Defesa Civil contabiliza 95 mortos e 47 feridos pelas fortes chuvas no Rio de Janeiro

Defesa Civil contabiliza 95 mortos e 47 feridos pelas fortes chuvas no Rio de Janeiro

No morro dos Macacos, em Vila Isabel, foram cinco vítimas fatais, todas de uma mesma família

A chuva que atinge o Rio de Janeiro pelo segundo dia seguido nesta terça-feira deixou ao menos 95 mortos no Estado, informou o Corpo de Bombeiros. Por volta das 16h42, segundo a agência meteorológica Climatempo, voltou a chover na cidade. De acordo com a corporação, o número de mortos pode aumentar porque diversos corpos ainda estão sendo contabilizados em Niterói.

"Há pessoas soterradas e desaparecidas. O Corpo de Bombeiros está revirando terras e escombros em muitos locais e o trabalho é árduo. Como voltou a chover, estamos abrindo nossos frontes de trabalho", disse o sargento Lúcio, do Corpo de Bombeiros. O número de feridos socorridos pela corporação é de 47.

A maioria das mortes aconteceu em Niterói, no Grande Rio, disseram os Bombeiros, mas também há vítimas fatais na capital, em São Gonçalo e Nilópolis.

No morro do Borel, na Tijuca, a bebê Ana Marcele Barbosa, de cinco meses, uma jovem de 16 anos e Francisca Bezerra de Souza, 60 anos, morreram soterradas no desabamento da casa em que estavam. Outras 12 pessoas ficaram feridas.

No morro dos Macacos, em Vila Isabel, foram cinco vítimas fatais, todas de uma mesma família que morava na rua Senador Nabuco. Um deslizamento de terra causou mais cinco óbitos no Morro do Andaraí e outros três no Morro do Turano, ambos na zona norte. A tragédia também fez uma vítima no bairro de Jacarepaguá, na zona oeste.

A Defesa Civil contabilizou 12 mortos e 15 feridos no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa. O caos também se abateu sobre a Região Metropolitana.

Na capital fluminense, as aulas foram canceladas e a população foi orientada a permanecer em casa e deixar áreas de risco. Foram registrados pelo menos 180 deslizamentos e há ainda muitos desaparecidos.

O prefeito Eduardo Paes (PMDB) informou que em menos de 24 horas choveu em média 288 mm na cidade, e que havia pelo menos 10 mil residências em locais de risco, principalmente em morros e favelas. "É a maior chuva das grandes tragédias da história do Rio de Janeiro", disse.

"A situação é de caos. Todas as vias estão interrompidas e é um risco enorme para quem tentar sair de casa. Não saiam de casa, não levem seu filho à escola até que possamos avaliar melhor a situação e alterar a orientação. Ainda chove muito. Se preservem e tomem muito cuidado, principalmente as pessoas que moram em áreas de risco. A situação é muito crítica", disse o prefeito.

De acordo com o instituto de meteorologia Climatempo, num período de 12 horas entre segunda e terça-feira choveu o que estava previsto para todo o mês de abril.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em visita ao Rio de Janeiro, cancelou a agenda prevista ao Complexo do Alemão, onde inauguraria obras do Programa de Aceleração do Crescimento na comunidade.

"As enchentes atingem sempre as pessoas que moram em locais pobres, em locais inadequados", disse Lula a jornalistas no Rio, antes de participar de evento na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

"Temos que esperar passar a chuva para cuidar das pessoas", acrescentou o presidente, que ofereceu ajuda por telefone ao prefeito Eduardo Paes e ao governador do Rio, Sérgio Cabral.

Alagamentos

A Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul, transbordou e inundou as pistas em seu entorno. A Praça da Bandeira, na região central, alagou logo no início do temporal na segunda-feira e diversos carros que estavam no local ou que tentavam cruzar a região ficaram submersos, muitos foram abandonados.

Prédio ameaça desabar

Um prédio de quatro andares na estrada do Rio Jequiá, na Ilha do Governador, corre risco de desabar. Bombeiros de várias unidades foram deslocados para o local.

Mais chuva

Segundo a Climatempo, a chuva ainda deve atingir o Rio. Uma forte frente fria avança pelo Sudeste do Brasil e o intenso contraste térmico entre o ar polar e o ar quente tropical mantém as condições de chuva constante. Além disso, a temperatura superficial das águas do Atlântico, perto do litoral fluminense, está cerca de 2°C acima do normal.

Em menos de 12 horas foram acumulados, em algumas áreas da cidade, cerca de 300 mm de chuva. No geral o volume acumulado variou entre 150 e 300 mm. O volume normal para todo o mês de abril é de cerca de 140 mm. Ainda chove de forma constante ao longo do dia de hoje, totalizando pelo menos cerca de 70 mm nesta terça-feira. Além disso, o mar sobe muito nas próximas 24-36 horas. Há previsão de ressaca entre esta quarta e quinta-feira.

