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••• atualizado em 01 de Julho de 2012 às 07:14

Saúde pública: Falta de vagas leva pacientes a hospital particular no PI

PUBLICADO POR

Samara Costa


Repórter

Há um mês, o lavrador Raimundo Alves começou a sentir dores no peito. Natural da cidade de Barão de Grajaú, o maranhense de 53 anos foi encaminhado para Teresina, pois o posto de saúde da sua cidade não conseguiu identificar o problema do agricultor. Ao chegar na capital ele não pôde ser atendido em uma unidade pública, pois não havia vagas.

Aflito, precisou recorrer a uma clínica particular. Foi quando descobriu que necessitava realizar uma cirurgia de ponte safena com urgência. ?Foi um momento muito difícil. Se fôssemos depender do hospital público, ele poderia ter morrido antes mesmo de conseguir atendimento?, conta Maria Fonseca, esposa de Raimundo.

Casos deste tipo não são nenhuma novidade. Diariamente, centenas de pessoas se amontoam em filas para conseguir uma vaga nos hospitais públicos da capital, já que o Sistema Único de Saúde não consegue absorver a demanda de pessoas em busca de tratamento. Apenas o Hospital de Urgências de Teresina (HUT) realiza cerca de 9 mil atendimentos por mês e sempre funciona com todos os leitos ocupados.

O problema de Raimundo teve um desfecho feliz, pois, como era um caso de urgência, conseguiu prioridade na lista de espera para realizar a operação. Não fosse por isso, teria amargado meses até conseguir uma consulta. Sem alternativas, muitos pacientes de outros municípios são obrigados a procurar atendimento em clínicas particulares, uma despesa alta e quem nem sempre está de acordo com o poder aquisitivo dessas pessoas.

Foi o que aconteceu com o vigilante Jonas Oliveira, que veio com a filha Luiza realizar um check-up. Na cidade a quatro dias, Jonas também não conseguiu atendimento em hospitais públicos. Sem parentes ou amigos na capital, tiveram que recorrer a uma pensão. ?Em Teresina encontramos o melhor atendimento, mas não sabíamos que seria tão difícil conseguir ser atendidos. Gastamos quase todo o dinheiro em consultas e exames, pois tenho problemas de saúde que não podem esperar. Estamos nessa pensão porque ela fica perto da clínica em que nos consultamos?, explica Jonas.

Os motivos que levam as pessoas a saírem de sua cidade natal para se consultar em Teresina são variados. Quase sempre o atendimento do SUS nos municípios não atende as necessidades da população. Algumas vezes, o resultado de um simples exame de sangue leva mais de uma semana para ser disponibilizado, espera que em alguns casos pode ser fatal. Procurando um atendimento rápido e de qualidade, muitas pessoas procuram a capital do Piauí.

Por ser referência no atendimento médico, Teresina recebe muitos enfermos de outras localidades. Cerca de 37% dos pacientes do HUT vem de outros municípios, principalmente do Sul do estado. O Maranhão e outros estados também representam uma parcela nessa estatística, respondendo por quase 10% dos atendimentos realizados na capital.

Pensionatos oferecem alternativa para pacientes

Localizados em pontos estratégicos e oferecendo serviço completo de assistência, os pensionatos estão entre as alternativas mais vantajosas para quem está na cidade a tratamento médico. Com diárias acessíveis que incluem alimentação e translado para clínicas e hospitais, eles são o alvo de quem sai do interior para se tratar.

?Buscamos atender todas as necessidades dos hóspedes. Não cobrarmos taxa adicional por refeição, todas elas estão incluídas no pacote. Também acontece do paciente não saber andar pela cidade, por isso o levamos até o médico e não cobramos nada mais por isso?, justifica Maria do Rosário, zeladora de um pensionato há 14 anos.

A busca por tratamento médico privado é mais vantajosa para quem vem do interior. O período entre a consulta e o resultado em uma clínica particular é menor que em hospitais públicos, o que resulta em menos despesas com hospedagem. ?Gasto muito menos dessa forma. Se fosse esperar ser atendido por um hospital do SUS, gastaria mais dinheiro apenas com hospedaria?, conta o vigilante Jonas Oliveira.

Embora a viagem por motivo de saúde não seja categorizada como turismo, não pode deixar de ser vista como um fenômeno econômico relevante, sendo um dos maiores propulsores da economia teresinense.

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