Atenção: Poupador deve deixar a poupança só a partir de R$ 5 mil

Desde 2005, mais brasileiros investem seus recursos e a preferência ainda é para a poupança

Ela é conhecida por render pouco, ser segura, não ter cobrança do Imposto de Renda nem de taxas de administração e ser a forma preferida dos brasileiros para guardar dinheiro. Mas, em algum momento, quem quiser aumentar o patrimônio terá de focar em outros tipos de investimentos além da caderneta de poupança. Vale a pena deixar a poupança e passar para a renda fixa em algumas situações, segundo os consultores financeiros ouvidos pelo Terra. As opiniões não são unânimes, mas, de modo geral, é vantajoso migrar quando o poupador já tiver R$ 5.000 guardados na caderneta.

Desde 2005, mais brasileiros investem seus recursos e a preferência ainda é para a poupança. De acordo com uma pesquisa da Associação Brasileira das Entidades de Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e do Ibope, de 57,6 milhões de brasileiros com mais de 18 anos das classes A, B e C, hoje, 44% deles aplica na caderneta de poupança. Em seguida, a previdência privada é a mais procurada, com 7% dos investidores. Com este mesmo percentual aparecem os investimentos em fundos de renda fixa e variável, como ações e multimercados. Na comparação com 2005, quando a pesquisa foi feita com 54 milhões de pessoas, 35% delas investiam na caderneta, seguido dos fundos de investimentos (4%), dos de previdência privada (2%) e dos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) (2%).

A rentabilidade paga no CDB está diretamente ligada ao valor investido. Quanto maior for a quantia, maior será a remuneração oferecida pela instituição financeira. Aqueles que pretendem investir em CDB devem optar por opções que paguem rentabilidade bruta de 98% do CDI - que hoje está em cerca de 11,7% ao ano. "Há bancos que oferecem 80% do CDI, mas é pouco", afirma o consultor e membro do Instituto Nacional de Investidores (INI) Mauro Calil.

Essa diferença de rentabilidade para um mesmo tipo de investimento acontece porque quanto maior a quantidade investida via CDB, maiores as possibilidades de os bancos utilizarem esse montante para outro emprétimo e, portanto, de receber o pagamento de juros. Nesta relação, o banco ganhará com a diferença entre a taxa que remunera os clientes e a taxa de empréstimo cobrada para emprestar este valor, diferença chamada de spread.

Para o consultor Ricardo Rocha, o poupador deve procurar a renda fixa quando tiver os R$ 5.000 para aplicar. Para ele, abaixo deste valor, a caderneta é mais vantajosa, pois a quantia que seria gasta ao pagar Imposto de Renda na renda fixa acabaria ficando com os ganhos desse rendimento e, assim, a rentabilidade líquida poderia equivaler ou ficar abaixo da paga pela caderneta. A poupança tem rendimento líquido de 6% ao ano mais Taxa Referencial (TR).

Para Leandro Moreira, diretor da área educacional da XP Investimentos, a troca da poupança pelo CDB é vantajosa a qualquer momento porque ambos são segurados pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) em até R$ 70 mil. No CDB incide a cobrança do Imposto de Renda, mas não há taxa de administração. "Existem CBDs com rentabilidades e prazos diferentes, mas a maioria vale à pena", afirma.

Para os fundos de renda fixa, a indicação é que eles não tenham taxa de administração maior do que 1% ao ano, caso contrário, também não será vantajoso fazer a troca devido à quantia que será despendida para pagar essa cobrança. Nesta modalidade, a taxa de administração também está ligada com o valor investido: quanto maior for a quantia, menor será a taxa de administração cobrada pela instituição.

Outra alternativa indicada é a compra de Letras de Crédito Imobiliário (LCI), que não têm cobrança do Imposto de Renda e, segundo Moreira, têm taxas médias de administração de 0,3% ao ano. "A rentabilidade é de 90% a 91% do CDI e tem cobertura do FGC", diz.

O LCI é um tipo de empréstimo que o investidor faz à instituição financeira, que usa essa captação para emprestá-la a alguém que tenha colocado seu imóvel como garantia de pagamento de uma dívida ao próprio banco.

Vale lembrar que para os investimentos em que há incidência do Imposto de Renda, a orientação é que o dinheiro fique aplicado entre, pelo menos, um ano e dois anos - a alíquota do IR vai caindo ao longo do tempo.

Com a expectativa de que a inflação feche o ano acima da meta do governo, que é de 4,5% ao ano, investir no Tesouro Direto é uma opção vantajosa para quem procura a estabilidade da renda fixa. A indicação é comprar papéis atrelados ao IPCA e à Selic (taxa básica de juros). "No entanto, o mais prudente sempre é diversificar. Neste caso, é indicado também comprar um papel pré-fixado caso a Selic caia", aconselha Calil.

Fonte: Terra, www.terra.com.br