Venda de casas deve bater recorde em 2010

Sindicato prevê comercializar 37,5 mil unidades; maior número é de 2007 (36,6 mil)

O primeiro semestre foi o segundo melhor da história na venda de imóveis novos em São Paulo, com 17.005 unidades comercializadas. As previsões do setor para o segundo semestre são tão positivas que o Secovi-SP diz que o ano de 2010 deve superar o recorde de 2007, quando 36,6 mil unidades foram negociadas.

Celso Petrucci, economista-chefe do sindicato, diz que o segundo semestre concentra a maior parte dos lançamentos e das vendas de residências. A previsão é de atingir a marca de 37,5 mil unidades comercializadas até dezembro.

- O mercado hoje vem crescendo, impulsionado pelos financiamentos para a classe média e para a baixa renda. Se atingirmos a meta estipulada no começo do ano, 2010 pode terminar como o melhor ano para a habitação.

Mas o economista reconhece que não é uma marca fácil de ser batida. De julho a dezembro, o Secovi-SP diz que precisam ser feitas e entregues ao menos 20 mil moradias na cidade.

No primeiro semestre do ano passado, foram lançadas 8.200 unidades, e vendidas 14,3 mil; na segunda metade de 2009, esses números quase dobraram: 23,4 mil lançadas e 21,4 mil comercializadas.

- Desde o fim do ano passado, observamos uma recuperação forte. Historicamente, os lançamentos e vendas de imóveis crescem de 53% a 60% no segundo semestre. Os estoques estão sendo consumidos, mas dependemos de aprovações para colocar novos empreendimentos no mercado.

Pelos dados do instituto, os lançamentos bateram nas 37 mil unidades nos últimos doze meses, enquanto o número de projetos aprovados vem recuando, ficando em 32 mil no mesmo período. A diferença pode causar um grande efeito nas contas do ano.

Falta lugar

João Crestana, presidente do Secovi-SP, diz que as aprovações apontam para um problema que tende a ficar mais grave daqui pra frente: a falta de terrenos disponíveis para construção na cidade.

- A cidade de São Paulo está repelindo projetos. Todos os anos há entre 30 mil e 40 mil famílias procurando imóveis, que acabam indo morar na Grande SP. Viver aqui vai ficar cada vez mais caro e isso é reflexo da falta de terrenos baratos, da legislação restritiva e de questões ambientais que muitas vezes barram os projetos.

O Plano Diretor da cidade limita as construções, definindo áreas máximas para cada empreendimento de acordo com o terreno. Esse número é obtido por uma conta chamada coeficiente de aproveitamento (CA).

Para qualquer área da cidade, esse coeficiente é um. Significa que a área construída, considerando cada apartamento lado a lado, só pode ter o tamanho equivalente ao do lote.

Alguns bairros têm coeficiente quatro (permite construir o quádruplo da área do terreno), sobretudo se forem perto de estações de metrô e trem. A maioria das regiões da cidade, contudo, limita a construção ao dobro da área do terreno (coeficiente dois).

Petrucci diz que esse é um dos maiores impedimentos para a manutenção do forte crescimento imobiliário em SP.

- Dos projetos aprovados pela Prefeitura, vemos que o maior número foi em outubro de 2008 [46,8 mil]. No caso dos lançamentos, mesmo que vendamos mais do que em 2008, não vamos conseguir produzir mais do que naquele ano.

Fonte: R7, www.r7.com