Banqueiro famoso no Brasil delega as finanças aos filhos

Banqueiro famoso no Brasil delega as finanças aos filhos

Um dos homens mais ricos do País, ex-banqueiro foi homenageado ontem no Hospital Albert Einstein

Ele é um dos homens mais ricos do Brasil e foi um dos principais banqueiros do País. Mas a atuação no mercado financeiro ficou para trás. Aos 75 anos, Moise Safra, ex-dono do Banco Safra, diz que agora prefere acompanhar finanças por meio dos filhos. ?Estou contente com o trabalho que eles estão fazendo?, disse nesta segunda-feira, durante inauguração de auditório que leva seu nome, na unidade Morumbi do Hospital Albert Einstein.

A homenagem contou com a presença do ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e do ex-ministro do Desenvolvimento e atual presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Celso Lafer.

?Estou contente, orgulhoso e acho que não merecia esta homenagem?, disse o décimo homem mais rico do Brasil, segundo a edição 2010 da revista Forbes. Pelo ranking, Safra tem US$ 2,3 bilhões e está na 421ª colocação entre os bilionários do mundo. Junto com seu irmão mais moço, Joseph, de 72 anos, já formou a dupla mais rica do Brasil.

Em 2006, decidiu se desfazer de sua parte no Banco Safra e a vendeu para o irmão. As cifras não foram reveladas na época, mas fala-se em um negócio de R$ 5 bilhões por metade da décima maior instituição financeira do País em ativos, com R$ 70,4 bilhões em junho deste ano, um aumento de 14,6% sobre igual mês de 2009.

Agora, acompanha o mercado pelos negócios de um de seus filhos, Ezra Moise Safra, que lidera a M Safra, gestora de recursos fundada em 1998. O auditório inaugurado ontem tem capacidade para 500 pessoas e contará com salão para eventos e sala de aula. O novo espaço será utilizado para atividades de educação em saúde. As obras foram iniciadas no começo do segundo semestre de 2009.

Mônaco

Moise perdeu, em 1999, seu irmão Edmond Safra em um incêndio criminoso. O apartamento onde morreu, em Mônaco, foi vendido pelo equivalente a R$ 526 milhões a um investidor do Oriente Médio que não foi identificado. A propriedade de 1600 m² tem três suítes, cada uma delas com closet, dois banheiros, cinema e cozinha próprios. Na cobertura, há ainda um spa, biblioteca e jardins com árvores de 5 metros de altura.

Batizada de La Belle Époque, a propriedade ocupa os dois últimos andares de um prédio com vista para a marina de Monte Carlo e pertencia a dois irmãos britânicos que fizeram fortuna reformando e vendendo propriedades de luxo. Christian e Nick Candy compraram a cobertura de Lily Safra, a viúva brasileira de Edmond Safra, por menos de R$ 25 milhões, pouco depois da morte dele.

Edmond Safra tinha 67 anos e morreu junto à sua enfermeira, trancado na sala de segurança do apartamento. Um de seus funcionários foi condenado por ter provocado o incêndio.

Do Oriente Médio

A família Safra tem origem na cidade de Aleppo, na Síria, que durante vários séculos foi um importante entreposto na rota das caravanas que ligavam a Europa ao Extremo Oriente. Em meados do século 19, os familiares de Jacob Safra fundam nesta cidade o Safra Frères & Cie, instituição financeira focada em empréstimos e operações de câmbio e ouro.

Esta sociedade logo estabeleceu sucursais em outras cidades importantes do Oriente Médio, como Alexandria, Istambul e Beirute. Em 1920, Jacob abre o Jacob Safra Maison de Banque, em Beirute, no Líbano. Na década de 50, muda-se para o Brasil e, junto com os filhos, dá início ao negócio que resultaria na criação de um conglomerado financeiro com presença em quatro continentes.

Em 1998, Moise Safra, filho de Jacob, estabelece a M. Safra & Co nas cidades de São Paulo e de Nova Iorque, no que foi a primeira empresa de gestão de recursos totalmente independente dos bancos da família.

Fonte: IG