Quaresma não atrai consumidores e feirantes reclamam de vendas razoáveis

Quaresma não atrai consumidores e feirantes reclamam de vendas razoáveis


O mercado ainda não está sentindo o aumento de vendas proporcionado pela Semana Santa. O feriado prolongado, que este ano será celebrado a partir do dia 3 de abril, é um dos principais impulsionadores das vendas de alimentos como milho, peixe, mandioca e ovos; mas até o momento o aumento das vendas ainda não aconteceu. Feirantes se queixam do movimento fraco nos mercados e a população reclama da alta de preço dos produtos, que se transformam em empecilho na hora de preparar os tradicionais pratos do período. Trabalhando há mais de dez anos com a venda de milho verde no Mercado do Mafuá, zona Norte da capital, o feirante César dos Santos classifica as vendas como razoáveis.

Como o milho da roça, nutrido pela água das chuvas, ainda não chegou em sua banca, ele é obrigado a vender um produto irrigado artificialmente que é mais caro e menos saboroso. “Não está dando para vender mais em conta porque esse que está chegando ainda não é ‘do bom’.Como é mais caro, a freguesia leva menos para casa”, analisa o comerciante. Nas condições atuais, o vendedor Lourenço Neves comercializa cerca de mil unidades de milho em um dia de feira. Já nos dias que antecedem a Semana Santa, a venda aumenta para três mil itens.

Atualmente, cada peça de milho é vendida por R$ 1,50 e seis unidades custam R$ 5. Já no feriado, 10 unidades são comercializadas por R$ 5 no Mercado do Mafuá. “Quem sabe, com a chegada da Semana Santa, o cliente meta a mão no bolso e esqueça do preço alto. Temos que torcer. De qualquer forma, as vendas não estão boas. A esperança está no período Santo, pois independente do preço, o cliente compra mesmo”, diz Lourenço Neves. Quem vende peixe também não tem motivos para comemorar. As vendas ainda não decolaram e o produto demora mais tempo para sair da prateleira. “Às nove horas da manhã da semana passada eu já tinha vendido todo o meu estoque de peixe. Hoje ainda não despachei nem a metade. Vendo cerca de 70kg de peixes por dia, mas a venda ideal neste período seria de aproximadamente 200kg. Já era para estarmos vendendo nessa faixa”, lamenta o comerciante Emerson Rocha.

Ele avalia que, mesmo que o preço do peixe esteja equiparado ao valor cobrado na Semana Santa de 2014, o produto está vendendo menos que ano passado. Emerson prevê que o mercado local terá condições de abastecer a população com a quantidade de peixes que for necessária. Segundo ele, mesmo que a procura aumente, os fornecedores aumentam a oferta de produtos para os vendedores de mercados e supermercados. “Quem trabalha com isso já sabe que o peixe vai vender mais na Semana Santa, logo, eles preparam o estoque e não deixam faltar”, explica.

Mas ele alerta que os consumidores que desejam economizar devem comprar o produto com antecedência, pois é esperado que o valor do peixe suba vertiginosamente às vésperas do feriado. “É a lei da oferta e da procura. Quanto maior a procura, mais os preços aumentam. E nós vendedores não podemos fazer muita coisa porque o produto já nos é repassado com o aumento”, avisa.

Consumidores pretendem comprar tudo que precisam

Nem a alta geral dos alimentos e a diminuição do poder de compra farão com que os consumidores teresinenses deixem de fora alguns produtos da lista de compras. Determinados a oferecer uma farta refeição para os familiares, alguns consumidores não medirão esforços para adquirir todos os alimentos que forem necessários, mesmo que isso represente um gasto a mais. "Ainda não comprei nada, estou esperando o pagamento sair no fim do mês para começar a comprar minhas coisinhas", conta a aposentada Carneiro.

Segundo Sheila, o preço das coisas está mais alto se comparado ao mesmo período do ano passado. "Estou achando um pouco mais caro, mas vou comprar o que sempre costumo comprar, mesmo que os preços estejam mais altos que ano passado. A alimentação é prioridade e não é por causa do preço que vou deixar de oferecer um almoço de rei para meus filhos e netos. Depois a gente se preocupa em economizar para cobrir o rombo que foi as compras da Semana Santa", finaliza.

Fonte: Olegário Borges - Jornal MN