Crise americana afeta economia do PI

As informações assustam até quem está muito longe de tantos números e índices como o cidadão comum

Enquanto os mercados financeiros internacionais reagem ao efeito domin? da crise dos Estados Unidos, a maior economia mundial, muitas d?vidas e questionamentos surgem para se entender de que forma esse momento pode refletir no pa?s.

As informa?es assustam at? quem est? muito longe de tantos n?meros e ?ndices como o cidad?o comum que tenta compreender a tormenta: o que isso tem a ver com a nossa vida? A resposta ?: tem muito a ver, sim. E as perspectivas s?o, no m?nimo, de muito mais cuidado nos investimentos nos pr?ximos meses ou anos. A crise tem potencial para afetar os pre?os dos produtos brasileiros (e piauienses, como a soja), o acesso ao cr?dito deve ficar mais limitado, o juro pode subir e, em consequ?ncia de tudo isso, a atividade econ?mica diminui e o desemprego cresce.

Traduzindo, o bolso do piauiense vai sentir a crise. Por causa de um passado recente de alta infla??o, quando se fala em crise, a preocupa??o da maioria das pessoas ronda os corredores de supermercados e o setor

imobili?rio. ?A infla??o hoje est? presente em todas as economias devido ao volume muito grande de pessoas que entrou no mercado de consumo?, frisa o economista Fernando Galv?o.

A economia brasileira n?o apresentava crescimento desde 2004, quando houve uma eleva??o do PIB em 5,7%. J? um aumento de 5,4% foi registrado em 2007, conforme dados do IBGE.

Com o crescimento, houve uma estabilidade nos pre?os e uma expans?o de cr?ditos, aumentando a compra de produtos como eletrodom?sticos e autom?veis. Entretanto, para o economista Fernando Galv?o, o governo tenta se blindar da crise americana aumentando a taxa de juros para frear o consumo. ?Mas, na medida em que a taxa aumenta, isso repercute no bolso do consumidor. Ele n?o ter? como honrar as presta?es da

geladeira, do fog?o que comprou devido os juros. Isso compromete o or?amento e leva a uma explos?o da inadimpl?ncia do consumidor?,

revela.

A previs?o, segundo ele, ? que os pre?os de empr?stimos e inanciamentos sejam encarecidos, paralelo ao crescimento da taxa de inadimpl?ncia. O economista explica que o mercado funciona a partir de expectativas. Isso

quer dizer que na medida em que se t?m ?incertezas econ?micas?, empresas, ind?strias e consumidores compram e produzem menos.

?Ent?o, como a economia americana ? uma locomotiva internacional, se ela entra em recess?o h? uma queda nas exporta?es, por exemplo.

Mesmo sendo a crise nos Estados Unidos, a economia brasileira depende e

funciona a partir de fatores internos e externos?, afirma. Para Galv?o, o fato ? que a crise ? ?virulenta?, ou seja, todos os setores da economia

s?o contaminados pela crise do cr?dito no sistema banc?rio norte-americano.

?Por exemplo, se uma pessoa est? com dificuldades para pagar a sua presta??o imobili?ria, ela vai reduzir o consumo. Com isso, vai comprar menos roupas, menos combust?vel, menos cal?ados, n?o vai viajar, n?o vai investir?, destaca, acrescentando que essa ? a conseq??ncia da crise do mercado imobili?rio sobre a economia real e n?o ? poss?vel dizer at? quando isso vai e em qual profundidade.

Fonte: Mayara Bastos, Jornal Meio Norte