"Ele foi a festa e agora está em um caixão", diz mãe que ainda tem outro filho em estado grave

"Ele foi a festa e agora está em um caixão", diz mãe que ainda tem outro filho em estado grave

"Meus filhos saíram de casa bonitos, contentes, faceiros, os dois irmãos juntos", contou.

No dia seguinte da tragédia em Santa Maria, Ana Maria conversou com Elaine Gonçalves, que tinha seus dois filhos na boate Kiss no momento do incêndio. Davis morreu no local e Gustavo está internado em estado grave em um hospital do Rio Grande do Sul. Elaine não pôde acompanhar a transferência de Gustavo para o hospital de Porto Alegre, pois está velando o outro filho no Centro Desportivo Municipal e não se conforma com o acontecido: ?É terrível, é muito triste. Meus filhos saíram de casa bonitos, contentes, faceiros, os dois irmãos juntos. Meu filho saiu para ir a uma festa e agora ele está aqui, dentro de um caixão. Eu exijo justiça".

Elaine narrou o momento em que encontrou o filho Gustavo antes de ele ser transferido para a capital. "Ele sofreu queimaduras no corpo, o rosto dele estava perfeito. Ele estava sedado e entubado, mas eu falei no ouvido dele: "Gustavo, a mãe está aqui, a mãe está aqui contigo"", relembrou a senhora que, até aquele momento, ainda não tinha notícias do outro filho.

Davis morreu na boate Kiss e a mãe, ao encontrá-lo, não notou marcas de queimadura pelo corpo. "Mas o rosto estava desfigurado, estava feio. Eu não sei o que ele sofreu, eu não tenho como saber", disse Elaine. Segundo ela, o Centro Desportivo Municipal estava lotado de pessoas aos pratos, à procura de informações sobre seus familiares. "Como é que pode? Não tinha fiscalização na tal da boate? Uma boate imensa, cheinha de gente, e não deixaram os rapazes saírem, trancaram a única, a única porta. Imagina o desespero dessas criaturas querendo sair e não podendo", questionava a mãe, sem resposta.

Jeferson Saraiva foi um dos sobreviventes da tragédia e contou como tudo aconteceu. ?A música estava rolando, a gente não percebeu nada. Eu corri por instinto. Eram cenas de filme de guerra!?, relembrou o estudante.

Edi Paulo Garcia, capitão do Corpo de Bombeiros da região, coordenou o salvamento das vítimas do incêndio: ?Eu estou desde ontem aqui. Não caiu a ficha ainda, estou queimado, com os olhos irritados, foi um caos". O capitão também confirmou que muitas pessoas tentaram fugir pelo banheiro da boate e acabaram morrendo ali: ?Achamos pessoas com a cabeça dentro do vaso, tentando encontrar oxigênio de qualquer jeito. Eu tirei 90 pessoas só do banheiro feminino?.

Fonte: G1