"Ele foi o melhor pai que se possa imaginar", diz filha de Michael Jackson

Joe e Katherine Jackson, pais do cantor, foram à cerimônia mas não fizeram declarações

Em sua primeira declaração pública, a filha de Michael Jackson, Paris Michael Katherine Jackson, de 11 anos, foi às lágrimas ao falar sobre o seu pai diante de um público de cerca de 18 mil fãs, amigos, representantes da música pop, estrelas do esporte e líderes religiosos e dos direitos civis que participaram da cerimônia de adeus ao cantor nesta terça-feira (7), em Los Angeles.

"Só queria dizer que, desde que eu nasci, o papai foi o melhor pai que eu poderia imaginar. Só queria dizer que eu te amo tanto", disse a garota, chorando muito e em uma das até agora raras aparições públicas sem o véu que o pai obrigava os filhos a usar. Dividindo o palco com irmãos de Jackson, ela foi abraçada e confortada por Janet Jackson.

"Tento encontrar palavras de conforto. Tento entender por que Deus tirou nosso irmão para voltar depois de uma visita tão curta na Terra", emocionou-se Marlon Jackson, usando uma luva de brilhantes como a que foi imortalizada por Michael. "Quero apenas pedir agora que dê ao irmão gêmeo, Brandon, um abraço por mim", completou Marlon, referindo-se ao irmão morto ainda no parto.

Joe e Katherine Jackson, pais do cantor, foram à cerimônia mas não fizeram declarações ao microfone.

Brooke Shields e o "Pequeno Príncipe"

Em outro momento emocionante da cerimônia, realizada no ginásio Staples Center, em Los Angeles, a atriz Brooke Shields também chorou quando lembrou do amigo, a quem conheceu há 30 anos e chamou de "Pequeno Príncipe".

"Me lembro de quando nos conhecemos e de tanto tempo que passamos juntos. Sempre que saíamos, tinha uma foto sendo tirada ou alguma manchete que dizia algo como "um casal esquisito, ou um "par improvável". Para nós, era a mais natural e fácil amizade", disse a ex-atriz mirim. "As pessoas se referiam a ele com frequência como o Rei. Mas, para mim, ele lembrava mais o Pequeno Príncipe", completou antes de ler um trecho do livro de Antoine de Saint-Exuperi.

Funeral

Os irmãos de Jackson carregaram o caixão do cantor, parte dourado e coberto por rosas, até o interior da arena esportiva Staples Center. Milhares de pessoas que não conseguiram o ingresso (sorteado pela internet) para o funeral público ficaram do lado de fora, embora o número tenha sido bem menor ao de 250 mil pessoas que foi previsto pela polícia da cidade. Muitos dançaram e cantaram sucessos de Michael Jackson.

Um grupo gospel começou a despedida com o coro de "Nós vamos ver o rei" e um clipe mostrou cenas da carreira e performances, como a de "Ben". Mariah Carey lembrou o sucesso "I"ll be there", do período em que o cantor era dos Jackson 5. Jennifer Hudson, Stevie Wonder, John Mayer, além do irmão Jermaine Jackson, também fizeram homenagens musicais ao astro pop. Usher cantou "Gone too soon" (algo como uma "partida muito cedo").

Smokey Robinson, um dos maiores nomes da soul music, leu mensagens da cantora Diana Ross e do ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela. "Michael foi o maior astro do planeta", disse a cantora e atriz Queen Latifah. Magic Johnson e Kobe Bryant, jogador do Los Angeles Lakers, leram também discursos para lembrar o astro.

Berry Gordy, fundador da lendária Motown, a primeira gravadora de Michael Jackson, deu uma das declarações mais fortes da cerimônia. "Quanto mais eu penso em Michael e falo sobre Michael eu acho que "rei do pop" não é suficiente. Eu acho que ele foi simplesmente o maior artista que já existiu."

Na manhã desta terça, familiares e amigos próximos de Michael Jackson, estiveram em uma cerimônia íntima no Memorial Park, nas colinas de Hollywood. O cantor morreu no último dia 25 de junho após sofrer uma parada cardíaca e ser levado às pressas para o hospital UCLA Medical Center, em Los Angeles. Ele não estava respirando quando os paramédicos chegaram à sua casa e deu entrada no hospital em estado de coma.

A polícia de Los Angeles fez diversas barreiras para organizar o show de despedida. À agência Reuters um dos fãs que conseguiram ingresso no sorteio via internet comparou a cerimônia à de outros grandes astros da história. "Esta é certamente uma ocasião grandiosa de dimensões iguais, se não maiores, do que a morte de Elvis Presley", afirmou Steve Howard, que veio da cidade de Glendale, na Califórnia.

Segundo o porta-voz do município de Los Angeles, os custos com o esquema de segurança para a homenagem são estimados entre US$ 2 milhões e US$ 4 milhões.

Debbie Rowe, mãe de dois dos filhos de Michael Jackson, e a amiga Elizabeth Taylor, não participaram da despedida. A última declarou que o evento era um "circo".

Fonte: g1, www.g1.com.br