Opala influencia na criação de empresas no Piauí

As empresas que atuam na comercialização de produtos feitos com opala têm como grandes clientes os estrangeiros, principalmente os alemães, que, em grande parte, visitam o Piauí nos meses de janeiro

A opala, um minério encontrado com alta qualidade apenas em dois lugares do mundo, Pedro II, no Piauí, e na Austrália, já tem forte influência na criação de empresas no Estado que empregam diretamente cerca de 1.500 pessoas só na cidade piauiense onde é extraído. A iniciativa se ramificou e está presente em Teresina com várias filiais que vendem diversos tipos de joias e têm clientes cativos de alguns países.

Com tanta beleza da opala, os empresários apostam no setor e desenvolvem um processo que envolve desde as escavações até a delicada forma de lapidação. Maria Alves, por exemplo, é dona de uma loja em Pedro II que trabalha com a lapidação e ourivesaria da pedra. O primeiro processo refere-se ao ato de lapidar a pedra bruta, que vem direto das jazidas para lhe dar forma. Já o segundo acontece quando os ourives colocam o metal na pedra lapidada.

Na cidade de Pedro II, Maria acompanha a parte de lapidação da pedra e fabricação da joia. Mas tudo não acontece apenas lá. A empresária também possui uma vitrine em uma associação inserida no Centro de Artesanato Mestre De-zinho, em Teresina, onde as peças são vendidas. Além disso, a empresária Maria Alves ainda fornece as joias para duas lojas do Centro de Artesanato.

“Eu venho toda sexta para limpar as peças, ver o que precisa e ainda fazer entregas de peças encomendadas durante a semana. Somos os pioneiros lá em Pedro II e já faz 12 anos que trabalhamos com a pedra opala”, acrescenta a empresária afirmando ainda que na cidade ao norte de Teresina a empresa é composta por uma loja e oficina.

Quatro pessoas trabalham no processo de fabricação (lapidação e ourivesação) e duas nas vendas, incluindo Maria.

Ela falou também sobre a renda advinda da comercialização da opala. “O faturamento é bom. Mas no momento estamos em crise, assim como o Brasil todo. Mas dá para viver. As pedras são muito bem vistas pelas pessoas”.
Por falar na procura, esta acontece, em Pedro II, por parte dos estrangeiros, principalmente alemães, e em grande parte nos meses de janeiro e julho. Já em relação aos brasileiros, além das vendas nos meses de férias, o Festival de Inverno da cidade também aumenta a procura. Porém, Maria acredita que a valorização das peças deveria ser maior ainda. “A procura tem aumentado, as pessoas estão conhecendo mais, porém deve haver mais divulgação, pois ainda tem muitos que não conhecem a pedra”.

Atividade mantém o processo manual

Mesmo com as inúmeras inovações tecnológicas que são apresentadas todos os dias para melhorar a vida dos trabalhadores, no caso do processo de lapidação, este não mudou ao longo desses anos. Os avanços tecnológicos não se encaixam neste trabalho. O que ainda prevalece é o processo manual. “É a mesma técnica do começo. É tudo feito de forma manual, artesanal. Não há essa necessidade de tecnologias”, explica a empresária do setor, Maria Alves.

Quanto aos produtos que podem ser desenvolvidos e comercializados pela pedra opala, há uma variedade como anéis, brincos, pingentes e pulseiras. As peças produzidas pela empresa de Maria Alves possuem preços que variam de R$ 45,0 a R$ 5.000, de acordo com o design e, principalmente, com a pedra, já que há diversos tipos.

Eles trabalham com a opala mosaico (uma junção de várias opalas de coloração azul que são colocadas em um pedaço de rocha – diabásio - e depois fixadas no metal), a opala extra (que custa três vezes mais do que o valor do ouro), opala leitosa (branca) e a opala dublê (lâminas de opalas que são colocadas no pedaço de diabásio e depois fixadas no metal). Todas saem do processo de fabricação com um número e o nome da empresa carimbados em prata.

Existem basicamente três tipos de opala: a negra, de cor preta; a opala de fogo, de cor vermelha; e a opala nobre, considerada extra, com sete cores. A opala é a “pedra da lua”, por apresentar a cor do satélite terrestre. Hoje, várias empresas do Piauí foram criadas por causa da exploração deste minério muito importante que é encontrado apenas no Piauí e na Austrália.

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Fonte: Flávia Araújo