Gays reivindicam o direito de doar sangue no Estado do PI

De acordo com dados do Hemopi, no Estado, apenas 1% da população doa ou já doou sangue

Por mais uma vez o grupo Matizes, em comemoração ao Dia Mundial do Doador de Sangue, realizou o ato "Nosso Sangue Pela Igualdade", em reivindicação dos direitos de homens gays e bissexuais doarem sangue. O ato solidário aconteceu no Centro de Hematologia e Hemoterapia do Piauí (HEMOPI), durante toda a manhã de ontem (14).

De acordo com dados do Hemopi, no Estado, apenas 1% da população doa ou já doou sangue. Com esse número mínimo de doadores, o Piauí está longe de chegar ao que é estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que prevê que o número de doadores fique entre 3 e 5%. Nesse sentido, o Matizes acredita que o número de doadores poderia ser maior, caso os homens gays e bissexuais pudessem doar sangue.

Atualmente, a média de atendimento mensal do Hemopi é de apenas cinco mil doadores. Esse número corresponde ao mesmo percentual do restante do país, que varia entre 1,8% a 2% da população, segundo dados do Ministério da Saúde.

De acordo com Marinalva Santana, coordenadora do Matizes, o ato realizado no Hemopi teve por objetivo chamar a atenção da sociedade na luta pelos direitos de homens gays e bissexuais de doarem sangue e também buscar apoio de instituições, entidades e órgãos públicos para que o Ministério da Saúde reveja a portaria nº 1.353/2011, que considera inapto, por doze meses, homens que tiveram relações sexuais com outros homens e/ou parceiras sexuais destes.

"O Ministério da Saúde tem que avançar. Ele tem que ampliar algumas questões. Essa proibição é insustentável. Além disso, a portaria estimula a mentira, pois muita gente omite que é gay para poder doar e ajudar outras pessoas",coloca Marinalva ao ressaltar que a portaria é preconceituosa e discriminatória.

"O nosso ato visa exatamente propor uma discussão mais ampla acerca do assunto, já que a doação de sangue é um gesto solidário e que salva vidas. Lutamos por isso, pela igualdade dos direitos, com o objetivo de construirmos uma sociedade mais justa.

Por isso, mobilizamos várias pessoas para doação, porque preferimos fazer um protesto pela forma mais solidária, afirmativa e construtiva possível", ressalta Marinalva.

Fonte: Virgínia Santos e Aline Damasceno