Idoso é vitima de golpe da compra premiada no Piauí

Idoso é vitima de golpe da compra premiada no Piauí

Mas justo no décimo sétimo sorteio ele foi contemplado com a moto. Contudo, porque estava em atraso ele foi impedido de receber o veículo

Em 11 de maio de 2010 o senhor Geraldo Cardoso Macedo entrou em um consórcio de 48 prestações comandado por uma empresa chamada Eletromotos de União. Ele conta que precisava de uma moto para trabalhar e fez um esforço, pagou 16 prestações e quando chegou o dia de pagar a 17ª prestação, o dinheiro acabou e ficou com o pagamento pendente. Mas justo no décimo sétimo sorteio ele foi contemplado com a moto. Contudo, porque estava em atraso ele foi impedido de receber o veículo e informado de que iria ficar sem uma parte dos mais de R$ 3 mil reais que já havia investido.

Revoltado, Geraldo Macedo foi ao Procon fazer a denúncia. ?Eu soube que eles já tinham vendido a minha moto para outra pessoa e disseram que eu só podia ter o dinheiro no final, mas havia casos de outras pessoas que aconteceu o mesmo e que tiveram o dinheiro de volta. Vim atrás dos meus direitos?, explica.

No consórcio compra ou venda premiada quem ganha um prêmio deixa de pagar o restante das parcelas. O que demonstra irregularidades, já que em um consórcio legalizado, mesmo sendo contemplado as pessoas que fazem parte devem pagar a parcela até o final. Na compra premiada não há organização e os representantes sempre aguardam a chegada de novas pessoas para manter o grupo.



Segundo o conciliador do Procon Campelo Júnior, as empresas que atuam oferecendo esse tipo de consórcio são clandestinas e não tem a autorização do Banco Central. ?O consórcio normal funciona de forma bem distinta. Digamos que nós temos um grupo com cinco pessoas e, aquele contemplado no primeiro mês deve pagar necessariamente as cinco parcelas seguintes. Já a compra premiada funciona completamente diferente. Aquela pessoa que é contemplada no final do grupo fica automaticamente desonerada de pagar as demais prestações, ou seja, aquele que ficar no final do grupo provavelmente ficará no prejuízo?, explica.

O conciliador do Procon orienta ainda que é preciso ter cautela quando fechar um negócio e buscar entidades e empresas sérias e idôneas para não cair nesse tipo de golpe. O mais complicado é que as empresas Eletroleite, Eletroima e Eletromotos - que atuam nesse tipo de consórcio de compra premiada - não possuem representação, o que significa dizer que não possuem CNPJ. Por conta disso, fica difícil para o Procon localizar as empresas e aplicar punições.

?Nós temos essa dificuldade de encontrar essas empresas, até porque não existem sedes próprias. Eles ficam atuando de maneira itinerante, um dia está em Água Branca, Floriano outro em União e assim por diante. Até porque são nessas cidades os registros de maiores reclamações e também junto com algumas cidades do interior do Maranhão. Mas isso não se restringe apenas a essas cidades, mas todo o Estado do Piauí está sofrendo com essas ações?, complementa Campelo Júnior.

Fonte: Marcilany Rodrigues