Homenagem: O. G. Rego de Carvalho vai deixar saudades

O. G. Rego de Carvalho é um dos grandes nomes da literatura nacional. Aos 83 anos, natural de Oeiras,ele se despediu da vida para entrar para história

Sábado, dia 9, a literatura piauiense perdeu um grande nome do meio. Aos 83 anos, o escritor Orlando Geraldo Rego de Carvalho, conhecido como O. G. Rego de Carvalho, deixou milhares de leitores tristes com sua perda.

Há oitos dias ele estava internado em um hospital particular da capital e morreu devido a uma falência múltipla dos órgãos. Nascido em 25 de janeiro de 1930, em Oeiras, Piauí, o escritor residia em Teresina e começou bem cedo na carreira.

Aos 10 anos de idade ele foi incentivado por uma tia-professora, e passou a escrever num jornalzinho destinado aos trabalhos dos alunos. Aos 23, lançou seu primeiro livro ?Ulisses Entre o Amor e a Morte? que, atualmente, já possui 13 edições. Mas antes disso lançou a revista ?Caderno de Letras Meridiano?, um marco dentro do Modernismo Piauiense.

Além destas obras, também lançou Amarga Solidão (1956), Rio Subterrâneo (1967), Somos Todos Inocentes (1971), Como e Por Que Me Fiz Escritor (1989) e Ficção Reunida (2001). O.G. Rego de Carvalho é, sem dúvida, um grande romancista brasileiro, não devendo nada aos maiores do País.

Ele era o ocupante da cadeira número 6 da Academia Piauiense de Letras. Em 2005, foi o homenageado na terceira edição do Salão do Livro do Piauí (SALIPI) e além de romancista, também era bacharel em Direito, professor, funcionário aposentado do Banco do Brasil e Doutor ?Honoris Causa? da Universidade Federal do Piauí. Quanto à vida pessoal, O. G. Rego casou-se em 23 de março de 1996 com a simpática poetisa Divaneide (Maria Oliveira de Carvalho.

Curiosidades

O amor de Carvalho pelas letras era imenso. Para escrever ?Rio Subterrâneo?, abriu mão de postos mais elevados no banco e até mesmo do casamento na época.

Seu esforço mental foi tão grande que foi adoecendo enquanto o escrevia e, à medida que adoecia, passava para o papel suas sensações. Com receio de que o romance não fosse concluído, passou a escrever dia e noite. Terminada a tarefa, teve de entrar em intensivo tratamento.

Cada reedição de seus livros recebe novas correções, novos ajustes. Ele era muito perfeccionista e tão exigente com o que escrevia, que em sua bibliografia constam mais dois livros: ?Amarga Solidão? (1988), mas ele geralmente nem o mencionava, e ?Amor e Morte? (1956), que ele proibiu que seja reeditado, proibição válida até para seus herdeiros.

O. G. representa um dos maiores expoentes da nossa literatura

O. G. Rego marcou a vida de jovens e adultos piauienses, profissionais da arte ou não. Gente que tem um carinho e admiração imensos pelo escritor que nos deixou para sempre, mas que também deixou um legado de histórias e livros que ainda vão marcar muitas gerações.

Separamos alguns depoimentos de pessoas que puderam ter a honra de conhecê-lo pessoalmente e outras que o conheceram somente através da sua obra. Vale a pena conferir e perceber a importância que O. R. Rego de Carvalho tem para a vida dessas pessoas e para a nossa literatura.

Na academia, ele era um homem de pouca fala, introspectivo, mas lhano de trato, muito cortês com os confrades, aliás, com todos os que dele se aproximavam. O. G. Rego, representa um dos pontos mais altos de nossa literatura, sua obra é imorredoura, ganhou notoriedade nacional, por isso, permanecerá para sempre lida e apreciada por todos aqueles que gostam de boa literatura?.

Reginaldo Miranda,presidente da Academia

Piauiense de Letras

Tive contato com O. G. Rego de Carvalho no ano passado, na pesquisa para a Revestrés. Encantei-me primeiramente pelo autor, depois pela obra. Tem um trecho de ?Como e por que me fiz escritor? com o qual me identifico muito, onde ele fala da sinceridade absoluta de quem escreve: ?escrever como se estivesse rasgando o coração?. ?O autor não pode ter piedade de si mesmo, tem que se expor a nu, nem que seja para o ridículo, mas tem que se expor?. Nesse ponto, todos nós que escrevemos com o coração somos meio O. G. diante de uma folha de papel em branco. Para mim, O. G não se foi, pois já era imortal?.

Luana Sena, jornalista

Sem dúvida alguma, O. G. Rego foi um grande romancista que fez e faz parte dos que rodeiam o que há de melhor na moderna ficção, não só na piauiense, mas brasileira. Um grande escritor e intelectual do nosso estado, que em sua obra tanto retratou a situação da sociedade local naquela época em que vivia.

Os meus livros preferidos dele são ?Ulisses Entre o Amor e a Morte?, que li quando tinha apenas 15 anos, o primeiro dele com que tive contato. E o outro, talvez como o da maioria, ?Rio Subterrâneo?, creio eu que seja a obra mais conhecida dele e a mais densa. A morte de O.G. Rego significa uma perda cultural muito grande. Era um exímio romancista. Perdemo-lo em matéria, mas na literatura ele se fará eterno?.

Rosseane Lima, professora de Português

O O. G. Rego de Carvalho sabia tratar bem a questão da identidade. Às vezes, esquecemos de olhar para a nossa literatura que retrata tão bem a nossa província e é muito importante que possamos conhecer a nossa identidade, a nossa geografia e o O. G. Rego sabia retratar isso. Retratar os conflitos familiares e as banalidades que ainda hoje acontecem são características bem presentes na obra dele. Ele sabia mexer com as questões humanas e é muito importante para a nossa literatura?.

Cacilda de Castro, professora de Literatura


Ele vai deixar saudades

Fonte: Flávia Araújo e Tatiara de França