Infrações são a causa principal de vítimas fatais em acidentes de motocicletas

Infrações são a causa principal de vítimas fatais em acidentes de motocicletas

O consumo de bebidas alcoólicas, a falta de uso de capacete estão entre as infrações

O lavrador José Roberto Camelo da Silva, de 31 anos, morreu em uma enfermaria no Hospital de Urgência de Teresina (HUT), no dia 9 de novembro, em consequência de um acidente com sua motocicleta na estrada que liga o município de Alto Longá (80 km de Teresina) onde residia, a São João da Serra, no Norte do Piauí.

Sua mulher, Maria da Cruz Alves da Silva, disse que José Roberto Camelo da Silva foi beber em um bar e ela alertou que não bebesse porque tinha que a levar e a sua filha para casa e deveria proteger as suas vidas, mas o lavrador enfatizou que se garantia e não teria problemas. O casal ia para um seresta e os amigos levaram Maria da Cruz e a filha em motocicleta e José Roberto Camelo foi sozinho em sua motocicleta, sem carteira de habilitação e capacete.

?Quando estávamos na estrada, meu marido passou em alta velocidade por nós. Na primeira curva da estrada que liga Alto Longá e São João da Serra, ele passou mas não aconteceu nada, mas na segunda curva, ele caiu com a motocicleta e a cabeça bateu na pista. Quando nós chegamos vimos muita sangue, que saiu de sua cabeça?, afirmou Maria da Cruz, que tem três filhas e está grávida de três meses de José Roberto Camelo. José Roberto foi levado para o Hospital de Alto Longá, mas o médico decidiu por sua transferência para o HUT, onde não resistiu ao trauma e morreu.

?Ele era muito trabalhador e um homem muito bom?, falou a mãe de José Roberto Camelo, Antônia Vieira Gomes da Silva. Maria da Cruz e Antônia Vieira choraram muito por causa da morte de José Roberto Camelo. ?Como é que vou criar um filho sem pai??, indagou Maria da Cruz, em referência ao bebê que carrega em seu ventre.

O lavrador Domingos Alves de Sousa, de 63 anos, morreu na madrugada de 14 de novembro no Hospital de Urgência de Teresina (HUT) em consequência de traumatismo cranioencefálico que sofreu na colisão de sua motocicleta com um cavalo na estrada do povoado Boqueirão, na zona rural do município de Boa Hora (109 km de Teresina). Seu filho, José Francisco da Conceição, de 24 anos, disse que Domingos Alves comprou a motocicleta em Campo Maior há dois meses por R$ 3 mil e que ainda estava pagando as prestações.

Segundo ele, o pai não tinha carteira de habilitação e não usava capacete. ?Ele nem pensou em tirar a carteira de condutor. Ele só andava de bicicleta e ia para a lavoura a pé porque era perto, mas ele se aposentou, ganhou um pouco mais e comprou a moto e estava feliz com sua aquisição?, afirmou José Francisco da Conceição.

O lavrador estava indo tirar um dinheiro no banco, quando colidiu com o animal e bateu com a cabeça no asfalto, falou José Francisco. Domingos Alves foi atendido e levado para o hospital de Boa Hora e depois encaminhado para o HUT, onde não resistiu. Ele deixou 15 filhos. ?A dor pela perda de um pai é muito grande. Como tinha muitos filhos são 15 sofrendo diretamente a perda?, lamentou José Francisco.

A funcionária pública estadual Guilhermina Mendes e Vales, de 56 anos, no dia de 5 de cada mês é invadida pelas lembranças boas, da alegria e euforia do filho Jean Mendes e Vales, na época com 24 anos, que morreu vítima de acidente de motocicleta no dia 5 de dezembro há seis anos. ?Eu perdi meu filho no dia 5 de dezembro de 2007. Saiu para deixar um amigo e sofreu um acidente. Até hoje eu sofro pela perda de meu filho com a mesma intensidade do dia de sua morte?, recorda Guilhermina Mendes Vale. Ele tinha 24 anos e era estudante.

Jean Mendes estava em casa na Santa Teresa, em Teresina, a capital piauiense, e foi deixar um amigo e ao passar por uma lombada na estrada perdeu o controle da motocicleta, que ficou desgovernada e ele caiu com a cabeça no asfalto. Jean Mendes estava sem capacete e sofreu traumatismo cranioencefálico. Chegou a ser internado em um hospital de Teresina, onde não resistiu.

?Você sabe como são os jovens de hoje. Eles afirmam ?vou bem aqui, é rapidinho, não é preciso colocar capacete, não?. Foi rapidinho. São 500 metros de minha casa para onde ele foi. Perder um filho não é fácil. A gente tem um filho, Deus levou, a gente tem que aguentar. Na volta ocorreu essa fatalidade. Ele ainda foi para o hospital e o médico disse que só Deus para salvá-lo porque não poderia mexer na cabeça dele. Se mexesse de um lado iria atingir o outro. Setenta e duas horas depois do acidente meu filho morreu. Agora só tenho três filhos. É duro demais perder um filho. Ele era tão alegre e divertido?, recorda Guilhermina Vale.

Grande vantagem da moto é o consumo de combustível

O despachante Júlio César Rodrigues, que mora em Teresina, há quatro anos anda de motocicleta e já sofreu um acidente quando ficou com a perna ferida. O sobressalto, porém, não impede sua defesa de motocicleta como meio de transporte por causa do preço mais baixo do veículo e menor consumo de combustível.

?A economia em relação ao consumo de combustível e a facilidade que se tem para comprar um motocicleta por consórcio ou com pagamento em até 48 parcelas?, falou Júlio César Rodrigues. Ele diz que uma motocicleta nova custa de R$ 5 mil a R$ 7,5 mil e pode ser comprada em consórcios ou em prestações de R$ 200,00 a R$ 250,00 mensais.

?Quem ganha um salário mínimo pode comprar uma motocicleta a prestações. As facilidades hoje são grandes, tanto no grande número de prestações com no consócio?, disse Júlio César, lembrando que gasta R$ 48,00 por semana para abastecer a motocicleta de gasolina e iria gastar R$ 60,00 por semana para abastecer o carro de combustível.

Ele acha que os riscos de circular em motocicletas são os acidentes e as colisões com outros que causam ferimentos. ?Eu já sofri um acidente e fiquei três dias sem trabalhar. Fui atingido na perna direita?, afirmou Júlio César Rodrigues.

?Motociclistas acham que são donos das vias?

O servidor público municipal Washington Luiz, de 29 anos, critica como motorista o comportamento dos motociclistas no trânsito em Teresina. Ele conta que o motociclistas em Teresina se consideram os donos vias, não respeitam as regras do trânsito e o espaço dos motoristas.

?O Código de Trânsito diz que o maior é responsável pelo menor. Eu acho errado porque eles não respeitam a gente pelo fato de que têm motos?, falou.

Washington Luiz diz que os motociclistas fazem ultrapassagem pela direita. Reclama que os motoristas respeitam as faixas de pedestres, mas os motociclistas ignoram.

Afirma que os motociclistas são unidos e quando acontecem acidentes com eles os motoristas correm risco de espancamento e linchamento.

?Eles são os donos das vias. Eles são muito unidos e quando acontece um acidente com eles, se juntam cinco ou seis e partem para cima do motorista, mesmo estando errados. A gente corre o risco de ser linchado por eles. Passam até em sinais fechados?, falou Washington Luiz.

Fonte: Efrem Ribeiro