Grupo luta por direitos das pessoas que têm ou tiveram Hanseníase

Os índices de hanseníase no Piauí ainda são altos

Há 30 anos o grupo Morhan (Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase) vem lutando por direitos das pessoas que têm ou tiveram Hanseníase.

Atualmente, busca a institucionalização do Dia Estadual de Combate à Hanseníase e ainda através do projeto “Filhos separados pela hanseníase”, que haja o ressarcimento aos filhos segregados dos pais adoentados.

Os índices de hanseníase no Piauí ainda são altos, em 2014, foram notificados 1.144 casos, sendo que 81 deles acometeram crianças e adolescentes menores de 15 anos.

E só este ano, foram registrados mais de 100 casos, nos meses de junho e julho, esses números são da Secretaria de Saúde do Piauí (Sesapi). Vale destacar que a maioria dos casos diagnosticados são multibasilares, isto é, a forma avançada da doença de contagio.

Com intuito de promover discussões sobre a temática que a deputada estadual Flora Izabel propôs uma audiência pública, na quarta-feira, (16), no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi), com as Comissões de Saúde e Direitos Humanos e da Juventude, além de contar com representantes da Sesapi, FMS, Seduc, Semel e OAB.

A deputada Flora afirma que através de histórias e necessidades da população atingida pela hanseníase, é possível promover melhores condições de vida, em especial para aquelas que sofreram transtornos por falta da devida assistência.

“Queremos trazer o reconhecimento ao grupo Morhan, que vem lutando contra o preconceito. Conhecemos relatos e as demandas atuais de pessoas que foram afetadas pela hanseníase.

Dentre elas, a pensão para filhos separados dos pais que tiveram hanseníase, por não haver uma política de saúde que os atendesse”, explica a deputada.

Segundo Lucimar Batista, coordenadora estadual do grupo Morhan, o movimento vem discutindo sobre os transtornos que mães e filhos sofreram a serem afastados e buscam indenização a essa população.

“O projeto ‘Filhos separados pela hanseníase’ vem sendo discutido há cinco anos. Em 2007, conseguimos que fosse instituído aos filhos egressos que moravam em colônias.

Eles foram separados das mães e levados para a doação, sem ao menos receber a primeira mamada do leite materno. Descobrimos muitos casos e as autoridades precisam reparar esse crime”, pontua.

DATA - Além da pensão de ressarcimento, a outra proposta é que o Dia Estadual de Combate a Hanseníase seja instituído no dia 12 de setembro, data que é comemorado o aniversário do movimento.

“A nossa luta agora é que seja instituído o Dia Estadual de Combate à Hanseníase. Já tivemos grandes avanços, mas ainda faltam muitas conquistas, para eliminar essa doença do Estado e do país”, destaca Lucimar Batista. Piauienses apresentaram projeto em Bruxelas.

Foi durante uma aula no curso técnico em Enfermagem do município de Campo Maior que Otávio Neto e Nazaré Andrade, atualmente universitários, tomaram conhecimentos dos altos índices de Hanseníase no Piauí e resolveram desenvolver o projeto informativo de combate a doença.

O projeto que consiste em informar o tratamento e a cura da hanseníase, através de panfletos, outdoors, palestras e do apoio da imprensa local, que as ações destes jovens campomaiorenses tomaram grandes proporções. Levando-os a participar de sete feiras científicas no país e uma em Bruxelas, capital da Bélgica, na Europa.

“Foi a simplicidade que tornou nosso projeto bonito. Uma simples divulgação a sociedade faz toda a diferença. É importante saber que manchas brancas ou avermelhadas na pele podem ser hanseníase, que tem tratamento e cura fácil e isso ajuda a quebrar o estigma da doença”, esclarece o jovem Otávio Neto.

Fonte: Lindalva Miranda e Márcia Gabriele