Petrobrás estuda vender mais ações para cobrir defasagem

Diretor diz que medida é para compensar defasagem nos preços dos combustíveis.

A Petrobrás estuda mudar seu bilionário programa de desinvestimento, incluindo mais vendas de ativos no Brasil, segundo o diretor financeiro da empresa, Almir Barbassa. Uma das opções seria aumentar o tamanho desse programa, que atualmente prevê a venda de US$ 14,8 bilhões em ativos, a maioria no exterior.


Petrobrás estuda vender mais ações para compensar defasagem

Essa seria uma forma de compensar o preço defasado da gasolina em relação a outros países, que vem ocorrendo desde o final de 2010, prejudicando o caixa da empresa. Barbassa disse que a Petrobrás está discutindo como reajustar esse preço, que tem trazido prejuízos à companhia e pode comprometer o programa de investimentos.

Por falta de caixa, a companhia já começara, nos últimos dois meses, a adiar ou reduzir investimentos enquadrados no plano de negócios como "em análise". Agora, quer também se desfazer de ativos no Brasil.

A Petrobrás tem dificuldades para negociar a venda de ativos no exterior e

Barbassa reconheceu na divulgação do balanço do terceiro trimestre que as vendas levarão mais tempo que o previsto. Um dos motivos para a demora seria o fato de compradores saberem que a estatal tem pressa em fazer caixa e aproveitam para jogar os preços para baixo.

A dificuldade para vender os ativos é sentida especialmente no Golfo do México, nos EUA, onde a Petrobrás negocia com petroleiras de vários países uma complexa parceria para 175 blocos de exploração de petróleo.

A Petrobrás discute com o governo brasileiro ajuste nos preços da gasolina, para que voltem aos níveis internacionais. "Estamos trabalhando esse assunto com o conselho", destacou o executivo, sem citar prazos.

Sem ajuste nos preços do combustível, o projeto de investimento da petroleira pode ter impacto, destacou Barbassa. A Petrobrás tem um programa total de investimentos de US$ 236,5 bilhões para 2012/2016.

Barbassa afirmou que a política de manter os preços da gasolina dentro da média internacional está mantida. Desde o final de 2010, porém, o País está com cotações defasadas quando comparadas aos preços do exterior. A estratégia do governo vem sendo segurar o preço da gasolina para evitar impacto na inflação.

O executivo destaca que em alguns outros anos houve essa defasagem, inclusive com preços acima da média externa. "Mas nunca esteve como agora", disse logo após fazer palestras a investidores estrangeiros em um evento promovido em Nova York pelo Bradesco BBI.

Fonte: estadão.com.br