Produção de cajuína muda realidade de assentamentos no Piauí

Produção de cajuína muda realidade de assentamentos no Piauí

E não foram apenas os negócios dos microempreendedores individuais que deram um salto com a criação da Cajuespi e de outras cooperativas e a ajuda do Sebrae. Além dos 120 cooperados, a produção da cajuína vem mudando a realidade de famílias que vivem em assentamentos no Piauí. Há cerca de três anos, eles começaram a entrar nesse mercado e hoje já são responsáveis por parte da produção da cajuína consumida no Piauí e fora do Estado.

A história do assentado Antônio de Araújo Oliveira exemplifica bem a contribuição da produção da cajuína dentro dos assentamentos e na melhoria de vida dessas famílias. Hoje ele produz 15 mil garrafas de cajuína por safra, com expectativa de aumento nos próximos anos, e já é o responsável pelo abastecimento dos dois maiores supermercados de Valença do Piauí e de alguns órgãos do governo do Estado. Mas nem sempre foi assim.

"Eu não tinha opções de emprego em Valença e fui buscar isso em São Paulo. Lá eu trabalhei no corte de cana, por cerca de oito anos. Depois disso voltei para o Piauí, em 2008, e passei a morar no assentamento Santa Rosa, no município de Valença. Eu sobrevivia da lavoura, com o cultivo de feijão, mandioca e caju e a renda que eu conseguia mal dava para manter minha família. Mas como eu já plantava caju, resolvi fazer um curso de produção de cajuína pelo Emater e me apaixonei. Comecei a produzir, no início era mais difícil, produzia apenas três mil garrafas por safra. Hoje está bem melhor e minha marca de cajuína está bastante conhecida e procurada", disse.

Além de Antônio, mais pessoas nesse e em outros assentamentos da região, como Barro Vermelho, no município de Aroazes, já iniciaram a produção de cajuína. E se antes Antônio produzia de forma quase que improvisada, hoje o assentamento onde ele mora possui uma fábrica para uso dele e dos demais produtores. Para a compra de insumos de forma mais barata eles contam com as facilidades conseguidas pela Cooperativa de Cajucultores do Estado do Piauí (Coopcaju), que, a exemplo dos cooperados da Cajuespi, também compram os insumos com descontos. Maria Lourdes Silva Cortez, membro da Coopcaju e extensionista do Emater, conta que, apesar de os assentados da região ainda estarem iniciando a sua produção, ela já corresponde a cerca de 50% da renda dos assentados.

"Depois que eles começaram a produzir a cajuína a realidade deles mudou. Nos assentamos há uma boa plantação de caju, que sempre foi subaproveitado. O caju de ótima qualidade estava sendo estragado e eles aproveitavam apenas a castanha. Hoje já é possível a produção da cajuína", afirmou. E não é apenas na Região de Valença e Aroazes onde os assentados estão iniciando esse negócio. Existe produção de cajuína em mais assentamentos espalhados pelo Estado, como Inhuma e Altos, por exemplo. Lenildo explica que o ganho que os assentados tem com os incentivos e a ajuda do Sebrae, da Cajuespi e dos demais órgãos e cooperativas em todo o Piauí são incalculáveis, mas não é apenas isso, o processo de produção dessa bebida também acaba sendo preservado, o que se tornou ainda mais necessário após o reconhecimento da cajuína como patrimônio cultural.

"Nós da Cajuespi e do Sebrae também ganhamos por desenvolver a produção de cajuína no Piauí, seguindo os processos de produção típicos do nosso Estado. Nossa cajuína é patrimônio cultural por causa da nossa produção tradicional e práticas socioculturais e não podemos deixar que isso se perca", explicou Lenildo.



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Fonte: Pollyana Carvalho - Jornal Meio Norte