Escavação irregular apresenta risco de deslizamento na zona Sudeste de Teresina

Escavação irregular apresenta risco de deslizamento na zona Sudeste de Teresina

Empresa fazia extração clandestina em jazida da Prefeitura Municipal de Teresina

Uma escavação irregular de terra por pouco não provocou um acidente na zona Sudeste da capital. Uma jazida pertencente à Prefeitura Municipal de Teresina, localizada no Residencial Pedro Balzi, estava sendo explorada clandestinamente por uma empresa privada.

O local foi interditado, mas ainda oferece riscos de deslizamento. Há 280 famílias residindo na região. A Superintendência de Desenvolvimento Urbano da zona Sudeste (SDU/Sudeste) notificou a empresa e cancelou qualquer tipo de escavação na área.

“Na última quinta-feira nós fizemos uma intervenção lá. Foi cancelada a jazida e não vai mais funcionar nem um tipo de exploração lá durante este período de chuvas”, explica Odaci Soares, gerente de Fiscalização.

O local era utilizado para a extração de material de construção civil, como barro e seixo. Odaci Soares explica que a empresa estava autuando há alguns anos, mas quando a prefeitura tomou conhecimento, prontamente interveio.

“Estavam fazendo exploração clandestina sem nenhuma autorização. Antes a Prefeitura Municipal de Teresina utilizava a jazida para obras do próprio município”, declara Odaci.

Caso haja reincidência da irregularidade, a empresa estará sujeita a multas e apreensões de maquinário. “A empresa foi notificada e também foi conversado que, caso ainda ocorra qualquer tipo de extração, vamos apreender os equipamentos, multá-los através da STRANS, e também aplicaremos uma multa no valor de R$ 1.153,00, que dobra a cada reincidência”, explica o gerente de Fiscalização.

Em casos de famílias residindo em áreas de risco, a Prefeitura de Teresina faz o encaminhamento para programas como o Minha Casa, Minha Vida. “A SDU/Sudeste também conversou com as famílias que moram naquela invasão, e orientamos que eles não realizem qualquer tipo de construção ali, pois aquela área é de extremo risco”, finaliza Odaci Soares.

População ignora riscos

As pessoas que vivem próximas ao local onde ocorre a extração de minérios desprezam os riscos da área. A ocupação irregular do terreno começou há mais de dois anos e já formou um suntuoso barranco.

A moradora Heline Moura construiu sua casa no local há nove meses e, em sua opinião, o barranco não oferece riscos. Após ser questionada sobre o perigo, argumentou: "A única coisa que podemos fazer é entregar para Deus. Não temos para onde ir", explica.

Mais à frente, um grupo de pessoas que também estão construindo casas na região, mais próximo do barranco que a casa de Heline, zombou do perigo. "Isso aí não cai não, e se cair cai por cima da gente e a gente segura!", brinca um. "Tem gente lá em cima também para não deixar cair", aponta outro.

Extração ilegal continua, diz Associação dos Moradores

A Associação dos Moradores local, representada por Fábio Rogério Melo e João Bosco Rocha, pede a urbanização do local, além da paralisação imediata da extração de minérios da jazida. Isso porque o risco não é só para quem mora embaixo, pois os moradores da parte de cima do barranco também estão ameaçados, o que pode causar uma grande tragédia.

"Eles têm que parar! O risco é muito alto de acontecer uma tragédia. É só a SDU/Sudeste sair daqui que os carros voltam e continuam tirando barro", afirma João Bosco.

Mas, apesar disso, o pessoal da parte de cima está "melhor" que o da parte de baixo. É que as 280 famílias que ali moram já possuem registro com a Prefeitura Municipal de Teresina. "O Firmino assinou dia 17 de janeiro, não esqueço nunca desta data", diz a sorridente Elizandra Lima.

Porém, as revindicações por melhorias naquela área continuam. Além do principal problema, que é o risco de desabamentos, o local carece também de um processo de urbanização.

Atualmente, apenas algumas casas possuem abastecimento d'água, e energia elétrica ainda é um sonho de muitos. "Aqui a gente trabalha muito, não somos uma invasão.

Somos uma ocupação, estamos regularizados. Queremos gente para morar, e não aquelas pessoas que têm casa e vêm para poder vender no futuro", critica Fábio Melo.

 

Fonte: Carolina Durães e Lucrécio Arrais