Governo da Bahia empossa primeiro transexual na história

Para ela, a nomeação é um orgulho que representa o reconhecimento da militância da causa gay no Estado.


Governo da Bahia empossa primeiro transexual na história

Pela primeira vez na história do Governo da Bahia, um transexual será nomeado para um cargo público. Nascida como Paulo César dos Santos há 25 anos, Paulett Furacão foi integrada ao quadro de funcionários da Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH) do Estado na manhã desta quinta-feira. A cerimônia contou com forte presença da comunidade de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis (LGBT) baiana, orgulhosa de ter uma representante legítima na administração pública.

Paulett trabalhará na coordenação do Núcleo LGBT do órgão promovendo campanhas e projetos de divulgação e educação, com objetivo de diminuir o preconceito contra a comunidade. Para ela, a nomeação é um orgulho que representa o reconhecimento da militância da causa gay no Estado e a promoção de um legítimo representante para agir internamente no governo.

Assumir a causa LGBT

Neste ano, Laleska D"Capri, nome da fantasia de um ator identificado como Geraldo, foi assassinada em um crime de homofobia. Revoltada, Paulett decidiu mudar de vida e assumiu o ativismo da causa. De lá para cá, criou uma associação com o nome da amiga morta no bairro Nordeste de Amaralina.

Ela resume a nomeação como uma emoção dedicada à memória de Laleska e uma vitória da militância, além da sensibilidade que a secretaria teve ao perceber que os tempos mudam e a diversidade social precisa estar presente no governo. "O secretário Almiro Sena procurava uma pessoa que fosse identificada com o movimento e, depois de muitas análises, indicações, entrevistas e debates, eu fui escolhida. Fico feliz que o governo tenha esta sensibilidade de perceber que é preciso esta representação", explica.

Bandeiras a defender

Paulett Furacão elegeu como sua primeira batalha convencer todas as secretarias da Bahia a adotarem pelo menos um transexual ou travesti em seu quadro de funcionários. Segundo ela, não é necessário ser nenhum cargo de chefia. O que conta é apenas a inserção e a naturalização do diferente no serviço público. A ativista conta que o objetivo maior é promover uma política pública de inserção do gênero no mercado de trabalho.

"Tem que haver mercado de trabalho para estas pessoas. Elas já acreditam que não podem mais trabalhar da maneira "normal", como a sociedade impõe. Elas serão o que são o dia inteiro e deve haver trabalho para elas. Não é justo que estas pessoas trabalhem só em salões de beleza ou optem pela via da prostituição", defende Paulett.

Paulett é a segunda figura andrógina a conseguir um posto destacado nas esferas de governo da Bahia. Em 2008, a dançarina travesti Leo Kret elegeu-se vereadora em Salvador pelo PR e deverá concorrer à reeleição este ano.

Fonte: Terra