Instrutor de voo será indiciado pela morte de irmã de ator global

Segundo o delegado Fábio Barucke, titular da Delegacia da Gávea (15ª DP), ele vai responder por homicídio culposo

O instrutor de voo Allan Figueiredo vai ser comunicado nesta sexta-feira (30) oficialmente de que foi indiciado no inquérito que apura a morte de Priscilla Boliveira, no domingo passado (25). Ela era irmã do ator Fabrício Boliveira.



Segundo o delegado Fábio Barucke, titular da Delegacia da Gávea (15ª DP), ele vai responder por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Ainda segundo o delegado, Allan deve ficar em liberdade, porque está cooperando com as investigações.

Na terça-feira, o diretor do Clube São Conrado de voo livre, Vinicius Cordeiro, deu uma demonstração de como funcionam os aparelhos de segurança para voos de parapente. As duas travas que deveriam segurar a jovem estavam abertas. Segundo o clube, houve negligência no caso da morte de Priscilla Boliveira. O acidente ocorreu após um salto da Pedra Bonita, na zona sul do Rio de Janeiro.

Comissão técnica instaurada chegou à conclusão de que o instrutor Allan Figueiredo falhou na verificação do equipamento, ainda na rampa, após analisar fotos e vídeos. Dois integrantes da comissão participaram da primeira inspeção do equipamento, a convite da perícia técnica.

Ainda segundo nota do clube, após a decolagem, o instrutor percebeu que a aluna estava escorregando. Allan teria feito manobras para que o parapente se aproximasse do solo mais rapidamente para evitar que Priscilla caísse. Segundo representantes do clube, mais dez segundos teriam sido suficientes para salvar a vida da jovem.

O advogado do Clube São Conrado de Voo Livre, Marco Aurélio Gomes de Araújo, também disse nesta terça não ter dúvidas da imprudência do instrutor Allan Figueiredo. Segundo ele, o instrutor disse, em depoimento na Delegacia da Gávea (15ª DP), que havia checado as travas de segurança do equipamento na primeira tentativa de voo.

- As imagens levadas até a delegacia mostram claramente a falha do piloto, que desobedeceu às normas do clube, que são seríssimas.

Araújo explicou que não defende Figueiredo, mas que o acompanhou até a delegacia no dia do acidente a pedido do Clube São Conrado de Voo Livre, seu cliente.

Assim como o advogado, o diretor do clube, Vinícius Cordeiro, disse nesta terça que houve falha na checagem final do voo de parapente. Segundo ele, o resultado da avaliação final dos pilotos do clube sobre o acidente apontou que Figueiredo foi imprudente ao deixar a jovem decolar sem verificar os equipamentos de segurança.

- Nós concluímos que houve uma falha na checagem final do instrutor. Naturalmente, ele deve ter checado na primeira tentativa de voo. Mas, na segunda, alguém provavelmente teria ajudado a jovem a andar na rampa [da Pedra Bonita].

Figueiredo está com a licença para trabalhar suspensa temporariamente, segundo foi confirmado nesta terça-feira pelo presidente da ABVL (Associação Brasileira de Voo Livre), Marcelo Almeida. Segundo ele, caso a culpa do instrutor pela morte de Priscila seja comprovada, ele perderá a permissão para voar definitivamente.

Fonte: R7, www.r7.com