Aeroportos

O aeroporto Santos Dumont ficou fechado para pousos e decolagens durante três horas na manhã desta terça-feira. O terminal alternou períodos de funcionamento e suspensão das atividades. Às 16h, o boletim da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) registrava 28 atrasos (27,5%) e 68 cancelamentos (66,7%).

Ainda de acordo com a Infraero, o Galeão, que operou por instrumentos durante o dia, também tinha problemas, com 38 dos 78 voos atrasados (48,7%) às 16h.

Transporte

O Metrô Rio divulgou nota hoje informando que os trens das Linhas 1 e 2 estão operando normalmente, com intervalos regulares de 5 minutos e 40 segundos. No trecho entre a Central e Botafogo, os intervalos são de 2 minutos e 50 segundos.

Na segunda-feira, de acordo com o metrô foi registrado um movimento recorde. Mais de 632 mil passageiros usaram o serviço em função do temporal. As estações do Centro e São Cristóvão foram as mais procuradas.

Para quem utiliza as barcas, a volta para casa também está garantida. Os intervalos na travessia Rio-Niterói são de 30 minutos. Por determinação da Capitania dos Portos, e em função da baixa visibilidade no mar, as embarcações estão operando com velocidade reduzida e auxílio de instrumentos. A linha Rio-Charitas continua interrompida em função da previsão de ondas de até 3 m. As viagens para Cocotá a partir do Rio serão retomadas a partir das 17h.

Energia

As equipes da Light estão mobilizadas para atender as ocorrências de emergência e restabelecer o fornecimento de energia em trechos de ruas de alguns bairros. A Light esclarece aos seus clientes que está com um grande volume de ligações. A empresa, no dia de hoje, concentra seu call center nos atendimentos de emergência pelo Disque-Light Emergência (0800-0210-196). As agências comerciais da Barra da Tijuca, Copacabana, Ilha do Governador e Santa Cruz não realizam atendimento hoje. As outras unidades estão operando de forma emergencial.

Neste momento, a empresa trabalha com 60% do efetivo e continua em contato com residências de funcionários para viabilizar o transporte ao local de trabalho. A Light registra interrupções em trechos de ruas dos seguintes bairros: Tijuca, Botafogo, Ilha do Governador, Barra da Tijuca, Laranjeiras, São Conrado, Santa Teresa e Rio Comprido. Especificamente em Botafogo, o alagamento de galerias subterrâneas e acúmulo de detritos dificultam o acesso aos cabos e equipamentos.

Na estrada Grajaú-Jacarepaguá, os técnicos da empresa continuam trabalhando para restabelecer o fornecimento, onde houve queda de postes após deslizamento de terra. Equipes da Light também estão em Santa Teresa, Morro do Borel, Andaraí, Horto e Alto da Boa Vista para realizar manutenção em postes e na fiação elétrica, danificados por deslizamentos e pela queda de galhos de árvores. No Morro do Borel e no Andaraí, a Light auxilia o trabalho do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil.

Devido aos alagamentos, as equipes encontram dificuldades para acessar alguns locais que necessitam de reparos ou manutenção corretiva. Nessas circunstâncias, para prevenir que as pessoas fiquem presas nos elevadores devido a eventuais interrupções no fornecimento de energia, a Light recomenda que, sempre que possível, dêem preferência ao uso das escadas.

O fornecimento foi restabelecido em trechos da Taquara, Recreio, Vila Isabel e São Cristóvão.

Trânsito

A CET-Rio informa que a Rua Jardim Botânico na tarde desta terça-feira. Porém, a saída do túnel Rebouças para a avenida Epitácio Pessoa segue interditada, assim como a saída para a avenida Borges de Medeiros, devido a bolsões d"água que impedem a passagem de veículos nestas vias.

Para os motoristas que saem do túnel Tebouças em direção à Copacabana, o retorno está sendo feito pelo Humaitá, seguindo pelo túnel Velho. Vale lembrar que o acesso ao túnel Rebouças pelo Cosme Velho também está interditado.

De acordo com a Defesa Civil, a estrada Grajaú-Jacarepaguá e a avenida das Américas, na altura da Grota Funda, permanecem interditadas nos dois sentidos pois ainda há riscos de deslizamento de terra, segundo informe divulgado pela CET-Rio.

Ainda de acordo com o boletim do órgão, o tráfego na avenida das Américas está congestionado por causa da interdição, com várias interdições ao longo da pista.

Veja as ruas que continuam interditadas:

- Avenida Visconde de Albuquerque (Zona Sul);

- Estrada Grajaú-Jacarepaguá (Zona Norte);

- Túnel Noel Rosa, sentido Vila Isabel (Zona Norte);

- Alto da Boa Vista (Zona Norte);

- Avenida Niemeyer (Zona Sul);

- Grota Funda (Zona Oeste).

Ministério Público fechado

O Ministério Público (MP) suspendeu as atividades em todo o Estado devido à forte chuva que atinge o Rio de Janeiro.































Fonte: Terra, www.terra.com.br