Como decidir entre álcool e gasolina

Preço do etanol pode subir nos próximos meses. Para quem tem carro flex, qual vale mais?

Cresce o número de brasileiros que tem que lidar diariamente com a dúvida: álcool ou gasolina? O Brasil tem cerca de 7 milhões de automóveis flex, que podem usar os dois tipos de combustível, e, de acordo com projeções feitas pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) no primeiro semestre, o número deve chegar a 50% da frota nacional até 2010. Mas como saber quando vale a pena usar cada tipo de combustível?

?É preciso tomar cuidado, pois, apesar de mais barato, a autonomia do veículo com o álcool é, em média, 30% menor. Assim, para ser vantajosa a sua utilização, o preço do litro também precisa ser 30% menor?, afirma Marcelo Nogueira, gerente de Negócios Especialista do Ticket Car, que realiza pesquisas mensais sobre o preço dos combustíveis em 8 mil postos cadastros em todo o Brasil.

O cálculo é fácil: subtraia o valor do álcool do valor da gasolina. O resultado é multiplicado por 100, e dividido pelo preço da gasolina. Se o resultado for maior do que 30, escolha álcool.

Segundo dados da Ticket Car para o mês de setembro, não é vantajoso utilizar o biocombustível em seis Estados, todos no Norte e no Nordeste: Acre, Amapá, Pará, Piauí, Rio Grande do Norte e Roraima. O estado com a maior diferença de preços entre álcool e gasolina é São Paulo, 45,8%. Para os paulistas, o litro de álcool custa em média R$ 1,32, 62% a menos do que a quantia de R$ 2,15 paga em Roraima, o álcool mais caro do Brasil.

Mas mesmo em São Paulo as coisas podem piorar nos próximos meses. Segundo dados da Ticket Car, o preço cobrado pelo etanol no Estado acumula alta de 10% nos últimos três meses. Só no mês de setembro o aumento foi de 3,5%. Na cidade de São Paulo o cenário parece ainda pior. De acordo com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o combustível subiu 5,22% no mês de setembro.

As altas podem acabar se espalhando pelo país. Há duas explicações: de acordo com a Unica, o excesso de chuva no mês de setembro prejudicou os produtores de cana-de-açúcar na região Centro-Oeste, o que deve fazer a oferta de álcool diminuir, aumentando o preço do combustível.

A segunda explicação tem relação com o mercado de açúcar e o período de quebra de safra na Índia. Com a demanda internacional por esse outro derivado da cana em alta, o preço do açúcar subiu e muitos produtores preferiram exportar a commodity do que produzir etanol. O analista Arnaldo Corrêa, em entrevista ao Jornal da Tarde, afirmou que o preço do combustível deve subir mais 10% nos próximos seis meses.

Fonte: AE