Sem chuvas, gastos para gerar energia sobe R$ 400 mi por mês

Os valores serão rateados nas contas em meados do próximo ano, quando for feito o reajuste anual das tarifas.

Acionadas em maior número neste ano por conta do período seco mais prolongado e intenso, as termelétricas geram uma despesa adicional de R$ 400 milhões ao mês a todos os consumidores do país, segundo informou o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico).



Os valores serão rateados nas contas em meados do próximo ano, quando for feito o reajuste anual das tarifas. Até lá, as distribuidoras arcam com o custo, repassando-o só em 2013 aos consumidores.

Para Nivalde de Castro, professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), a geração térmica em 2012 superou a previsão inicial realizada no começo de cada ano e vai onerar as tarifas de 2013, reduzindo o benefício do corte de encargos e tributos anunciado pelo governo em setembro.

O valor estimado pelo ONS corresponde ao custo de 37 usinas termelétricas movidas a óleo diesel e a óleo combustível, localizadas em sua maioria na região Nordeste -a mais afetada pela estiagem e pela redução do nível dos reservatórios das hidrelétricas.

Essas usinas entram numa categoria de geração emergencial, segundo o ONS. O objetivo é dar confiabilidade ao sistema e evitar problemas como apagões e cortes programados no fornecimento.

Ao longo do ano, algumas térmicas ficam desligadas, mas recebem uma "mesada" para cobrir seus custos básicos e para remunerar seus investimentos.

Quando há necessidade, são ligadas e recebem o valor da energia no chamado mercado livre, ou seja, aquele no qual a energia é negociada fora de contratos.

O preço nesse mercado está em R$ 430 o MWh, valor que se situava na faixa de R$ 90 o MWh no começo de agosto, antes do período crítico dos reservatórios.

Segundo o ONS, a seca depreciou rapidamente o volume das principais barragens do país. Na usina de Furnas (Sudeste), o nível estava em 28% em outubro, 58% abaixo ao de igual mês de 2011.

Já em Tucuruí (Norte), o volume de 16% era 25% inferior ao de outubro de 2011.

Além do custo das 37 usinas emergenciais, as outras térmicas que foram ligadas agora também são remuneradas. Uma parte delas recebe por meio de contrato firmado entre geradores e distribuidoras. Outras são ressarcidas pelo combustível que usam quando são acionadas.

Nesses casos, porém, o ONS não encara o pagamento como extraordinário, já que essas usinas entram na "fila" para serem integradas ao sistema por ordem de custo -do mais baixo para o mais alto.

Fonte: Folha