Em meio a eleições e ataques, Afeganistão impõe censura à mídia

O movimento fundamentalista islâmico Taleban já ameaçou realizar ataques no dia da votação

 O governo do Afeganistão ordenou nesta terça-feira que meios de comunicação ocidentais e afegãos não falem de violência durante as eleições presidencial e provinciais que acontecerão nesta quinta-feira (20) para que o medo não impeça os cidadãos de irem votar. O movimento fundamentalista islâmico Taleban já ameaçou realizar ataques no dia da votação e pediu aos cidadãos que fiquem em casa. Somente nesta terça-feira, 22 pessoas morreram em diferentes ataques ocorridos em várias regiões do país.

Entre os mortos estão militares da Otan (a aliança militar ocidental); equipes da Comissão Eleitoral Independente, a entidade afegã que é responsável pela organização e realização do pleito; e um candidato a conselheiro provincial. O governo assinou dois decretos. O primeiro --e mais polêmico-- é do Ministério de Relações Exteriores e proíbe a veiculação de informações sobre casos de violência das 6h às 20h desta quinta-feira (das 21h30 de quarta às 12h30 de quinta-feira, em Brasília).

Há duas particularidades. A primeira é a de que o texto não expõe fundamentos legais para a decisão nem informa eventuais consequências do seu descumprimento; e a segunda é que a versão em inglês dos documentos usa o termo "request", que seria um "pedido", no entanto, segundo a agência de notícias Reuters, a versão original, em dari --um dos idiomas oficiais do país--, afirma que a veiculação de notícias está "estritamente proibida". "Tomamos essa decisão em nome do interesse nacional do Afeganistão, para encorajar as pessoas a se animarem, saírem e votarem", disse Siamak Herawi, porta-voz do presidente Hamid Karzai, candidato a reeleição. "Essa decisão irá controlar o impacto negativo dessas notícias. Se algo acontecer, irá evitar que seja exagerado, assim as pessoas não irão temer sair e votar", completou.

O chefe da Associação Independente de Jornalistas do Afeganistão (Aija, na sigla em inglês), Rahimullah Samander, afirmou que os decretos não irão impedir os profissionais de fornecer informações ao público durante esse importante período, que são as eleições. "Isso mostra a fraqueza do governo e nós condenamos esse ato, que priva as pessoas de notícias." Desde a deposição do Taleban do poder, em 2001, os meios de comunicação afegãos cresceram muito. Há, atualmente, TVs e rádios privadas, bem como jornais e revistas.

Fonte: Folha Online, www.folha.com.br