Estudo inédito faz levantamento de fungos na Serra da Capivara

Com isso, conseguiu ampliar o conhecimento na área de micologia

Quando o assunto é relacionado a fungos boa parte da população cria estereótipos sobre doenças ou apodrecimento de alimentos. No entanto, as espécies deste reino também são importantes para o fluxo da vida humana, animal e vegetal. Dessa forma, o Laboratório de Micologia (Labmico) da Universidade Estadual do Piauí (Uespi) trabalha pesquisas com intuito de desmistificar as verdadeiras funções dos fungos.

O Labmico é formado por uma professora e alunos do curso de Ciências Biológicas (Uespi/Torquato Neto) e tem como principal pesquisa o “Levantamento de Mixomycetes e Aphyllophoralesencontrados no Parque Nacional Serra da Capivara (PI)” feito pela professora Márcia Percilía, doutora em Biologia de Fungos . O estudo, inédito, realiza o levantamento de fungos do referido parque. “É o primeiro levantamento ecológico realizado para aquela unidade de conservação, que até então não tínhamos nenhuma referência bibliográfica. Mostrei interesse em pesquisar e tive apoio durante os quatro anos de coleta”, afirma a docente.

Para realização do levantamento, a pesquisadora fez o percurso nos 130 mil hectares do Parque. Com isso, conseguiu ampliar o conhecimento na área de micologia a nível local e nacional, além constatar quais tipos de grupos são encontrados no local. “De modo geral contribuímos para a questão ecológica, pois será possível verificar quais fungos terão aproveitamento na culinária, além do uso para o tratamento de doenças. Também é importante mostrar todo os aspectos dos fungos, tanto lado positivo quanto negativo”, diz.

Segundo Márcia Percília, o primeiro passo já foi realizado, que é saber quais grupos existem. Já o segundo acontece através dos trabalhos desenvolvidos pelos alunos bolsistas. “Quando sabemos o que tem é mais fácil apontar quais poderão ter aproveitamento. Como também proporcionamos a prática de trabalho aos alunos, que poderão até seguir após a graduação”, afirma.

Pesquisa contribui para o conhecimento sobre fungos

As pesquisas realizadas pelo laboratório são relacionadas à Micologia, ou seja, a ciência que estuda o reino fungi, como é tecnicamente intitulado. Conhecidos popularmente por bolores, mofos, lêvedos ou cogumelos-de-chapéu (champignon), o grupo é bastante numeroso e resistente, podendo sobreviver por milhares de anos, sendo necessário apenas umidade e temperatura.

Os fungos estão presentes em todo o planeta (água, terra, ar) e suas funções são por muitas vezes mal interpretadas.

O primeiro pensamento sobre os fungos é relacionado a destruição madeiras, roupa, além da formação do mofo bolor e proliferação de alimentos estragados. No entanto, eles são organismos importantes para a sociedade, tendo alguns presentes no chocolate, iogurte, queijo, dentre outros.

Dessa forma, a pesquisa pretende mostrar que os fungos também realizam reciclagem de matéria morta para em seguida serem transformadas em materiais reaproveitados, além de outros benefícios. “Alguns desses fungos já estão comprovadamente combatendo o câncer e a Aids. Outro aspecto é que muitos deles podem ser comestíveis e nutricionalmente são mais vantajosos que a carne vermelha”, destaca.

A biotecnologia (uso de organismos vivos ou parte deles, para a produção de bens e serviços) também pode ser beneficiada.

Laboratório beneficia pesquisas na área de licenciatura

A pesquisa é formada, além da orientação de Márcia Percilía, por três alunas bolsistas que realizam os trabalhos no Zoobotânico e Floresta Nacional de Palmares de Teresina. Com isso, os estudos contribuem para formação acadêmica das estudantes.

Deyse Kalyne Guimarães, estudante do 7º bloco do curso de ciências biológicas, confirma a importância da pesquisa para um curso de licenciatura. “Pensamos que a licenciatura é somente para ministrar aula e vemos que o laboratório proporciona pesquisas. Se eu quero me tornar bióloga eu preciso da área para minha formação, pois é interessante participar de palestras e ir ao campo”, conta.

A pesquisa também será um dos temas da primeira turma do curso de biologia a realizar Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) na Uespi. A estudante Patrícia Brito escolheu a área dos fungos. “Escolhi porque é uma área linda e a espécie tem uma importância para todo meio ambiente, não somente o lado negativo. Por isso, acho importante para minha formação acadêmica e ter futuro promissor na área”, diz.

Além disso, o levantamento garante a publicação de trabalhos, dentre os principais para uma revista chinesa. A construção do Labmico é também um dos resultados positivos, pois o mesmo foi construído através de projeto feito pela pesquisadora Márcia Percilía, que foi aprovado através de programas da Pró-Reitoria de Extensão, Assuntos Estudantis e Comunitários (Prex).

Fonte: Thays Teixeira e Daniely Viana