“FGV vem para resolver problemas de obras”, diz Merlong Solano

Não resta dúvida de que são obras importantes, assim como outras.

O teresinense já se acostumou à paisagem caótica que se instalou onde está sendo construído o Viaduto da Avenida Miguel Rosa, uma intervenção iniciada no final de 2013 e para a qual não há previsão de entrega. Há muito se ouve falar na duplicação das BRs 343 e 316, nas saídas norte e sul da capital, sem que essa melhoria seja efetivamente concretizada.

Não resta dúvida de que são obras importantes, assim como dezenas de outras nas áreas de mobilidade urbana, saúde, educação, esgotamento sanitário, abastecimento de água, mas, que apesar da importância, não saem do papel ou se arrastam por longos anos. Só que desta vez, o Governo do Estado decidiu buscar uma saída que já vem sendo utilizada por outros estados, que é a contratação da Fundação Getúlio Vargas (FGV) para monitorar e ajudar na execução de 50 projetos considerados prioritários para a população piauiense.

Em entrevista exclusiva ao Jornal Meio Norte o secretário estadual de Governo, Melong Solano, conta como a instituição de renome nacional irá auxilar para que as obras saiam do papel, sejam concluídas, e sirvam efetivamente para o povo do Piauí

Jornal Meio Norte – Quais obras integram essa relação de 50 prioridades?

Merlong Solano – Em Teresina, podemos citar a construção de uma nova maternidade, a Ponte do Meio (JK), o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), por exemplo. No interior, um novo hospital na região de Picos; estradas importantes, como a Transcerrados; adutoras, como a Adutora do Sudeste Piauiense, o sistema adutor de Bocaina/Piaus.

São obras estratégicas, que juntas representam mais de dois bilhões de reais. Aplicados, esses recursos serão capazes de melhorar a infraestrutura do Piauí e, durante a sua execução, gerar emprego, fazer circular mais renda na nossa economia.

JMN – Como vai funcionar esse convênio com a Fundação Getúlio Vargas?

MS – Não se trata apenas de fazer diagnóstico ou fiscalização, mas principalmente, de resolver os problemas que estão determinando o atraso e a paralisação dessas obras. A Fundação Getúlio Vargas, com o seu grande conhecimento e capacidade técnica, juntamente com as nossas secretarias, estará encarregada de destravar empecilhos burocráticos, refazer projetos, enfim, encurtar caminhos. Para isso, a FGV tem um escritório em Teresina e parte da sua equipe virá para o Piauí. Essa equipe trabalhará em conjunto com servidores estaduais e com pessoal contratado aqui mesmo no estado.

JMN – Quando os trabalhos devem começar?

MS – Já começaram. Na segunda-feira, dia 22, fizemos uma reunião com os gestores dos órgãos responsáveis pelas obras escolhidas, juntamente com coordenadores e consultores da Fundação Getúlio Vargas, para explanação da metodologia de trabalho que será adotada. A FGV já está realizando reuniões em separado com cada órgão, onde foram definidas as pessoas responsáveis por intermediar a relação com a instituição, fornecendo informações necessárias e repassando o andamento das ações.

JMN – As secretarias não teriam condições de fazer esse trabalho sozinhas?

MS – As nossas secretarias estão com a capacidade técnica reduzida, por questões salariais, por questão de pessoal. Isso quer dizer que a solução definitiva passa pela estruturação de planos de cargos e salários de algumas categorias, passa por fazer concurso público para engenheiros, por exemplo, e isso demanda tempo. E nesse momento o Estado não pode aumentar os gastos e nem ampliar a folha de pessoal em razão dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. O caminho mais rápido encontrado foi contratar uma instituição reconhecida nacionalmente, que já faz esse serviço em outros estados, e que vai somar seu corpo técnico ao corpo técnico dos nossos órgãos.

JMN – Quanto o Piauí está investindo nessa parceria?

MS – A FGV tem uma equipe extremamente qualificada e mais de 30 anos de experiência no desenvolvimento de projetos nas áreas de economia e finanças, gestão e administração, e políticas públicas. Investir nessa consultoria certamente vai nos render melhores resultados, a um tempo e custo menores. A parcela deve aumentar à medida que novas obras forem sendo monitoradas. Quando alcançarmos as 50 obras, esse valor chegará a R$ 728 mil por mês. Veja que é um valor pequeno se considerada a importância desses projetos para o Piauí e a quantidade de tempo e recursos que já foram perdidos por problemas que agora serão resolvidos. Além disso, após o término desse convênio, esperamos ter incorporado na nossa sistemática de trabalho a metodologia utilizada pela Fundação Getúlio Vargas.

JMN – Existe prazo para a entrega desses empreendimentos?

MS – Cada obra terá o seu cronograma de execução, mas o importante é que em pouco tempo estarão sendo retomadas ou iniciadas (no caso dos novos projetos). O contrato com a FGV é de um ano, renovável por mais um ano, e dentro desse intervalo esperamos gerar um novo cenário para o Piauí, um cenário de real desenvolvimento.


Fonte: Ananias Ribeiro