Carros com perfil aventureiro se destacam no Brasil

Diferença entre as versões comuns e aventureiras passa de R$ 10 mil.

A cada ano o segmento de carros com perfil aventureiro ganha novos adeptos no Brasil. O conceito foi desenvolvido especialmente para o mercado nacional e encabeçado no país pela Fiat, em 1999, com o lançamento do Fiat Palio Adventure. E a receita funcionou. A perua com apelo fora de estrada representa 60% do mix de vendas do modelo.

Com o sucesso, a versão Adventure também passou a ser oferecida na picape Strada, no furgovan Doblò e no monovolume Idea. Apesar de a Fiat ser pioneira neste mercado, quem lidera o segmento batizado de ‘aventureiros leves’ é a Volkswagen com o CrossFox que passou recentemente por uma reestilização.

A versão tem 26,6% de participação nesse mercado com uma média de 110 mil unidades vendidas por ano, o que corresponde a 30% do total de vendas do hatch. De acordo com o gerente de produto e exportação da Fiat, Carlos Eugênio Dutra, a ideia é oferecer um carro que pode ser usado tanto para ir ao trabalho quanto para viajar nos finais de semana para praia ou campo com a família.

“O que mais encarece um veículo off-road é a tração nas quatro rodas, mas, de acordo com pesquisas realizada pela Fiat, apenas 4% dos proprietários desse tipo de modelo utilizam realmente o dispositivo”, afirma Dutra.

“O que fizemos foi oferecer todos os outros benefícios, como suspensão elevada, pneus de uso misto, bagageiro sobre o teto, peças reforçadas e um visual mais robusto, a um preço mais acessível.” Mesmo custando menos do que um veículo com tração integral, a diferença para um modelo ‘comum’ pode pesar no bolso.

No caso da Fiat, a perua Palio Weekend, com motor 1.8, quatro portas e câmbio manual, parte de R$ 42.370. Na mesma configuração, a Adventure Locker sai por R$ 52.800. 

O acréscimo de mais de R$ 10 mil também é observado no hatch da Volkswagen. O Fox, com motor 1.6, quatro portas e transmissão manual, tem preço sugerido de R$ 35.170, enquanto o CrossFox parte de R$ 45.550. Para o taxista Jorge Tadeu Moraes Santana vale o investimento.




“Em uma cidade esburacada como São Paulo ter uma suspensão mais rígida, além de garantir mais conforto para o passageiro, preserva por mais tempo as molas, amortecedores e todo o conjunto de roda”, afirma. “Outro ponto positivo é altura em relação ao solo, que dá mais sensação de segurança.”

Mas sobre os pneus de uso misto (asfalto/terra) Santana alerta. “Se o motorista for usar o carro somente na cidade, como é o meu caso, é melhor substituir os pneus de uso misto por um conjunto apenas para o asfalto, pois os pneus para terra gastam mais rápido na pista e são mais caros.”

Os pneus 50% para o asfalto e 50% para a terra trazem os sulcos maiores, são feitos com uma borracha mais mole e têm mais atrito com o solo, por isso desgastam mais rápido se usados apenas no asfalto. O preço também é diferente. Um jogo do Pirelli Scorpion ATR 205/70 (uso misto, usados no Palio) custa em média R$ 1.524, enquanto o jogo do Pirelli P7 e o Goodyear NCT5, apenas para uso no asfalto, saem por cerca de R$ 1.180 e R$ 1.240, respectivamente. Já para os ‘trilheiros’ de verdade, a Fiat incorporou na linha Adventure, em 2008, o dispositivo Locker.

Trata-se de um bloqueio de diferencial que em condições de perda de aderência, o sistema divide e distribui o torque entre as duas rodas para desatolar o veículo. O Locker é oferecido como opcional apenas na Strada Adventure Cabine Dupla por R$ 1.299 — nos demais modelo o dispositivo é de série.

Fonte: g1, www.g1.com.br