Juros sobem a 8,5%, e poupança fica perto de voltar a render mais, diz BC

Comunicado distribuído pelo BC mostra que a preocupação continua sendo o combate à inflação

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, subiu a taxa básica de juros (a Selic) em 0,5 ponto percentual, indo para 8,5% ao ano (estava em 8%). É a terceira reunião seguida do Copom em que os juros aumentam. A decisão foi unânime.

Com isso, a nova poupança passa a render mais: agora serão 5,95% ao ano (antes estava em 5,6%). Pela nova regra, adotada no ano passado, o rendimento da poupança varia conforme a Selic, sempre que os juros estiverem em 8,5% ou menos ao ano.

Quer dizer que, agora, o rendimento da poupança está próximo de voltar para as regras antigas. Isso já acontece se, na próxima reunião do Copom (em 28/8), houver novo aumento. As regras anteriores determinavam que a poupança antiga rendesse sempre 6,17% ao ano mais a TR.

Comunicado distribuído pelo BC mostra que a preocupação continua sendo o combate à inflação.

"O comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano", informou a nota do Copom. Isso repete a orientação dada em maio, quando o BC também elevou a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual.

Os analistas já esperavam uma alta da taxa de juros para combater a inflação, que tem preocupado o governo. Quando os juros sobem, as pessoas tendem a gastar menos e isso faz o preço das mercadorias cair, controlando a inflação, em tese. Por outro lado, juros altos seguram a economia e fazem o PIB (Produto Interno Bruto) ficar baixo.

Mudança na poupança vale para depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012

O rendimento da nova poupança passou a variar conforme a Selic. Com juros baixos, a poupança rende menos porque, pelas novas regras, determinadas em maio de 2012, o rendimento fica menor sempre que a Selic estiver em 8,5% ou menos ao ano.

O governo fez isso para desestimular que grandes investidores migrassem para a poupança, diante da menor rentabilidade de outras aplicações movidas a juros.

Antes das mudanças, o ganho da poupança era de 6,17% ao ano, mais a TR, em qualquer situação.

Pelas novas regras da poupança, sempre que a Selic ficar em 8,5% anuais ou menos, muda o rendimento dos depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012.

A mudança vale para poupanças que já existiam e para as que foram abertas a partir de 4 de maio de 2012. O dinheiro que já estava nas poupanças antigas continua rendendo conforme as regras anteriores.

O que muda para essas contas antigas são os novos depósitos. Estes entram na regra nova.

Com os juros em 8,5% ou menos ao ano, a "nova" poupança rende 70% da Selic, mais a TR (Taxa Referencial). Para os depósitos feitos antes de 3 de maio de 2012, nada muda. Nesse caso, o rendimento continua sendo o antigo, de 0,5% ao mês (ou 6,17% ao ano), mais a variação da TR.

Os bancos têm de informar o rendimento da poupança em blocos diferentes no extrato. Um dos blocos informa o rendimento dos depósitos feitos até 3 de maio de 2012. Os outros trazem o rendimento dos depósitos feitos depois de 4 de maio de 2012.

Para calcular quanto vai ganhar, o poupador deve sempre considerar a Selic vigente no dia em que ele efetuou o depósito.

Governo tem tomado medidas para reduzir os juros ao consumidor

O governo vinha tomado medidas para reduzir os juros diretos ao consumidor. A onda de cortes de juros nos bancos começou no início de abril do ano passado, com os bancos públicos, e continuou com os bancos privados.

A preocupação com os juros é que eles dificultam o crescimento da economia. Com juros mais altos, as empresas investem menos, porque fica caro tomar empréstimos para produção, e as pessoas também reduzem seus gastos, porque o crediário fica mais caro. Essa situação deixa a economia com menos força.

Por outro lado, com juros mais baixos, há mais consumo e mais risco de inflação, porque as pessoas compram mais e nem sempre a indústria conseguir produzir o suficiente. Quando há falta de produtos, a tendência é que eles fiquem mais caros.

A taxa básica de juros orienta o restante da economia, mas há pouco impacto na vida prática de quem precisa usar o cheque especial ou cartão de crédito. Analistas dizem que essas taxas são tão altas que pequenas variações na Selic são incapazes de aliviar ou pesar no bolso no dia a dia.

Antes do início do governo Dilma, a Selic estava em 10,75%. No primeiro mês dela (janeiro de 2011), subiu para 11,25%.

A Selic é usada pelo BC para tentar controlar o consumo e a inflação ou estimular a economia. Quando a taxa cai, estimula o consumo. Quando sobe, reduz a atividade econômica porque os empréstimos e as prestações ficam mais caros.

O Copom foi instituído em junho de 1996 para estabelecer as diretrizes da política monetária e definir a taxa de juros, mas a Selic já era usada como indicador desde 1986.

O colegiado é composto pelo presidente do Banco Central e os diretores de Política Monetária, Política Econômica, Estudos Especiais, Assuntos Internacionais, Normas e Organização do Sistema Financeiro, Fiscalização, Liquidações e Desestatização, e Administração.

Fonte: UOL