Inflacionou: Hospital de Urgência de Teresina faz aluguel aumentar 100%

Inflacionou: Hospital de Urgência de Teresina faz aluguel aumentar 100%

O Hospital de Urgência de Teresina atrai um grande fluxo de pacientes todos os dias.

O preço dos aluguéis nas proximidades do Hospital de Urgência de Teresina está elevado. Esta é a reclamação de quem resolveu optar por ganhar uma renda a mais naquela região e agora sofre as consequências da especulação imobiliária.

No local, grande parte dos comércios é de alimentação e alguns poucos dormitórios para os pacientes que vêm de outros municípios. Embora alguns empresários procurem investir no local, a região ainda tem muito a se desenvolver.

Para os proprietários de terrenos e imóveis é uma grande oportunidade. Imóveis são alugados por valores que chegam a R$ 650. No caso de venda, residências cujo valor era avaliado em R$ 25 mil chegam a ser vendidas por R$ 150 mil em virtude da proximidade do hospital bem como outros pontos de referência.

Mas no âmbito do comércio, foi desde a inauguração do Hospital de Urgências da cidade que começou a se desenvolver nas proximidades. A grande quantidade de lanchonetes na região tem proporcionado uma maior concorrência entre os proprietários. E nessa situação, quem possui espaços mais visíveis acaba por lucrar mais.

Maria Raimunda Vieira escolheu há pouco mais de três anos um ponto para trabalhar na rua em frente ao estacionamento do Hospital. Apesar de ser visível, outros pontos semelhantes mais próximos ao hospital acabam por ter uma clientela maior. Além de ter que lidar com isso, ela precisa ainda administrar o aluguel do local, pois aumenta anualmente.

Na época em que recebeu o ponto, Maria pagava R$ 450 por um espaço que, dividido em três pequenos cômodos, mal dá espaço para a colocação de mesas e para a cozinha, assim como todos os aparatos de um restaurante.

Atualmente, o valor pago pelo espaço chega a ser 60% maior que o inicial.

?A gente vive em função do hospital. Porque o pessoal do próprio bairro não vem. Por conta do aluguel, só dá para pagar mesmo as contas e tirar o dinheiro das refeições. Não tenho um dia de folga. Ter ponto aqui é bom para quem tem espaço próprio?, afirma.

Pontos geram excelente lucro

Na oportunidade de ter um lucro maior, a venda de roupas entre outros produtos de higiene também ganha espaço no local. ?O bom é que tudo que a gente coloca vende?, completa Maria Raimunda.

Josias Carreiro é dono de uma farmácia há quatro anos na região e garante: ?o aluguel é bastante caro?. Quando chegou ao ponto, o aluguel era de R$ 300. Hoje, o empresário desembolsa mensalmente R$ 600, 100% a mais que no início. ?Eu montei a loja mais por conta do HUT, mas acabamos prestando serviço para o bairro. O aluguel é caro, mas é compatível com o desenvolvimento daqui?, explica.

Por outro lado, quem já tinha um ponto naquela região e resolveu investir consegue tirar um ótimo lucro. A exemplo da família de Maria Luisa, que tem um trailer de lanches nas proximidades e chega a lucrar diariamente mais de R$ 300. Os gastos mensais são apenas com energia e água, bem como as taxas da Prefeitura.

?Do dia 1º ao dia 15 é melhor, no final do mês é que a gente sente uma queda. Se no início a gente chega a faturar R$ 500, no final fica em torno de R$ 300?, explica. Além dos clientes do próprio hospital, funcionários da Justiça Federal e de outros empreendimentos da região formam a clientela do lugar.

Luis Cláudio também decidiu investir no lugar, desta vez por conta da carência de espaços para os familiares de pacientes do HUT passarem a noite numa residência de sua propriedade - o local tem espaço para 10 a 12 pessoas.

?Naquela região a carência é muito grande de pensões e dormitórios. Tem muitos desses negócios, mas é próximo da Rodoviária de Teresina?, explica.

Comerciantes têm prejuízos com assaltos

Embora a região tenha se desenvolvido na questão comercial, empresários andam temerosos com a ação de bandidos. É que, segundo eles, não há condições de investir e sofrer com os constantes assaltos.

De acordo com um comerciante que não quis se identificar, o seu ponto, em menos de um ano já foi assaltado três vezes. ?Antes tinha uma farmácia perto da Justiça Federal e também já tinha sido assaltado por duas vezes. Aqui não há segurança?, conta. Questionado sobre os prejuízos, ele diz nem avaliar. ?Graças a Deus não tiraram a minha vida, mas é um risco constante?, explica.

Josias Carreiro, proprietário de uma farmácia próximo ao local, também já chegou a ser assaltado, por cinco vezes.

?Segurança é zero. Polícia passa, mas não dá para esperar. A quantidade de drogados que comercializam droga em frente ao hospital é tamanha. É isto o que na realidade falta: um policiamento ostensivo. Sou obrigado a fechar mais cedo por conta da insegurança?, comenta.

Fonte: Virgínia Santos