo: organicismo em raízes do Brasil de Sergio Buarque de Holanda” é resultado de sua tese e trata de um estudo sobre os trabalhos do historiador brasileiro Sérgio Buarque de Holanda, no contexto da “História Geral da Civilização Brasileira”, publicou, em 1972, “Do Império à República”.

Fonte: Thays Teixeira Rhauan Macedo