Sem chuvas, geração térmica atinge limite máximo e preocupa

"Estamos no limite máximo. É o nosso recorde histórico de geração térmica", disse a Petrobras.

A demora nas chuvas e o aumento do consumo levaram o país a um recorde na geração de energia por queima de combustíveis e estão provocando o aumento da importação de gás natural. "Estamos no limite máximo. É o nosso recorde histórico de geração térmica", disse Graça Foster, presidente da Petrobras.


Sem chuvas, geração térmica atinge limite máximo e preocupa

Nos primeiros nove meses de 2012 as vendas de energia elétrica pela Petrobras subiram 20%, enquanto a compra de GNL para atender as térmicas subiu 277%.

O ONS (Operador Nacional do Sistema) informou ontem que as 20 térmicas do país estão sendo ativadas por conta da demora das chuvas. Enquanto isso, o consumo de energia no país cresceu 6% em outubro. No subsistema Sudeste/Centro-Oeste, que abrange metade do consumo total, a alta foi de 7,1%.

Na manhã de ontem, a Petrobras alimentou termelétricas que geravam 8.374 MW, capacidade que corresponde a mais da metade de usina de Itaipu, a maior do país.

Desse total, 5.741 MW eram de térmicas da própria estatal. O restante provinha de usinas de outras empresas. Apenas cerca de 600 MW correspondiam a térmicas a óleo.

O gás importado custa mais caro do que o produzido no país. Atualmente, a Petrobras importa 18,5 milhões de metros cúbicos/dia. O preço médio ficou em US$ 12 o milhão de BTU (unidade de calor, usada para gás natural), enquanto o gás nacional custa US$ 8.

Em menor escala, o problema é semelhante ao do aumento na importação de gasolina em razão do consumo mais intenso. Também há grande defasagem de preço em relação ao internacional.

O uso recorde das termelétricas deve perdurar, ao menos, até o fim deste mês, quando se encerra o período de seca, prevê Alcides Santoro, diretor de Gás e Energia da Petrobras.

Na avaliação do analista Lucas Brendler, do Banco Geração Futuro de Investimentos, o aumento da geração térmica no país agrega valor ao segmento de Gás e Energia da Petrobras, o que é positivo.

Mas a situação poderá ficar complicada depois da aprovação das novas regras para o setor de energia, que poderão reduzir o preço de remuneração da estatal.

Fonte: Folha