Eclipse lunar mais curto do século acontece neste sábado (04)

Esse fenômeno também explica porque o Sol fica avermelhado ao entardecer: nesse momento, a luz está atravessando uma camada mais grossa de atmosfera, de modo que sobra mais luz vermelha

A manhã do sábado vai contar com um eclipse lunar total, aquele em aquele em que o satélite fica dentro da parte mais escura da sombra da Terra. A Lua ficará totalmente encoberta por menos de cinco minutos (4 minutos e 43 segundos), o que faz com que este seja o eclipse mais veloz do século XXI.


"Este será o eclipse lunar mais curto desde 25 de julho de 1553 (que durou 2m33s). O próximo tão rápido assim será em 11 de setembro de 2155 (com duração de 2m36s)", afirma Gustavo Rojas, astrofísico da Universidade Federal de São Carlos.

A trajetória da Lua na região da sombra da Terra é o que explica esse período tão reduzido de eclipse. Neste sábado, a Lua passa por uma região na ponta da sombra, o que faz com que a trajetória seja mais curta e, por isso, tão rápida. Segundo Rojas, o tempo máximo que a fase total de um eclipse lunar pode durar é 107 minutos.

No Brasil, a visibilidade do fenômeno não será muito boa. A maior parte do país poderá ver a Lua apenas durante a fase penumbral do eclipse, quando o satélite passa pela parte mais clara da sombra terrestre. O escurecimento do satélite é pequeno e imperceptível para os observadores.

Os Estados do Norte do país terão um pouco mais de sorte. A partir das 7h15 (horário de Brasília), o satélite começa a adentrar a umbra, parte central e mais escura da sombra, e começa a "sumir". Neste momento, Acre (onde serão 5h15), Amazonas e parte de Rondônia (onde serão 6h15) têm condições de ver o começo do "desaparecimento". Mas, mesmo nessas localidades, a Lua já vai estar muito baixa no horizonte, quase se pondo, o que dificulta a visão. De nenhum lugar no Brasil será possível ver a Lua totalmente encoberta.

"Lua de sangue" - Quando a Lua estiver totalmente dentro da sombra, o que poderá ser visto por parte da América do Norte, da Ásia e da Oceania, ela não vai desaparecer no céu, mas brilhar menos e adquirir um tom avermelhado. Devido a esse efeito, os eclipses totais da Lua são apelidados popularmente de "Luas de sangue".

A ciência explica o motivo do nome. No momento do eclipse, a luz do Sol não chega diretamente à Lua, mas é "filtrada" pela atmosfera da Terra, que age como uma lente. Como a nossa atmosfera tem partículas que espalham mais a luz azul e menos a vermelha, a luz que atinge a Lua nessa situação é predominantemente vermelha.

Esse fenômeno também explica porque o Sol fica avermelhado ao entardecer: nesse momento, a luz está atravessando uma camada mais grossa de atmosfera, de modo que sobra mais luz vermelha.

Sequência - Este é o terceiro de uma série de quatro eclipses totais da Lua, que ocorrem ao longo de dois anos. O primeiro da tétrade foi no dia 15 de abril de 2014, e o último será em 27 de setembro deste ano. Esse evento é especial porque eclipses normalmente se intercalam entre totais, parciais (quando a Lua fica parcialmente encoberta pela parte mais escura da sombra da Terra) e penumbrais (quando a parte mais clara da sombra da Terra encobre a Lua). A tétrade é relativamente rara: no século XXI haverá oito delas, sendo a que se inicia no dia 15 a segunda - a primeira ocorreu de 2003 para 2004, e a terceira será em 2032 e 2033.

O último eclipse dessa sequência, em setembro, será o de melhor visualização no Brasil, podendo ser visto em sua totalidade e de todo o país. Para este sim, você pode se preparar para ver um belo fenômeno: ele será à noite e, com sorte, de céu claro.

 

Fonte: Veja