Crianças de 2 a 4 anos são as que menos comparecem aos postos

36ª Campanha de Vacinação Contra a Poliomielite segue até dia 31

A Fundação Municipal de Saúde (FMS) dá continuidade à 36ª Campanha de Vacinação Contra a Poliomielite, que segue até o próximo dia 31, visando imunizar 55.435 mil crianças em Teresina. Para isso, estão sendo disponibilizadas mais de 100 salas de vacinas em toda a capital. O público-alvo são as crianças de seis meses a menores de cinco anos de idade. Dados divulgados ao Jornal Meio Norte, mostram que a campanha teve 25% de cobertura até a última quinta-feira (20), mas existe uma ausência grande entre crianças de 2, 3 e 4 anos que ainda não foram vacinadas.

Amariles Borba, diretora de Vigilância em Saúde da FMS, lembra que a poliomielite é uma doença provocada por vírus que afeta o sistema nervoso e pode levar à paralisia irreversível dos membros e que, por isso, é importante que os pais ou responsáveis levem as crianças até os pontos de vacinação. Isto porque apesar de este ser o 26º ano sem a doença no Brasil, é necessário manter o vírus fora do país já que paralisia infantil ainda ocorre em mais de 15 países no mundo.

“Se formos analisar quais são os países em que existem a predominância da doença vamos perceber que são países que estão em conflito armado que persistem por anos, as pessoas que são da nacionalidade passam a migrarem para outros lugares como os acampamentos de refugiados. Eles já correspondem a 25 milhões de pessoas, 8 vezes maior que o Piauí e as condições nesses locais são muito precárias. Então, essas pessoas que vêm, justamente de áreas onde ocorre a poliomielite, são portadoras de vírus e, por isso, é importante mantermos a campanha de vacina”, declarou.

Para o presidente da Fundação Municipal de Saúde, Luciano Nunes, uma vez vacinadas, as crianças estarão plenamente protegidas contra a doença, tendo em vista que são o grupo de maior risco, já que a doença pode causar paralisia infantil.

“A doença não têm cura e as sequelas estão relacionadas ao comprometimento do sistema nervoso. O paciente pode apresentar paralisia dos músculos das pernas, comprometendo o caminhar e paralisia dos músculos respiratórios ou de deglutição. De acordo com a OMS, 5% a 10% das pessoas com este quadro podem evoluir a óbito”, considerou.

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Ele lembra ainda que a imunização é uma das maiores intervenções da saúde pública na prevenção de doenças e óbitos, especialmente em crianças. “A vacinação é fundamental no controle, eliminação e erradicação de doenças imunopreveníveis. Todas as doenças prevenidas por vacinas podem se tornar recorrentes sem a vacinação, por isso é fundamental garantir altas coberturas vacinais em todo o país”, esclareceu.

De acordo com Amariles Borba, foi detectada nos últimos dois anos a reintrodução do vírus selvagem da paralisia infantil em território nacional, então é preciso se manter em alerta. As campanhas de vacinação têm conseguido disseminar a proliferação da doença e devem ser mantidas até que aconteça a certificação mundial da erradicação do agente infeccioso.

“Tudo na vida é uma competição e se nós tivermos uma população grande de vírus vacinal, o vírus selvagem não vai conseguir se proliferar, se reproduzir e conseguir contaminar as pessoas, porque a vacina da gotinha é fabricada a partir do vírus vivo atenuado, que é capaz de aumentar a imunidade e impede a chegada da doença”, completou.

Ela lembra que a campanha deve ser realizada em um menor período de tempo possível para que a população de vírus vacinal no meio ambiente seja grande o suficiente para proteger do vírus selvagem e possa proteger a população, já que a paralisia infantil pode atingir os adultos também.

“Nós temos que ter o compromisso e precisamos dar às nossas crianças o acesso a esse benefício para que elas possam ser um adultos saudáveis”, disse. O último caso registrado de poliomielite no Brasil foi no ano de 1989, no município de Sousa, na Paraíba.

As contraindicações da vacina são para crianças com hipersensibilidade conhecida a algum componente, a exemplo da estreptomicina ou eritromicina; pessoas com imunodeficiência humoral ou mediada por células, neoplasias, uso de terapia imunossupressora; comunicantes de pessoa imunodeficiência humoral ou mediada por células, neoplasias, uso de terapia imunossupressora; pacientes portadores de HIV e seus comunicantes; crianças com história de pólio vacinal associada à dose anterior da vacina.

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Multivacinação atualiza caderneta de vacinas

Simultaneamente à Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite do ano de 2015, está ocorrendo a Campanha Nacional de Multivacinação para atualização de caderneta de vacinação com 59 salas de vacinação sendo 23 na zona Norte, 19 nas regiões Leste e Sudeste e 17 na zona Sul. O grupo alvo para a atualização do esquema vacinal são as crianças menores de cinco anos de idade.

Uma das novidades desse ano é o Boletim Diário de Comparecimento que disponibiliza os dados em relação às vacinas básicas que foram disponibilizadas por cada posto de saúde. Dessa forma, será possível ter um controle sobre as crianças que estão com o cartão de vacina desatualizado.

“Vamos poder estudar o que está acontecendo nesta área e identificar os pontos que estão com alguma carência para saber os motivos da não vacinação e poder viabilizar junto com a comunidade qual deve ser a solução”, disse Amariles Borba.

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Na multivacinação, são ofertadas todas as vacinas do calendário básico de vacinação das crianças evitando, assim, a proliferação de várias doenças. Será possível, também, melhorar a cobertura e atualizar o esquema de acordo com o calendário da caderneta de saúde das crianças de 0 a 4 anos, 11 meses e 29 dias de idade.

Até esta idade, a criança deve ter recebido as seguintes vacinas: BGC (dose única), Hepatite B (dose única), Pentavalente (três doses e dois de reforço), Poliomielite - VIP/VOP (três doses e duas de reforço), Pneumocócica 10V (três doses e um de refoço), Rotavírus humano (duas doses), Meningocócica C (duas doses e uma de reforço), Febre amarela (uma dose e uma de reforço), Hepatite A (uma dose), Tríplice viral (uma dose) e Tetra viral (uma dose).

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Fonte: Waldelúcio Barbosa