Feriados beneficiam comércio nos bairros de Teresina

Feriados beneficiam comércio nos bairros de Teresina

Se o comércio do centro da cidade baixa as portas quando acontecem os feriados, as lojas dos bairros continuam a funcionar

Grande parte da população tem ficado satisfeita com a quantidade de feriados neste segundo semestre. Em Teresina, dos dez nesse período, nove aconteceram ou vão acontecer em dias considerados úteis. Tantas datas para folga se tornam momento propício para descanso e lazer em família, mas para o comércio tradicional de Teresina acumula muitas perdas.

Mas não é todo o comércio da cidade que fica prejudicado. Nos bairros da cidade, os negócios em todos os setores se mostram bastante fortes, sobretudo na zona Sul, onde até mesmo nessas datas é motivo para aproveitar e garantir lucros.

Nos bairros já é um costume bastante comum abrir aos finais de semana, prática que partiu das feiras e expandiu para as lojas que se firmaram ao lado delas. Mas não tão comum para o comércio semelhante ao do centro, o que tem ocorrido é que até mesmo nos feriados as lojas não deixam de funcionar. Segundo proprietários e lojistas, apesar do expediente ser reduzido aos domingos e feriados, é uma ação que compensa.

Vanilda Lima, vendedora de uma loja de roupas, trabalha em um ponto que abriu há dois meses no bairro Parque Piauí e explica que é no final de semana que serve para compensar o pouco movimento durante a semana.

?Segunda e terça tem dias que a gente não vende nada. Vem melhorar quarta-feira em diante. E no final de semana é até melhor, pois no sábado e domingo compensam os dias que não vendem no início da semana. Nesses dias a gente consegue vender até melhor que durante a semana?, conta.

Elizonete Távora é proprietária de um petshop há 11 anos e sempre abriu sua loja aos finais de semana e feriados. De acordo com ela, o trabalho em meio turno possibilita um lucro muitas vezes até melhor que em dias normais.

?Compensa, pois como muitos estão de folga, eles aproveitam a manhã para resolver suas pendências. É como se fosse o dia pelo outro. É só meio turno e lucra o que em um dia normal não conseguiria?.

Fátima Fernandes, gerente de uma loja de variedades, explica a dinâmica desse comércio. ?É uma forma de compensar aquele período que o centro está aberto. Quando lá está funcionando, vendemos menos. Na verdade, o comércio de bairro não tem como comparar com o do centro. É um comércio lento, que vende menos e funciona durante todo o tempo para compensar?, diz.



Funcionários de folga, proprietários no batente

Fátima Fernandes, gerente de uma loja de variedades, explica que embora abra aos finais de semana, não são os funcionários contratados que vão às lojas. Isto porque com base na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) fica vedado o trabalho em dias de feriado e, por conta disso, quem vai à loja para trabalhar nesses dias acaba sendo a própria família.

?Antigamente funcionários vinham trabalhar até nesses dias, mas depois de um tempo deixamos de fazer isso. A minha irmã é a dona da loja e a gente sempre chama quem está disponível. Primas, irmãs, a família para trabalhar?, diz.

Por conta disso, há lojistas que já estão pensando em fechar as lojas por conta do trabalho contínuo. É o caso de Elizonete Távora. Na sua empresa, os próprios funcionários também chegavam a trabalhar em finais de semana e feriados, em regime de escala, no entanto, há bastante tempo a responsabilidade ficou apenas para os donos.

?Abrir aos finais de semana e feriados aumenta o faturamento, mas nós precisamos de um dia de descanso, que hoje nós não temos?, assegura.

Comércio prevê perda alta com feriados

Com tantos feriados, as perdas no comércio piauiense são previsíveis e de acordo com o presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Piauí, Luis Antônio Veloso, estima-se em torno de R$ 70 milhões por dia no comércio piauiense.

?O cálculo com base no Produto Interno Bruto mostra que essa é a perda por cada dia parado. Um prejuízo que atinge não só os comerciantes, mas a população também?, diz.

Até dezembro, ainda há três feriados previstos para acontecerem e todos eles serão no meio da semana. O próximo dia 2 de novembro, Dia de Finados, cairá numa sexta-feira; o próximo dia da Proclamação da República (15) será numa quinta-feira e Natal (25) cairá numa terça-feira. Em todos eles, outro problema se evidencia: os dias que são ?atropelados?, ou seja, cujos feriados caem no meio da semana e são propícios para viagens prolongadas, havendo, por isso, uma redução do público consumidor.

?Alguns feriados tudo bem, mas não tantos como a gente vê, um atrás do outro e isso prejudica muito?, completa.

Fonte: Virgínia Santos