Idosa é presa após cuspir em produtora e delegadas por serem negras

Ela foi acusada de crimes de injúria racial e racismo

Uma aposentada identificada como Terezinha de Oliveira Silva, 77 anos, foi presa nesta terça-feira (28) acusada de crimes de injúria racial e racismo. A denúncia foi feita por Elizabete Braga, uma produtora audiovisual que diz ter sido atacada pela idosa dentro de supermercado em Brasília (DF).

De acordo com o que relatou apurou a Polícia Civil, Terezinha teria feito comentário sobre o cabelo da produtora e perguntado se era peruca e quando a produtora pediu para que seu cabelo não fosse tocado a servidora pública começou com ofensas usando expressões como "preta safada" e "preta sem educação", além de ainda ter cuspido nos pé de uma outra mulher afirmando não gostar de pessoas negras.

Aposentada foi presa acusada de racismo
Aposentada foi presa acusada de racismo

Após o ocorrido a vítima desabafou em seu Facebook sobre o episódio vivido por ela. "Depois disso, resolvi chamar a polícia. A senhora ainda tentou me agredir fisicamente dizendo que era faixa preta de caratê e me chamou para briga. Logicamente, até por respeito à idade dela, me contive”, contou.

Policiais da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual ou Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin) buscaram a aposentada em casa para levá-la até o Departamento de Polícia Especializada (DPE).

Mas, a aposentada não se conteve e começou a ofender a delegada-adjunta que fazia a ocorrência, Maria do Carmo Correa, que é negra. “Não gosto de negros”, teria dito a aposentada, que cuspiu no chão em direção à policial. Autuada duas vezes pelo mesmo crime, ela responderá por racismo, que prevê pena de 1 a 3 anos de prisão.


Relato de Elizabete na íntegra:

Hoje, 28/6/16, mais um caso de racismo contra mim. Eu estava no caixa do atacadista Super Adega, quando uma senhora, ao perguntar se meu cabelo era uma peruca ou de verdade, tocou meu cabelo. Gentilmente pedi para que não tocasse em meu cabelo. A resposta dela? “PRETA SAFADA! PRETA MAL EDUCADA! ISSO É FORMA DE ME RESPONDER?” Na continuação das ofensas, disse que minha mãe não havia dado educação à uma preta tão sem educação, que ela até poderia ter gente da África na família dela, mas que ela não gosta de gente preta – tudo sem educação.

Disse, ainda, que a garota do caixa é uma negrinha bonitinha, mas que eu sou uma negrinha feia (e está longe de ser essa a questão aqui). Disse que pelas minhas ações – de não deixar ela ir embora antes que a polícia chegasse – mostrava que eu sou uma puta, “você só pode ser uma puta, isso mesmo, uma puta, com esse comportamento” (se ser puta também significa reivindicar direitos, sim, sou puta, fico puta de raiva e corro atrás). Chamou-me de gentalha e perguntou ao segurança como deixavam mulheres como eu entrar no supermercado. Ah! Ainda cuspiu duas vezes em minha direção.

Daquelas cusparadas que se dá quando se quer mostrar desprezo por alguém. Ainda ostentou uma carteira de identificação dela (a famosa carteirada) do Ministério das Relações Exteriores, se dizendo DIPLOMATA e disse: “com quem você pensa que está falando? Ligar para a polícia não vai dar em nada!”.

Consegui a identificação dela e testemunhas. Fui à Delegacia de Repressão aos Crimes de Discriminação Racial etc, na DPE, e registrei ocorrência. A mulher foi chamada, as testemunhas consultadas e pimba! Prisão em FLAGRANTE POR RACISMO! Não satisfeita, a mulher ofendeu racialmente e, também, cuspiu na delegada – SIM, BAFÃO! C-U-S-P-I-U na delegada.

Não creio que fique muito tempo presa. Talvez só esta noite. Mas que sirva de alerta para os RACISTAS de plantão:
RACISTAS NÃO PASSARÃO!


Fonte: revistaforum