Banco Central reduz a previsão de crescimento do PIB de 2013 a 2,5%

Banco Central reduz a previsão de crescimento do PIB de 2013 a 2,5%

Expectativa anterior da autoridade monetária era de uma expansão de 2,7%

O Banco Central reduziu nesta segunda-feira (30), por meio do relatório de inflação do terceiro trimestre deste ano, sua previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano de 2,7% para 2,5%. Em 2012, a expansão do PIB foi de 0,9% e, no ano anterior, de 2,7%.

A previsão do BC para a expansão do PIB de 2013 está um pouco acima do que estima o mercado financeiro, cuja expectativa de alta, feita na semana retrasada, é de 2,4% para este ano. A estimativa oficial de crescimento do PIB do governo federal, que consta no orçamento deste ano, por sua vez, também está em 2,5%.

Desaceleração no terceiro trimestre

O BC lembrou que o PIB brasileiro registrou expansão de 1,5% no terceiro trimestre deste ano, valor que ficou acima das expectativas dos economistas, mas acrescentou que indicadores antecedentes apontam para desaceleração da economia no terceiro trimestre deste ano.

"Nesse sentido, por exemplo, aponta a retração na produção industrial em julho. Citem-se, ainda, os níveis relativamente baixos da confiança de empresários e famílias e a instabilidade dos mercados financeiros. Por outro lado, a atividade doméstica tende a ganhar tração no último trimestre deste ano", acrescentou o BC.

Medidas de estímulo

No decorrer do ano passado, o governo anunciou uma série de medidas para estimular a economia, como a redução do IPI para linha branca e automóveis, além do corte dos juros básicos da economia, do aumento do dólar e da redução em mais de R$ 100 bilhões dos chamados depósitos compulsórios.

O governo também reduziu, no ano passado, o IOF para empréstimos tomados pelas pessoas físicas, deu prosseguimento à desoneração da folha de pagamentos, que já conta com mais de 40 setores beneficiados, liberou mais crédito para os estados, anunciou um programa de compras governamentais de R$ 8,4 bilhões, e também tomou medidas de defesa da concorrência.

As medidas de estímulo tiveram por objetivo combater os efeitos da crise financeira internacional na economia brasileira. A crise, atualmente, ainda tem mostrado efeitos na Europa, ao mesmo tempo em que a China tem registrado expansão inferior aos últimos anos. Nos Estados Unidos, há sinais de uma pequena aceleração da economia.

Com o aumento da inflação neste ano, o governo já começou a reverter algumas das medidas de estímulo adotadas ? como a queda de juros que prevaleceu em 2012. Neste ano, os juros já subiram em quatro oportunidades, para 9% ao ano. Além disso, o governo também começou a recompor o IPI da linha branca.

Componentes do PIB

Segundo a autoridade monetária, a produção agropecuária deverá crescer 10,5% neste ano, contra a expectativa anterior do BC de uma alta de 8,4% em 2013.

"O aumento anual da produção da indústria está estimado em 1,1% (1,2% no último relatório), resultado de variações respectivas de -2,8%, 1,5% e 1,9% nas indústrias extrativa, de transformação e da construção civil (-3,1%, 2,3% e 1,1% na estimativa anterior)", acrescentou o BC.

Já o crescimento do setor de serviços em 2013 está projetado em 2,3%, contra 2,6% de expansão no relatório anterior, feito em junho deste ano.

"No âmbito da demanda agregada, ressalte-se a redução, de 2,6% para 1,9%, na projeção para o consumo das famílias, compatível com a moderação do mercado de trabalho. A projeção para o consumo do governo passou de 2,4% para 1,8% e a relativa à formação Bruta de Capital Fixo (investimentos), de 6,1% para 6,5%", avaliou a autoridade monetária.

A contribuição da demanda interna para a expansão do PIB em 2013 é estimada em 3,5 pontos percentuais e a do setor externo, em -1 ponto percentual.

Fonte: G1