Casa própria sem dívidas, com educação financeira

Casa própria sem dívidas, com educação financeira

O ideal é aproveitar as oportunidades de adquirir a casa própria, mas sem que isso reflita em um endividamento familiar.

Adquirir a casa própria é o sonho de milhares de brasileiros que moram de aluguel ou na casa de parentes. A boa notícia é que realizar esse desejo de uma vida inteira nunca foi tão real, principalmente com facilitadores, como o programa Minha Casa, Minha Vida. A má notícia é que, apesar dos incentivos do governo, o déficit habitacional continua sendo um dos grandes problemas para as famílias brasileiras.

A nova classe média - cerca de 11 milhões de brasileiros - pretende realizar o sonho de ser possuidora do seu próprio lar, e isso será muito em breve, segundo dados da pesquisa do Instituto Data Popular divulgado no último dia 27. Isso significa que o mercado da reforma e construção deve abrir os olhos para este consumidor, que responde por um percentual bastante significativo da população.

O défict habitacional é um problema histórico, e dentre os pontos que levaram a ele está a falta de educação financeira. Pois, culturalmente, desde nossos primeiros ganhos sempre aprendemos a consumir e nunca à poupar. ?Quando o brasileiro poupa somente pensa à curto prazo e não a médio e longo prazo. Com isso, as alternativas para que o sonho da casa própria seja uma realidade fica restrita ao financiamento pelo sistema de habitação?, pontua o educador financeiro Reinaldo Domingos.

O ideal é aproveitar as oportunidades de adquirir a casa própria, mas sem que isso reflita em um endividamento familiar. Para os especialistas, financiar o imóvel é uma ótima alternativa, entretanto, é fundamental saber que o financiamento representa que você estará contraindo uma dívida de valor alto. Outro ponto importante é que esse será um compromisso que deverá ser honrado mensalmente por um longo tempo.

?As pessoas esquecem com a empolgação de obter a casa própria que é preciso ter em mente que quando se faz um financiamento existem os juros. São eles que, somados ao longo do contrato, podem significar o pagamento de duas até três vezes o valor da casa?, esclarece o educador financeiro.

Financiamento é opção para sair do aluguel

Para quem ainda não se livrou do aluguel, o financiamento pode ser uma ótima alternativa, já que o inquilino deixa de pagar esse valor sem retorno futuro para pagar a prestação de algo que será seu. Se o aluguel não é o seu caso, mas existe a intenção de comprar um imóvel, o ideal é guardar o valor da prestação do financiamento em algum tipo de investimento conservador.

O educador financeiro Reinaldo Domingos orienta que o melhor é fazer uma simulação do tipo de financiamento conservador e ir economizando as parcelas mensalmente, assim, em sete ou oito anos poderá comprar a casa à vista e não pagar juros.

?É preciso que as pessoas vejam e entendam a vantagem do dinheiro aplicado porque ele rende juros, enquanto que com o financiamento se paga juros e, muitas vezes, altíssimos?.

Para quem possui renda superior à exigida para entrar nos programas de subsídio do governo, adquirir um imóvel não é tão fácil e é necessário ter uma certo dinheiro guardado para dar de entrada na maioria dos planos de financiamento. Nesse caso, é preciso poupar mais ainda e esse é um dos grandes problemas enfrentados para a realização do sonho de uma casa própria.

?São as dívidas sem valor, aquelas contraídas nas compras de produtos e serviços que muitas vezes não são necessárias que acabam desequilibrando o orçamento financeiro mensal. Com isso perde-se o foco para economizar para adquirir o bem de valor que é a casa?, finaliza Reinaldo Domingos.

Fonte: Marcilany Rodrigues