Com nova gripe, indústria de álcool gel multiplica vendas e planeja produzir mais

Uma das maiores fabricantes do produto no país, a Rickett confirma o bom momento para o setor

Com a nova gripe, as fabricantes de álcool em gel multiplicaram as vendas nos últimos meses e já planejam expandir a produção para atender a alta demanda do varejo.

"Não tenho números, mas, conversando com fabricantes do álcool gel, realmente houve aumento das vendas", diz Maria Eugênia Saldanha, diretora-executiva da Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Limpeza e Afins (Abipla).

Uma das maiores fabricantes do produto no país, a Rickett confirma o bom momento para o setor. "Estamos percebendo o aumento da demanda de forma incrível. Desde o início de agosto, nesses 15 dias, já vendemos três vezes o volume de vendas anuais. Houve um aumento dos pedidos e estamos super focados para atendê-los", afirma Fernanda Belfort, gerente de marketing da empresa.

Segundo Fernanda, até o momento a empresa tem conseguido atender aos pedidos do varejo e está usando a capacidade máxima da produção.

A previsão da Rickett, agora, é ampliar a produção. "A gente ainda não tem previsão oficial de como isso será feito. Vamos esperar os próximos meses", diz a gerente. O objetivo, conta, é verificar se a demanda continuará alta após o surto da gripe.

A fabricante de álcool em gel 3M avalia que as vendas podem triplicar neste ano em relação ao ano passado. A empresa considera ainda que, mesmo após o surto da nova gripe, a comercialização do item deve seguir elevada e "dificilmente voltará a patamares anteriores ao da pandemia".

Fornecedora de álcool em gel para indústrias, empresas e shoppings, a Kimberly-Clark diz que chegou a cogitar o fim da comercialização do produto antes do surto da gripe.

"Não vendíamos antisséptico antes. Oferecíamos, mas não vendia nada. Pensávamos em tirar de linha e, de repente [as vendas aumentaram]", diz o diretor da empresa Luiz Valentini.

O executivo diz que entre janeiro e julho deste ano, as vendas do álcool em gel aumentaram 176% em relação a 2008.

O bom resultado neste ano deve render novos investimentos, anunciou o executivo. O plano é criar um produto para evitar a "contaminação cruzada", ou seja, evitar a transmissão do vírus quando as pessoas tocam no mesmo objeto. A empresa, porém, não quis dar maior detalhes do produto.

Falta de produtos

Valentini, da Kimberly-Clark, conta que a empresa está atualmente sem produtos para comercializar. A empresa holandesa que fornece as embalagens do álcool em gel ficou sem o produto.

"Não dá para vendermos sem a embalagem. Agora, estamos sem o produto. Temos uma parte para atender aqueles que já são nossos clientes." A estimativa é de o mercado se normalizar até outubro, afirma o executivo.

A falta do álcool em gel é uma reclamação do varejo. Diversos estabelecimentos alegam que a reposição dos estoques por parte dos fornecedores não acompanha a velocidade das vendas.

Para a diretora da Abipla, Maria Eugênia Saldanha, a reação da cadeia industrial não é tão rápida em razão do aumento repentino da demanda.

"Houve uma alta demanda de uma hora para outra. Para aumentar a produção, tem a questão da matéria-prima. E não é uma reação rápida porque não são muitos os fabricantes. E a cadeia toda tem que reagir. Mas não há dúvidas de que a indústria está comprometida para atender os pedidos."

Fonte: g1, www.g1.com.br