OGX, de Eike, negocia dívida de US$ 3,6 bi nos EUA, afirma jornal

OGX, de Eike, negocia dívida de US$ 3,6 bi nos EUA, afirma jornal

O principal trunfo da OGX, no entanto, é o acordo com a Petronas, estatal de petróleo da Malásia

Executivos da petroleira OGX (OGXP3), de Eike Batista, chegaram a Nova York para uma rodada de negociações com os credores de uma dívida de US$ 3,6 bilhões da companhia, segundo informações do jornal "Valor Econômico" desta sexta-feira (4).

A empresa vai tentar resolver o pagamento desta dívida (que, para muitos, é considerada impagável) tentando convencer os detentores de títulos a trocar sua remuneração por ações da companhia.

O principal trunfo da OGX, no entanto, é o acordo com a Petronas, estatal de petróleo da Malásia. Mas mesmo este acordo está cercado de incertezas. Recentemente, a Petronas afirmou que só vai pagar a OGX depois que a empresa conseguir renegociar suas dívidas.

O "Valor" ouviu uma pessoa ligada à OGX, que disse que, caso a Petronas pague imediatamente os US$ 250 milhões acordados, isso seria suficiente para quitar as dívidas mais urgentes e colocar em operação a plataforma OSX-3, que vai extrair petróleo no campo de Tubarão Martelo, na bacia de Campos.

Nesse caso, seria possível evitar um pedido de recuperação judicial, alternativa que parece cada dia mais próxima, e mesmo a falência, no caso de a Justiça entender que a recuperação judicial seria insuficiente.

A companhia do empresário Eike Batista tenta, ainda, antecipar ao máximo a produção no campo de Tubarão Martelo, para ter o "primeiro óleo" ainda no quarto trimestre deste ano. Seria uma tentativa de fazer caixa, cumprindo também meta estabelecida no finado acordo com a Petronas.

Calote e troca de sede

Nesta semana, a petrolífera OGX optou por não pagar US$ 44,5 milhões a credores estrangeiros. Esse é o primeiro passo do que pode vir a ser o maior calote da história por uma empresa latino-americana.

Segundo reportagem da "Folha de S.Paulo", as empresas do grupo EBX iniciaram um plano de desocupação do histórico edifício Serrador, no centro do Rio. A medida teria como objetivo diminuir as despesas das empresas comandadas por Eike Batista, em mais um capítulo da dramática queda de seu império.

Mantega diz que crise de Eike afetou imagem da economia do país

A crise nas empresas de Eike Batista afetou a imagem da economia do país, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta segunda-feira (30).

O ministro disse que a queda das ações da petroleira OGX "já causou problemas para a imagem do país e para a Bolsa de Valores, que teve uma deterioração".

Segundo Mantega, a situação das empresas controladas por Eike afeta o próprio desempenho da economia brasileira e "nossa reputação na Bolsa de Valores, que é muito boa".

De acordo com o ministro, apesar da "Bolsa estar subindo agora, teve uma queda de perto de 10% por conta dessas empresas de Eike".

Fonte: UOL