Cansaço e mau tempo provocaram acidente de Eduardo Campos, diz FAB

O avião se chocou contra um edifício em 13 de agosto de 2014

Eduardo Campos morreu em 2014 (Crédito: Divulgação )
Eduardo Campos morreu em 2014 (Crédito: Divulgação )


O acidente aéreo no qual morreu o candidato à presidência Eduardo Campos, em plena campanha eleitoral de 2014 pode ter sido provocado pelo cansaço do piloto e do copiloto e pelas más condições meteorológicas, segundo as conclusões do relatório final da investigação divulgado nesta terça-feira.

O responsável pela investigação, o tenente-coronel Raul de Souza, afirmou que o avião voava a uma "velocidade muito agressiva" e o piloto fez uma manobra "não recomendada" para evitar aterrissar no aeroporto de Santos, que estava sob um temporal, o que acabou provocando o acidente no qual morreram os sete ocupantes da aeronave.

O avião se chocou contra um edifício em 13 de agosto de 2014 perto do aeroporto de Santos, onde o candidato do PSB, que aparecia como terceiro colocado nas enquetes, participaria de um ato da campanha eleitoral.

A investigação, conduzida pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) da Força Aérea Brasileira (FAB), durou 17 meses e descartou a possibilidade de que o acidente tenha sido consequência de uma falha técnica, um incêndio ou uma colisão em voo.

Apresentação do relatório da FAB (Crédito: G1)
Apresentação do relatório da FAB (Crédito: G1)


Segundo Souza, se os pilotos tivessem seguido as instruções da carta de navegação, "poderiam ter aterrissado com segurança" apesar das condições meteorológicas adversas em Santos, com chuva e vento intensos.

O responsável pela investigação ressaltou que ambos tripulantes não tinham realizado os cursos necessários para pilotar o avião acidentado, um Cessna 560XLS, o que é um fator que pode ter contribuído para atrasar o tempo de resposta perante as adversas condições de voo.

O comandante Marcos Martins, com 20 anos de experiência, tinha voado 130 horas nesse avião e tinha realizado treinamentos para pilotar um modelo similar, o Cessna 560.

O relatório sugere que o piloto poderia estar cansado pela excessiva carga de trabalho que suportou nas semanas precedentes ao acidente.

Entre 1º e 5 de agosto de 2014, os pilotos infringiram a lei de aeronáutica ao voar mais horas que as permitidas, mas na semana prévia ao acidente não incorreram nenhuma irregularidade.

Os investigadores também recorreram a um especialista que analisou a gravação da cabine e que assegurou que a voz do piloto é "compatível" com uma situação de "fadiga e inércia", embora esta hipótese não esteja comprovada.Segundo Souza, o mau tempo, a possível fadiga e a falta de treinamento poderiam ter contribuído para uma "desorientação" dos pilotos na hora de realizar a manobra de aterrissagem, na qual se desviaram da rota habitual e fizeram uma manobra "oposta" ao recomendável.



Destroços do avião  (Crédito: G1)
Destroços do avião (Crédito: G1)
Fonte: Terra