Ações da Petrobras caem 37% em 5 anos, enquanto de rivais sobem 70%

Essa queda de 37% das ações da Petrobras é medida em dólares, para poder ser comparada com os papéis dos concorrentes internacionais.

As ações da Petrobras caíram 37% nos últimos cinco anos, enquanto as dos seus rivais internacionais subiram mais de 70%.

No dia 19 de maio de 2009, os papéis preferenciais da petrolífera brasileira estavam cotados a US$ 12,85. Em dia equivalente de 2014, as mesmas ações eram negociadas a US$ 8,11.

Os números, calculados pela consultoria Economatica, estão ajustados por proventos, ou seja, já embutem o que os acionistas ganharam com dividendos e juros sobre o capital próprio.

No mesmo período, o NYSE Arco Oil Index, um indicador que reúne os papéis de gigantes do petróleo internacional, como Chevron, ExxonMobil e Shell, registrou uma alta de mais de 70%.

Essa queda de 37% das ações da Petrobras é medida em dólares, para poder ser comparada com os papéis dos concorrentes internacionais. Em reais, o recuo foi de 32%.


Ações da Petrobras caem 37% em 5 anos, enquanto as de rivais sobem 70%

O economista Flávio Conde, analista chefe da Gradual Investimentos, concedeu ao blog Achados Econômicos a entrevista abaixo, a respeito do assunto.

Sílvio Crespo: As ações da Petrobras caíram quase 40% em cinco anos, enquanto as dos concorrentes subiram 70%. Isso é um sinal de que os papéis da estatal podem estar baratos?

Flávio Conde: Não. Para saber se está barata ou cara, é preciso comparar o lucro esperado de cada uma. O que esses dados mostram é que os investidores gostaram do que aconteceu com os resultados das petrolíferas estrangeiras e não gostaram dos resultados da Petrobras ao longo desses anos analisados.

SC: Qual a perspectiva que vocês traçam para os papéis da Petrobras?

FC: A gente acha que a perspectiva agora é melhor do que há quatro ou cinco anos. Independentemente de quem vai ser o próximo presidente, a companhia tende a apresentar resultados melhores, porque a produção está crescendo. A empresa projeta aumento de 7,5% em 2014 e nós consideramos factível.

Além disso, a capacidade de refino da Petrobras vem crescendo, depois de ficar parada um bom tempo. Isso também deve continuar em 2014 e 2015, não importa quem será o presidente.

SC: E o preço da gasolina?

FC: Essa é a parte preocupante. A gasolina e o diesel precisam subir cerca de 20% para ficar no mesmo nível do mercado externo.

Com a eleição, então, a gente tem três cenários. Se a Dilma ganha, a política deve continuar a mesma, ou seja, a gasolina e o diesel continuam com preço baixo. Se o Aécio ganha, o preço dos combustíveis deve subir, e isso é bom para os acionistas da empresa. Se o Eduardo Campos ganha, existe uma esperança de que o preço suba um pouco mais do que se o atual governo continuar.

SC: O que vocês recomendam aos investidores?

FC: Considerando tudo isso ? a perspectiva de aumento da produção e também os três cenários possíveis na eleição ? nossa recomendação é manter as ações da Petrobras, com viés de alta, ou seja, achamos que a chance de subir é maior do que de cair.

A gasolina e o diesel não vão subir antes da eleição, mas isso já está embutido no preço das ações.

Para quem não tem ações e está pensando em comprar, então tem que decidir com base no que acha que vai acontecer nas eleições. Quem acha que a Dilma vai perder, pode comprar Petrobras. Se a pessoa não sabe, sugiro que compre só metade do que gostaria de comprar. Mas se ela tem certeza de que a Dilma vai ser reeleita, não deve comprar.

Fonte: UOL