Fim da isenção do IPI para automóveis promove corrida às concessionárias

Imposto voltará a ser cobrado de forma gradual a partir de 1º de outubro.

As concessionárias de veículos esperam um grande movimento neste fim de semana, o último antes do término do desconto de IPI para carros novos – o benefício foi concedido há nove meses pelo Governo Federal, será reincorporado pelas montadoras de forma gradativa a partir da próxima quinta-feira, dia 1º de outubro. Até quarta-feira (30), último dia do benefício, as empresas apostam em um volume grande vendas. Em vez dos grandes feirões em um único local, as montadoras vão promover as ofertas nas redes de concessionárias.

A corrida às lojas de automóveis aumentou nas últimas duas semanas e pode registrar uma venda recorde de automóveis e comerciais leves na história da indústria automobilística nacional. Segundo dados do setor, até a quinta-feira (24) já haviam sido vendidos 230.633 veículos (automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões). A venda média de unidades subiu de 11,8 mil em agosto para 13,5 mil este mês. Só na quinta-feira foram vendidos quase 18 mil automóveis e comerciais leves no Brasil. Seguindo neste ritmo, setembro pode ficar bem próximo ou até superar o recorde de junho, quando foram comercializadas 300.174 unidades.

“Nos últimos 15 dias, o volume de vendas dobrou”, destaca Rodrigo Rumi, gerente regional de marketing da General Motors. “Esperamos neste fim de semana superar as vendas nos finais de semana anteriores”, acrescenta o executivo. A redução do IPI foi anunciada no dia 15 de dezembro do ano passado. Para carros populares, de até mil cilindradas, o IPI caiu de 7% para zero e, para automóveis entre mil e duas mil cilindradas movidos à gasolina, recuou de 13% para 6,5%. Para carros flex (bicombustível) e movidos à álcool, o imposto caiu de 11% para 5,5%.

Entretanto, não houve alteração para veículos com mais de duas mil cilindradas. Agora, o Governo Federal vai promover um aumento gradual do imposto. Segundo informações da Receita Federal, o IPI de carros de até mil cilindradas, que está zerado, subirá para 1,5% em outubro, para 3% em novembro e para 5% em dezembro, retornando ao patamar anterior de 7% no dia 1º de janeiro de 2010.

Já o IPI para carros de mil a duas mil cilindradas à gasolina, que está em 6,5%, subirá para 8% em outubro, para 9,5% em novembro e para 11% em dezembro deste ano, voltando ao patamar antigo, de 13%, em janeiro do ano que vem. Para os carros flex, com mais de mil cilindradas, o IPI, que atualmente está em 5,5%, subirá para 6,5% em outubro, para 7,5% em novembro e para 9% em dezembro, sendo a tributação anterior, de 11%, retomada no início do ano que vem.

Algumas concessionárias vão fazer um esquema de plantão até quarta-feira, ampliando o horário de atendimento até as 21 horas. Além do desconto no IPI, muitas empresas oferecem benefícios como IPVA grátis, juros zero no financiamento para alguns modelos e prazo de 72 meses para pagar. As montadoras também fazem promoções sobre o preço de tabela dos modelos. Se essas promoções forem mantidas após o término do IPI, a diferença do acréscimo de 1,5% de imposto para carros com motor até mil cilindradas se dilui ao longo das prestações.

Por exemplo: o Fiat Mille Fire Economy 1.0 Flex é oferecido com desconto de R$ 1.200. Com acréscimo de 1,5% do imposto para carros até mil cilindradas, o valor na promoção continuaria ainda abaixo do preço de tabela. O Volkswagen Gol G4 é oferecido com desconto de R$ 1 mil em relação ao preço oficial. Mesmo com o IPI, continuará abaixo do valor de tabela de a empresa mantiver a promoção.

Quem vai fechar negócio deve estar atento ao prazo de entrega do veículo. O IPI é calculado sobre o valor da nota fiscal e, por isso, o ideal é comprar um carro que já esteja disponível nos estoques das montadoras. Quem quiser um modelo muito específico e com muitos acessórios, corre o risco de ter de esperar o carro entrar em linha de produção e a nota fiscal só será faturada em outubro, já sem o desconto do IPI. Os economistas também alertam para os juros cobrados. Taxas de financiamento acima de 2%, por exemplo, representam a perda da economia obtida pelo benefício do desconto do IPI.

Fonte: g1, www.g1.com.br