EUA: Estuprada, mãe reencontra filha dada a adoção após 77 anos

EUA: Estuprada, mãe reencontra filha dada a adoção após 77 anos

Durante anos, ela escreveu dezenas de cartas para agências de adoção para tentar localizar a filha

Durante a maior parte dos seus 100 anos, Minka Disbrow tentou descobrir o que havia acontecido com a filha que deu para adoção após ter sofrido um estupro quando era adolescente e ter engravidado.

A violência de que foi vítima evitou que Disbrow dedicasse amor pelo bebê, do qual guardava apenas uma fotografia em preto e branco enrolado em lençóis num cesto. Foi a última vez que viu a própria filha até uma ligação que recebeu em 2006 com a voz de um homem do estado norte-americano do Alabama.

Filha de um casal de imigrantes alemães, Disbrow passou a infância e adolescência numa fazenda em Dakota do Sul, onde terminou os estudos com uma professora particular e trabalhava para ajudar os pais.

Num verão de 1928, enquanto participava com um piquenique com amigas, a americana e uma amiga foram raptadas por três homens que as estupraram.?Nós não sabíamos o que fazer. Não sabíamos o que dizer. Então voltamos para casa e não dissemos nada?, contou à agência de notícias Associated Press Disbrow, que disse ainda acreditar, à época, que bebês eram trazidos por cegonhas.

A mãe da americana e seu padrasto a enviaram para uma escola luterana para adolescentes grávidas. Aos 17, ela deu à luz a uma bebê loira e com um furinho no queixo, que chamou de Betty Jane. O pastor da escola e sua esposa procuraram então uma família que pudesse dar ?um lar? para o bebê.

Disbrow nunca encontrou os pais adotivos do bebê nem soube seus nomes. Durante anos, ela escreveu dezenas de cartas para agências de adoção para tentar localizar a filha.

Enquanto isso, Disbrow casou com um engenheiro, com quem teve dois filhos. Ela trabalhou como costureira, vendedora de tecidos e gerente de uma lanchonete em diferentes cidades até se estabelecer com a família em San Clemente, na Califórnia.

Todos os anos, a americana diz que pensava sobre a filha no dia do aniversário dela: 22 de maio. Cinco anos atrás, conta ter rezado que pudesse ver a filha. No dia 2 de julho de 2006, o telefone tocou.

O homem do Alabama perguntou a Disbrow, à época com 94 anos, se ela queria falar com Betty Jane. Seu nome agora era Ruth Lee e ela vivia na família de um pastor norueguês e sua esposa. Segundo o homem, Lee havia tido seis filhos, incluindo ele próprio, o professor e astronauta Mark Lee, um veterano dos voos espaciais.

Lee também trabalhou por 20 anos na rede de supermercados Walmart e sempre soube ter sido adotada. Foi apenas aos 70 anos que decidiu procurar pelos pais biológicos.

A mulher começou a sofrer de problemas cardíacos e os médicos a questionaram sobre seu histórico familiar. Ela não sabia nada a respeito. Seu filho, Brian, decidiu tentar buscar informações por meio dos registros de sua adoção, em Dakota do Sul.

Ele localizou 270 páginas de documentos, incluindo as cartas escritas pela jovem Disbrow perguntando sobre seu bebê. Por meio da internet, ele localizou parentes de Disbrow.

?Eu estava procurando por alguém que achei que provavelmente não estaria mais viva?, disse o neto de Disbrow, que tem 54 anos. Ele conta ter ficado sem respirar ao descobrir que a mãe biológica da sua mãe estava na lista telefônica online.

Já Disbrow disse não ter pensado se tratar de algum trote ou tentativa de golpe inicialmente. Ela disse não esperar que as cartas que escreveu quando jovem a ajudariam a reencontrar a filha.

Um mês depois, Ruth Lee e Brian Lee foram à Califórnia visitar Disbrow. Eles folhearam álbuns de família antigos e tentaram recuperar o tempo perdido. ?É como se nós nunca tivéssemos nos separado?, disse Disbrow. ?Como se você tivesse sempre sido parte da família.?

Desde então, as famílias se reuniram várias vezes. Disbrow conheceu netos e até bisnetos nos estados do Wisconsin e Texas. A americana agora planeja visitar ao Alabama na primavera, onde pretende celebrar os seus 100 anos recém completados.

Fonte: G1